terça-feira, maio 29, 2007

RAIO LASER

Tribuna da Bahia e equipe
Causa própria
Em Jaguarari, o prefeito Edson Almeida enfrenta um clã poderoso para se manter no cargo. Desde o ano passado, pai e filho ampliaram aliança para cassá-lo, obtendo inclusive sua destituição pela Câmara, mas tiveram que recuar em função da Justiça local. O pai é o vice-prefeito e o filho, presidente da Câmara.
Quarto e sala
A briga é tão ferrenha que a família, depois de perder a luta para a Justiça local, recorreu ao Tribunal em Salvador, que avalia amanhã se pai e filho, número um e dois, respectivamente, na linha sucessória, estão atuando em causa própria, como entenderam o juiz da Comarca de Jaguarari e o promotor local.
Alça de mira
Os diretores das empresas Comasa Construções Ltda, José Gomes, e Silveira Empreendimentos Ltda, Silvio Silveira, estão na mira da CPI da Ebal. Os dois foram intimados a prestar depoimento amanhã, às 9 horas, para esclarecer informações sobre as obras realizadas para a Organização do Auxílio Fraterno - OAF - a pedido da Ebal.
Contradição
De acordo com o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (PMDB), a decisão foi tomada depois que, na última reunião do colegiado, o diretor executivo da OAF, Marcos Paiva, contradisse diretores da Ebal, assegurando que os responsáveis por escolher e contratar as empreiteiras para as obras de reforma nas lojas da Cesta do Povo e do Projeto Nossa Sopa foram os diretores da estatal na gestão passada.
Nova onda
A onda de denuncismo que está a varrer o Brasil está colocando em xeque a comunicação digital. Assuntos, por mais primários que possam parecer, estão sendo tratados olho no olho com o interlocutor, sem risco de arapongas e coisas do tipo. Quem vai acabar ganhando com isso são os restaurantes executivos, que viram aumentar, de uma hora para outra, o número de políticos e executivos em almoços e jantares de negócios. Isso sem contar os escritórios que passaram a ser mais visitados.
Substituto
A decisão do prefeito João Henrique (PDT) de substituir Cristina Aragon já estava tomada desde o Carnaval, quando iniciou conversas com o objetivo de identificar seu sucessor na SET. Já naquele momento, o prefeito dava preferência a um oficial por entender que um militar poderia impor disciplina na Superintendência, órgão cujos fiscais têm sua atuaçã o bastante criticada pela população.
Itaparica
E a perseguição às lanchas continua. O mais novo comentário da cidade dá conta de que no processo hoje no STJ que investiga as ações do G8 há relatos em detalhes sobre os passeios que os empresários baianos dos ramos de segurança e serviços promoviam com figurões na Baía de Todos os Santos em finais de semana.
Sex and the city
Num dos passeios, que eram normalmente regados a bebidas e beldades, um dos convivas teria passado tão mal que teve que ser trazido de volta às pressas para o Yacht. Passado o susto, ganhou dos “amigos” o apelido de “Cosmopolitan”, nome da bebida modernete que consumiu em excesso na balada.
Pirataria
A criação pela Polícia Civil da Bahia do Grupo Especializado de Proteção à Propriedade Intelectual (Geppi) repercutiu fora da Bahia. A Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM), com sede em São Paulo, enviou ofício ao delegado-chefe, João Laranjeira, afirmando que a iniciativa “representará uma importante ferramenta no combate à comercialização de produtos piratas” e que trará, como conseqüência, “a diminuição desta prática nefasta de comércio, bem como a redução da criminalidade em território baiano”.
CURTAS
* Pauta - Ainda sob o som dos estrondos da Operação Navalha, a Prefeitura de Camaçari tenta manter a tranquilidade e mantém a pauta do 1º Encontrode Educadores para Inclusão Social na “arte de aprender a aprender no mundo da inclusão”, que acontece na cidade entre os dias 14, 15 e 16 de junho de 2007 na Cidade do Saber. A Conferência de abertura será ministrada por Rubem Alves (militante do PT) que falará sobre o tema “O educador e suas emoções”. * Do barulho I - Sensível aos protestos da população da capital contra o aumento da poluição sonora e à dificuldade de órgãos municipais, como a Sucom, em combatê-la, o presidente da Câmara, vereador Valdenor Cardoso (PTC), está propondo a criação de um órgão específico na prefeitura para lutar contra o problema em Salvador. . * Do barulho II - Segundo o projeto de Valdenor Cardoso, o novo órgão terá uma estrutura semelhante à da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), com viaturas e prepostos que fiscalizariam o cumprimento da Lei Municipal de número 5.354/98 - conhecida como Lei do Silêncio, a qual estabeleceu os padrões de sonoridade para a capital baiana. * Bric - Preocupado com o distanciamento do Brasil em relação à China, à Índia e à Rússia, o democrata José Carlos Aleluia reconhece que falta ambiente ao País para acompanhar o ritmo de seus concorrentes. “Temos barreiras criadas pelo governo Lula, como insegurança jurídica, aparelhamento da máquina pública e corrupção, que impedem o Brasil de crescer a taxas idênticas à de outros emergentes. É duro constatar que crescemos apenas um terço da China e menos da metade da média de outros países em desenvolvimento”, lamenta Aleluia. O democrata não vê oportunidade de o Brasil recuperar o tempo perdido. “A China investe no crescimento, no emprego. Nós investimos no paternalismo e no peleguismo”, critica. * Guerra dos pneus I - O senador César Borges (DEM) acusa o PT baiano de falta de disposição para defender o meio ambiente e a economia estaduais na guerra dos pneus que se trava no Congresso. A luta do senador é contra o projeto 216/03, do senador petista Flávio Arns (PT-PR), que libera a importação desse tipo de produto. Para César, além de provocar danos ambientais, a liberação vai afetar as indústrias nacionais de pneus, em particular a Bahia, que detém 50% do setor. * Guerra dos pneus II - Em mais um lance da guerra, ele conseguiu aprovar requerimento de audiência pública no Senado com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para debater a ação da União Européia contra o governo brasileiro junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), que exige a abertura total do mercado nacional ao lixo pneumático europeu.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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