segunda-feira, maio 07, 2007

Vitória é campeão!!!

O Vitória conquistou ontem à tarde, por antecipação de uma rodada, no interior do Estado, seu 23º título de campeão baiano, com o triunfo, de virada, de 2 a 1 sobre o Poções, no estádio Lomanto Júnior, na cidade de Vitória da Conquista. Índio foi mais uma vez o herói do campeão, marcando os dois do time do técnico Givanildo Oliveira, ampliando para 26 sua artilharia na competição, e no Ba-Vi de quarta-feira o rubro-negro faz a festa do título diante da sua torcida, no estádio Manoel Barradas, na Toca do Leão. O Vitória manteve seu aproveitamento de 100 por cento no quadrangular final do Campeonato Baiano. Venceu os cinco jogos que disputou até agora – 6 x 5, no Bahia, 6 x 0 e 2 a 1 no Poções, 1 x 0 e 7 x 0 no Atlético de Alagoinhas – com uma excepcional campanha de 15 pontos ganhos, 22 gols marcados e seis sofridos, abrindo uma vantagem de cinco pontos e o saldo positivo de 17 gols sobre o vice-campeão, o Bahia. O Vitória mostrou em Vitória da Conquista sua postura de time campeão. O Poções saiu na frente, com um gol do goleiro Ewerton, cobrando pênalti, de Vanderson em Cafu, mal marcado pelo árbitro Gleidson Oliveira – a falta foi fora da área – aos 39 minutos do primeiro tempo, e ainda teve duas grandes oportunidades de gols, inclusive acertando a trave do goleiro Emerson. Ainda no final dos 45 minutos iniciais, o time do técnico Givanildo Oliveira reagiu, tomou conta do jogo e partiu em busca dos gols que garantiram o título de campeão. No intervalo do jogo o técnico Givanildo trocou Jackson, que sentiu o tornozelo, por Sorato e manteve sua postura ofensiva, que deu resultado logo aos 12 minutos, com o gol de Índio, cobrando pênalti sofrido por Joãozinho. O empate em Poções e o triunfo parcial do Bahia sobre o Atlético, de 2 a 1, na Fonte Nova, manteve a determinação do Vitória na luta pelo triunfo sobre o Poções, que veio já no final do jogo, aos 42 minutos, outra vez através de Índio, aproveitando cruzamento do estreante Hugo Henrique. Com o empate do Atlético na Fonte Nova, a partir daí foi o início da festa pela conquista antecipada do título do Campeonato baiano, aos gritos da torcida rubro-negra que foi a Vitória da Conquista, de “é campeão, é campeão...” nas arquibancadas do estádio Lomanto Júnior.
Campeão de ponta a ponta
Um título mais do que justo. O Vitória foi, de longe, o melhor time na disputa do Campeonato Baiano de 2007. Líder na maioria da primeira fase e durante todo o quadrangular final, o torcedor tem motivos de sobra para comemorar a conquista do estadual antes mesmo de seu final. Ao contrário do ano passado, quando o Colo-Colo levantou a taça, a justiça foi feita e a melhor equipe da competição terminou com o título. Em todo o campeonato, o Vitória disputou 27 jogos e venceu 20 deles, com apenas duas derrotas e 65 pontos conquistados, se somadas as duas fases. A equipe marcou 86 gols e sofreu apenas 33 durante todo o Campeonato. O fato mais marcante foi que no quadrangular final, o time disputou cinco partidas e venceu as cinco, com 100% de aproveitamento. O planejamento pode ter sido fundamental para a conquista. Este ano, a equipe contou com dois treinadores. Mauro Fernandes iniciou a disputa do Campeonato Baiano e foi demitido após a derrota do Vitória na Copa do Brasil para o Baraúnas do Rio Grande do Norte. Com a demissão de Mauro Fernandes, a direção do clube contratou o técnico Givanildo Oliveira. Foi ele o responsável pela invencibilidade da equipe no quadrangular final do Baiano e pela conquista antecipada do título estadual. Para coroar a conquista do Campeonato Baiano, uma megafesta será realizada quarta-feira, no Barradão, na última rodada do quadrangular. O clássico Ba-Vi será como uma espécie de "jogo das faixas" para o Vitória. A direção já confirmou a presença de estrelas da axé music como Tatau, Daniela Mercury e Ivete Sangalo. Quem também assistirá a volta olímpica dos jogadores é o governador do Estado, Jaques Wagner. Um outro homenageado da noite será o atacante e artilheiro do Vitória em campeonatos baianos, Índio, com 26 gols marcados no estadual. As flechadas do jogador passarão da imaginação para a realidade exatamente contra o alvo preferido do jogador: o Bahia. Haverá uma exibição de arco e flecha, além de um show pirotécnico para completar a festa. Nas arquibancadas a torcida promete responder à altura. O torcedor foi convocado para lotar o Barradão e comemorar junto com os jogadores a conquista do título estadual, o 23º na história do clube. A festa começou na tarde de ontem, em Vitória da Conquista. Antes do início da partida, os torcedores do Vitória invadiram a cidade do interior do Estado e anteciparam a comemoração nos bares e restaurantes. Dentro do Lomanto Júnior, o torcedor coloriu as arquibancadas de vermelho e preto. A viagem valeu a pena e o torcedor apoiou o time durante os 90 minutos. Depois da expectativa e aflição durante o jogo contra o Poções, os rubro-negros puderam, enfim, soltar o grito de "é campeão!" da garganta. Antes mesmo do apito final na Fonte Nova, onde o Bahia empatava em 2 a 2 com o Atlético, jogadores e torcedores eram pura emoção. O mais controlado foi o técnico Givanildo Oliveira, que esperou o resultado final do Bahia para poder comemorar. "Nós somos campeões com méritos por tudo que fizemos na competição. Campeões com merecimento. Agora sim nós podemos comemorar", disse aliviado o treinador do Vitória. No retorno a Salvador, nada de moderação. Tanto a delegação do Vitória quanto os torcedores que alugaram microônibus para assistir a partida, fizeram a festa na estrada.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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