quinta-feira, maio 10, 2007

Raio Laser

Tribuna da Bahia e equipe
Novo prazo
De malas prontas para desembarcar no PMDB, o prefeito João Henrique (PDT) fez movimento ontem que - como já é de costume - virou o mundo político e jornalístico de ponta cabeça. Numa longa reunião de três horas com o presidente do PDT, Severiano Alves, pediu-lhe para só comunicar seu desligamento da legenda no dia 30.
“Maor” amor
Considerado o mais cordial encontro já realizado entre os dois desde o início do governo, a reunião permitiu que Alves e o prefeito falassem longamente da situação política municipal e da importância da manutenção do PDT na base de sustentação do governo, com participação ampliada, inclusive, na administração.
Mais espaço
Com relação amistosa com o prefeito desde que consentiu em não criar problemas para João Henrique com relação à sua desfiliação, o PDT considera mais próxima do que nunca a possibilidade de fazer uma secretaria municipal, nomear pelo menos mais quatro diretorias em órgãos importantes e manter as posições que já possui na Prefeitura.
Sai numa boa
No encontro que teve ontem com o presidente do PDT, Severiano Alves, João Henrique não teria explicitado com clareza o motivo da decisão de querer comunicar a desfiliação do partido só no fim do mês. Acrescentou apenas que precisa resolver algumas “pendências” até lá. Alves, com reivindicações atendidas, concordou.
Poderoso
Membro do chamado núcleo duro do governo, o secretário de Relações Institucionais, Ruy Costa, causou frisson ontem na Assembléia, onde compareceu para uma apresentação pela manhã, no Plenarinho, da proposta metodológica do “PPA Participativo”, que visa elaborar o Plano Plurianual do período 2008/2011, com base na participação dos diversos segmentos da sociedade civil. Seu colega do Planejamento, Ronald Lobato, não está com a mesma moral com a bancada governista. Ambos foram convidados pelo líder do Governo, Waldenor Pereira .
Mistério
A fonte privilegiada, o senador João Durval (PDT) voltou a confirmar ontem que não entra no PMDB nem que chova canivete. À família, disse que a ida para o partido seria sua última opção na vida política. E ainda explicou os motivos porque não tem quem o leve para o PMDB, mas a isto, disse, só daria publicidade num livro...
De quem a culpa
Profissionais da intriga trataram ontem de divulgar que a vereadora Vânia Galvão, líder do PT na Câmara Municipal, teria atribuído a João Henrique (PDT) culpa pelos transtornos vividos pelos barraqueiros de praia de Salvador. Mas ela apenas defendia o PT dos ataques do colega Celso Cotrin, que responsabilizava seu partido pelo caos.
Atrás da solução
Uma das figuras ilustres da chamada Unidade na Luta, corrente que defendeu um processo rápido e aberto para o ingresso do prefeito João Henrique no PT, Vânia Galvão disse que havia vícios de origem no projeto de reformulação da Orla ao defender seu partido. À coluna, informou, no entanto, que o fundamental agora é descobrir uma solução para tirar os barraqueiros da rua da amargura.
Demolição
A maioria da população de Salvador é contra a decisão emanada pela 13ª Vara da Justiça Federal, provocada pelo Patrimônio da União, de demolir as barracas de praia de Salvador. Enquete, que está em curso no site do vereador Virgílio Pacheco, revela que 67% dos internautas são contra a demolição das barracas. Para votar, é só acessar o site www.virgíliopacheco.com.br.
CURTAS
* Disputa - Na esfera do DEM, o dia ontem foi de intensas articulações em Brasília, onde a direção nacional do partido vai arbitrar a escolha do novo presidente da legenda na Bahia até a próxima quinta-feira. Candidato de Paulo Souto, José Carlos Aleluia não abria mão da disputa até ontem. Assim como Jorge Khoury, nome escolhido por ACM para presidir a legenda. * Sem dó nem sede - É bom que o novo presidente dos democratas baianos saia da refrega com energia suficiente para reerguer o partido no Estado. Do ponto de vista da estrutura física, por exemplo, a situação do DEM é de uma precaridade de dar dó. O partido parece que não tem nem sede, reclamou dias desses um prefeito do interior. . * Clima - Com a família descansando na Europa há cerca de duas semanas, em férias que não tirava há mais de oito anos, o ex-governador Paulo Souto (DEM) chegou a pensar em se demorar um pouco mais no outro Continente. O andamento das discussões sobre a sucessão no partido baiano acabaram que voltasse logo à Bahia, discretamente, mas voltasse. * Substitutivo - Está longe de ser consensual a discussão sobre o projeto que acaba com o nepotismo nos três níveis na Assembléia Legislativa. Ontem, estimulada por Elmar Nascimento (PR), a oposição já discutia a possibilidade de apresentar substitutivo estendendo as restrições para a contratação de parentes nos três poderes, para evitar o chamado “nepotismo cruzado”. * Convocação - Antonio Mário Bastos Dantas e Geraldo Oliveira são os ex-diretores da Empresa Baiana de Alimentos convocados para depor na CPI da Ebal hoje na Assembléia Legislativa. De acordo com o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (PMDB), as intimações foram entregues a tempo e seguem decisão dos membros do colegiado. * Stress - Nova onda de confusão na política baiana foi desfeita ontem à noite, depois de muito desgaste.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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