quinta-feira, maio 10, 2007

Suplentes sonham com uma cadeira na Assembléia

Vizinhas - uma até nasceu “da costela” da outra -, Salvador e Lauro de Freitas abrem essa incursão pela política municipal baiana. Na capital, surge não mais que de repente o nome do deputado João Carlos Bacelar, representante solitário do PTN na Assembléia, mas que pode ser a opção do DEM, ex-PFL. Em Lauro de Freitas, tudo indica que é pule de dez a candidatura do deputado e ex-prefeito Roberto Muniz (PP), que lidera o bloco independente no Legislativo. O nome de Muniz brota naturalmente no meio político quando se questiona sobre deputados prefeituráveis, mas nunca de sua própria boca. Experientes deputados asseguram: “É a mais certa”. Sem querer aprofundar o assunto, o que sugere a veracidade do projeto, o deputado descon-versa: “Estamos avaliando”. Provocado sobre um choque eleitoral com a prefeita atual, Moema Gramacho (PT), alfineta: “Eleição é um desejo pessoal. Reeleição é um desejo do povo”. Entre jornalistas, circula a tese de que um macro-acordo político está em curso na Bahia, encabeçado pelo governador Jaques Wagner (PT) e pelo ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), sendo objetivo principal a chapa Wagner presidente e Geddel governador. O plano B seria a reeleição do governador e uma das vagas do Senado para o ministro. A movimentação do prefeito para o PMDB seria parte da estratégia, sacrificando o PT em Salvador. Muniz integra na Assembléia a bancada independente. Nem maioria, nem minoria, apoiando um lado ou outro a depender do assunto. E nessa condição foi incluído no imbróglio, na perspectiva de deixar o caminho livre para Moema em Lauro de Freitas, como uma compensação ao petismo, e ser agraciado no futuro. Ele reage: “Tenho ouvido falar de acordos mirabolantes, de candidaturas de gabinete e de decisões de cúpula. Mas quem manda é o povo. Acima de manobras e desejo de poder, está a avaliação que o eleitor faz dos candidatos”. Para referir-se ao eleitorado com toda essa intimidade, o parlamentar respalda-se na sua trajetória. Prefeito de Lauro de Freitas de 1997 a 2000, este é o seu segundo mandato de deputado estadual, sempre com boa votação no município. No último pleito, teve 12.300 votos num colégio de cerca de 70 mil, disputado por muitos candidatos. Quando seu grupo perdeu a prefeitura para o PT, o nome dele era tido como imbatível, mas prevaleceu a vontade do deputado federal João Leão, que impôs o nome do filho Cacá.
Bacelar aventura-se em Salvador
Vereador por quatro mandatos em Salvador, tendo sido presidente da Câmara Municipal, João Carlos Bacelar chegou ao seu primeiro mandato de deputado estadual e em pouco tempo tornou-se uma das estrelas da oposição. Seu partido, o PTN, aliou-se ao PR e ambos integram o bloco da minoria, do qual o parlamentar é um dos vice-líderes. Como os nomes fortes do DEM - os deputados federais ACM Neto e José Carlos Aleluia e mesmo o ex-governador Paulo Souto - não parecem dispostos ao risco, Bacelar pode dar-se ao luxo da aventura. O discurso é típico do livre-atirador: “Acho que há um espaço em nosso grupo e meu nome está à disposição. Conheço muito bem a cidade com meus quatro mandatos de vereador e acho que reúno as condições para ser prefeito”. Empolgado com a possibilidade, Bacelar diz que tem conversado com seus “colegas vereadores” e que também encontrou “grande receptividade” nas bancadas aliadas na Assembléia, do DEM ao PR. As linhas mestras da campanha ele define com clareza: “Salvador vem sofrendo muito nos últimos anos. A cidade perdeu em investimentos e experimentou grande queda no turismo, que é uma de suas principais fontes econômicas. A cidade não tem obras e o desemprego aqui voltou a ser o maior do Brasil. Precisamos de uma administração competente para mudar esse estado de coisas”. Bacelar elegeu-se vereador pela primeira vez em 1992. Em 2006, quando chegou a deputado estadual, conseguiu 13 mil votos na capital. (LAG)
João comunica ao PDT que se filiará ao PMDB
O prefeito João Henrique selou, ontem, definitivamente a sua saída do PDT ao comunicar o presidente estadual da legenda, em Brasília, deputado federal Severiano Alves, que enviará a sua carta de desfiliação no final deste mês. No entanto, mesmo com o ingresso do prefeito no PMDB, a bancada do PDT decidiu continuar na base de aliança que elegeu João Henrique em 2004 a prefeito de Salvador. “Tivemos uma conversa com toda a bancada estadual, deputados, vereadores, prefeitos na quinta-feira em Salvador e eles fizeram um apelo para que o partido continuasse na base aliada”, esclareceu Severiano. De acordo com o dirigente, a bancada também definiu que irá apoiar o projeto de reeleição do prefeito. “O PDT, por enquanto, não tem candidato. Portanto, decidimos continuar na base, vamos esperar o espaço que o partido terá na nova reforma administrativa municipal e, com isto, estaríamos apoiando o projeto do prefeito em se tentar a reeleição”, declarou o presidente estadual que fez questão de mais uma vez lamentar a decisão do prefeito em deixar o PDT. “Ele alegou vários motivos, entre eles a estrutura partidária e o tempo de TV, mas foi uma conversa muito boa. O PMDB pode ter mais espaço, o que poderia ajudar em seu novo projeto, mas achamos que ele deveria ficar no PDT, onde se tornou conhecido e se elegeu a prefeito”. A informação da saída do prefeito colocou por água abaixo os rumores de que João Henrique poderia continuar no PDT para tentar manter o atual secretário municipal de Transporte e Infra-estrutura, Nestor Duarte (PSDB) - atual desafeto do ministro Geddel Vieira Lima - depois da reforma administrativa. “Ao contrário (da permanência de João Henrique no partido), o prefeito esteve aqui em Brasília justamente para tratar de sua desfiliação. Ele me pediu um prazo até o final do mês porque ainda falta fazer os últimos acertos com o PMDB”, declarou Severiano.
Oposição na Câmara fecha cerco contra Luís Eugênio
No que depender da bancada oposicionista na Câmara Municipal de Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), terá muito o que explicar. A pretensão é que hoje seja votada em regime de urgência-urgentíssima, a tão adiada instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI), que visa apurar as denúncias de irregularidade no âmbito da secretaria, e em especial a morte do servidor Neylton da Silveira, morto no dia 6 de janeiro, dentro da própria instituição. Aliado a isso, os parlamentares querem ainda a votação do projeto de lei que reestrutura o Conselho Municipal de Saúde, com o objetivo principal de retirar a presidência do colegiado das mãos do secretário de Saúde, Luís Eugênio Portela. De acordo com o autor do documento, Jorge Jambeiro (PSDB), o Conselho, que tem como finalidade gerir e fiscalizar o Fundo Municipal de Saúde, não pode ser presidido pelo próprio titular da pasta. “O secretário não pode se auto-examinar, se autofis-calizar e ficar responsável pela aprovação das contas da Saúde”, explicou. Com a solicitação da preferência para esses dois projetos, segundo Jambeiro, ficará difícil não se votar a CEI. “Acredito que amanhã (hoje) a Comissão deva sair do papel, pois a grande maioria aprova a reestruturação do Conselho e não vai ter como se opor à CEI, pois ficará evidente quem é a favor ou contra”, ressaltou. São necessários 28 votos para aprová-la. Entretanto, conforme o tucano, apenas o PT e o PC do B sinalizam contra. “Eles se dizem favoráveis, mas na hora da votação não comparecem, com isso, de 41 possibilidades de votos (soma dos vereadores na Casa), cairia para 35, já que o presidente Valdenor Cardoso não vota, mas ainda assim estamos tranqüilos”, reforçou. De acordo com os cálculos de Jambeiro, existem 26 votos favoráveis garantidos e cerca de nove indecisos. “Acreditamos que de hoje não passe, pois essa é a hora de votar. Ou se vota agora ou não se vota mais”, enfatizou. Assim como ele, o peemedebista Sandoval Guimarães, autor do requerimento, se diz bastante confiante. Conforme ele, do ponto de vista da pauta de votação da Casa, há apenas alguns requerimentos e algumas indicações. “Acho que a prioridade deveria ser a do requerimento da CEI da Saúde”, assegurou. O líder da oposição Téo Senna (PTC), foi mais além. Ontem em plenário, ele questionou as declarações do secretário de Saúde à imprensa no último dia 29, em que afirmou que Salvador é a capital brasileira da fratura, custando aos cofres públicos R$ 19 milhões ao mês. Segundo Senna, como formas de pressão, ele denunciou ainda alguns nomes de clínicas, pertencentes a vereadores da Câmara. “O intuito dessas declarações, sem dúvida, é desviar a atenção no que diz respeito à morte de Neylton. Mais uma forma de pressionar os vereadores, em especial da área médica a não votar a CEI. Isso sem falar que se trata de crime de prevaricação, já que se implantou a gestão plena de saúde em março de 2006 e deve ter sido feito um estudo amplo da saúde em Salvador, contudo, os convênios e contratos foram mantidos”, destacou, ressaltando que enquanto Luís Eugênio critica o gasto de R$ 19 milhões ao mês em convênios com as clínicas ortopédicas da capital baiana, a secretaria destinou mais de R$ 10 milhões em contratos, como o de verticalização no Carnaval
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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