quarta-feira, outubro 29, 2008

Nilo acata Justiça e dissolve comissões da AL

Por Luis Augusto Gomes
Cumprindo decisão do Tribunal de Justiça, o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo, mandou publicar na edição de hoje do Diário Oficial a dissolução das dez comissões técnicas permanentes da Casa, que deverão ser recompostas com base nas bancadas eleitas em 1º de outubro de 2006. O presidente anunciou também a dissolução dos blocos partidários e lideranças, mas recuou devido à forte reação de integrantes da oposição e das bancadas independentes. As comissões, compostas de oito parlamentares titulares cada uma, são órgãos essenciais ao processo legislativo e têm poder até para rejeitar liminarmente projetos de lei. Como as urnas de 2006 indicaram um equilíbrio de quatro a quatro entre as bancadas, o governo atraiu deputados oposicionistas e terminou assumindo o controle dos colegiados, pois tinha cinco representantes contra três da minoria, já que foi levada em conta para o cálculo a formação das bancadas no dia da posse – 1º de fevereiro de 2007. Por entender que a distribuição das cadeiras deveria ser feita com base na data da eleição, e não da posse, a oposição recorreu à Justiça e terminou vencendo a questão. O presidente da Assembléia entrou com embargo declaratório, mas como tal instrumento não tem efeito suspensivo, teve de cumprir a decisão. Agora, os líderes de partidos indicarão no prazo de três dias os novos membros das comissões para que a presidência possa efetivá-los na função. Na prática, a decisão não muda a correlação de forças porque o governo havia perdido essa maioria de cinco a três no começo do segundo semestre, quando o PR e o PRTB, totalizando então oito deputados, afastaram-se do bloco de apoio ao governo Wagner. Os governistas, entretanto, tinham esperança de cooptar para sua base pequenos partidos e reassumir o controle, o que agora é mais difícil, até pela rearrumação que pode ocorrer depois que o PMDB, de relações estremecidas com o PT por causa da eleição em Salvador, assumiu ares de independência no Legislativo. O Tribunal de Justiça determinou também, obedecendo à mesma lógica, que as presidências das comissões sejam distribuídas proporcionalmente entre os blocos partidários. Antes, o governo escolheu para controlar aquelas mais importantes – como as de Constituição e Justiça, de Finanças e Orçamento e de Educação e Serviço Público –, deixando para a oposição as menos influentes. Agora, a divisão será feita por escolhas alternadas, porque no dia da eleição o governo tinha 31 deputados e a oposição, 32. O tempo esquentou no plenário quando o presidente Marcelo Nilo anunciou a destituição dos líderes e a extinção dos blocos para que todos os parlamentares que haviam mudado de partido, retornando às legendas originais, pudessem escolher os novos líderes e ser por eles indicados para compor comissões. O líder do PR-PRTB, Elmar Nascimento, disse que nem o Regimento da Casa nem as Constituições federal e estadual lhe garantiam esse direito, e ameaçou recorrer ao plenário. O deputado Arthur Maia também protestou, alegando que a decisão do TJ referendava a fidelidade partidária consagrada pelo Supremo Tribunal Federal. “Deputados que deixaram os partidos dentro do prazo que o Supremo terminaria reconhecendo”, alegou, “jamais poderiam voltar a esses partidos para tomar decisões que não mais lhe dizem respeito”. O líder do PP-PRP, Roberto Muniz, na mesma linha de contestação, propôs uma reunião de lideranças, que ocorreria hoje, “para que haja o entendimento e essa questão não demande uma decisão do plenário”. O líder da oposição, Gildásio Penedo (DEM), argumentou que o TJ “só determinou alterações com relação às comissões técnicas, e não aos blocos, que só podem ser dissolvidos ou formados de acordo com decisão dos parlamentares que os integram”. Apesar do apoio que recebeu de deputados da maioria, como o líder do governo, Waldenor Pereira (PT), Álvaro Gomes (PCdoB), Zé Neto (PT) e Bira Coroa (PT), Marcelo Nilo decidiu acatar as reclamações da oposição e independentes. No entanto, o presidente da Assembléia afirmou que tinha convicção da sua decisão inicial. E explicou: “Se, por exemplo, tivesse ocorrido uma saída em massa de parlamentares para o governo e a oposição tivesse ficado com dez deputados, agora ela teria direito a indicar 40 nomes para as comissões e não teria esse número de deputados. Como seria cumprida a decisão da Justiça?” Para Nilo, o fato de a realidade numérica das bancadas não ter chegado a esse ponto não invalida sua tese. “O princípio seria o mesmo”, disse.
PMDB elabora plano para ter ‘presidenciável próprio’
Cobiçado por PT e PSDB, o PMDB decidiu deflagrar uma estratégia para tentar pôr de pé uma candidatura própria à sucessão de Lula. O primeiro efeito prático da decisão será o sobrestamento das negociações com petistas e tucanos. “Não vamos entregar a rapadura com dois anos de antecedência”, diz Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara. Segundo o deputado, seria inadmissível que o PMDB, depois de vitaminado pelas urnas municipais, não almejasse construir uma alternativa partidária. “O PMDB é, hoje, o partido com o maior número de prefeitos e vereadores. Tem as maiores bancadas da Câmara e do Senado”, diz Henrique Alves. “É natural que o partido tenha o seu projeto nacional”. O tema será debatido, segundo ele, na Executiva do PMDB, em reunião a ser marcada. Henrique Alves diz que, como sócio do consórcio político que dá suporte congressual ao governo, o “parceiro prefenrencial do PMDB para 2010 é o presidente Lula”. Alega, porém, que, assim como o PMDB, também o PT não dispõe, por ora, de um presidenciável competitivo. “A ministra Dilma [Rousseff] vem se esforçando para reforçar a atividade política. Reconheço isso. Mas não se pode dizer, por enquanto, que ela seja competitiva”. Na seara governista, diz Henrique Alves, só há uma “candidatura natural”: a de Ciro Gomes (PSB). “Ele já disputou a presidência, tem um recall grande nas pesquisas”. Diante da “carência de nomes”, abre-se um espaço, acredita o líder do PMDB, para que o partido se movimente para construir a sua própria opção. Algo que seria, segundo ele, tão inevitável quanto necessário. “Até para que o PMDB vá à mesa de negociação de 2010 numa posição mais forte”. E quais seriam os nomes disponíveis no PMDB? Henrique Alves menciona um: “O governador Sérgio Cabral [Rio de Janeiro] é uma dessas alternativas”. De resto, Henrique Alves anuncia para os próximos meses a realização de uma série de “eventos regionais” promovidos pelo PMDB. “Queremos tirar os nossos governadores dos seus Estados, fazendo com que eles percorram o país...” “Sérgio Cabral precisa sair um pouco do Rio, tem de se mostrar mais, por exemplo, no interior do Nordeste...” (Por Carolina Parada).
Aécio diz que derrota de Lula em São Paulo foi emblemática
Após conseguir eleger seu afilhado político prefeito de Belo Horizonte no último domingo (26) —Márcio Lacerda (PSB)— o governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) afirmou ontem que a eleição não teve um “grande vitorioso” mas admitiu o fortalecimento do PMDB nas urnas. “Obviamente, o PMDB avançou, temos que reconhecer esse avanço do PMDB, [...] e acho que o PMDB passa a ter um papel ainda mais relevante nas discussões futuras”, afirmou, em entrevista concedida no Palácio da Liberdade, após receber a visita do prefeito eleito de Juiz de Fora (MG), Custódio de Mattos (PSDB). Passadas as eleições municipais, PT e PSDB começam a traçar suas estratégias para a sucessão presidencial. Para tanto, petistas e tucanos vêem o PMDB como uma das peças fundamentais para avançar na disputa em 2010. Ontem, Aécio —que afirmou ter conversado por telefone com o deputado Michel Temer (PMDB-SP), para parabenizá-lo dos resultados— deu sinais de que o partido irá se empenhar para atrair o PMDB —principal legenda da base aliada de Lula.“Nós devemos fazer um esforço de ampliação das nossas alianças, mas em torno de um projeto, e não em torno de pessoas. Acho que, quanto mais claro ficar esse projeto, acho que quatro ou cinco temas deverão ilustrar ou estar à frente para caracterizá-lo melhor, quanto mais claro fica esse projeto, talvez mais força nós tenhamos para atrair outros aliados, que hoje eventualmente possam estar na base de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não necessariamente estarão apoiando uma candidatura do PT”, afirmou. Para o governador tucano, a derrota do PT em São Paulo foi “emble-mática”, sobretudo devido ao “esforço” do presidente Lula na campanha da petista Marta Suplicy.
CGU sorteia municípios para fiscalizar aplicação de recursos
A CGU (Controladoria Geral da União) sorteia hoje, em Brasília, 60 municípios e oito Estados para fiscalizar a aplicação de recursos repassados pelo governo federal para realização de programas federais. O sorteio será no auditório da Agência Planalto da Caixa Econômica Federal, às 10h, e contará com a presença do ministro Jorge Hage (Controladoria Geral). No sorteio realizado em agosto, Hage admitiu que pelo menos 20% dos municípios fiscalizados pela CGU no país apresentaram irregularidades “graves” na gestão dos recursos públicos. Na ocasião, Hage responsabilizou o Poder Judiciário pela demora na aplicação de punições aos municípios onde há fraudes e ações de corrupção. Segundo Hage, o governo federal já demitiu mais de 1.700 agentes públicos por improbidade nos cinco primeiros anos. Há ainda sindicâncias em andamento. Entre os municípios que registram irregularidades “médias”, segundo o ministro, o índice chega a 70% do total de cidades fiscalizadas pelo governo. A principal fonte de desvios, de acordo com Hage, está em ações de corrupção encontradas em todo o país.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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