sábado, julho 26, 2008

Datafolha confirma pesquisa de A TARDE

Valmar Hupsel Filho, do A Tarde
Pesquisa Datafolha divulgada na edição de sexta-feira, 25, do jornal Folha de S. Paulo apresentou um cenário semelhante ao antecipado por A TARDE/Vox Populi no último domingo, 20, sobre a tendência do eleitorado soteropolitano com relação às eleições para a Prefeitura de Salvador.Com margem de erro de três pontos percentuais, a pesquisa estimulada da Datafolha aponta um empate técnico entre os candidatos ACM Neto (DEM), com 27% das intenções de voto, e Imbassahy (PSDB), que tem 25%. João Henrique Carneiro (PMDB) está em terceiro lugar, com 19%. Walter Pinheiro (PT) aparece em quarto, com 7%, seguido de Hilton Coelho (PSOL), com 1%.Foram consultados 831 eleitores da capital baiana entre a quinta e sexta-feira. A pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número 211/2008. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor é consultado sem que lhe sejam mostrados os nomes dos candidatos, a seqüência permanece, com redução natural das porcentagens. ACM Neto aparece novamente em primeiro, com 12%, seguido do ex-prefeito Imbassahy (9%) e João Henrique (7%), que tenta à reeleição.A pesquisa também apontou os índices de rejeição dos candidatos. De acordo com a consulta popular, 38% afirmaram não votar em João Henrique. ACM Neto tem a segunda maior rejeição, com 26%. Hilton Coelho aparece com 25%, seguido de Walter Pinheiro (20%) e Antônio Imbassahy, com 19%.Entre os eleitores que declararam votar no candidato democrata, 66% afirmam que estão totalmente decididos. Entre os que optaram por João Henrique, 64% dizem que não mudarão o voto. O índice é de 55% entre os que se dizem eleitores de Imbassahy. De acordo com a pesquisa, 20% dos eleitores não têm candidato, 13% votariam em branco ou nulo e 7% estão indecisos.OPINIÕES – ACM Neto comemorou o fato de iniciar a campanha na dianteira. “Isso reforça o trabalho que estamos fazendo”, disse. Ele considerou “administrável” seu índice de rejeição de 28%. “Até 30% é um patamar aceitável, mas acima disso fica difícil para o candidato chegar ao segundo turno”, disse. O candidato ressaltou que sua estratégia para se manter na dianteira é focar em grupos específicos de eleitores, como os jovens e as mulheres.O candidato tucano Antônio Imbassahy disse nesta sexta-feira que foi positiva a avaliação de sua coordenação de campanha com relação ao resultado da pesquisa. “É bastante favorável na medida em que mantemos a posição de liderança”, disse. O candidato considerou baixo o índice de rejeição (19%) em torno do seu nome e atribuiu isso ao período em que foi prefeito (2001-2004). “Nossa perspectiva é de crescimento da preferência popular”, disse.Candidato à reeleição pelo PMDB, João Henrique enviou comentário por meio de sua assessoria de imprensa, após sucessivas tentativas de A TARDE de conseguir alguma declaração. Segundo ele, a adesão do eleitor em torno de seu nome cresce a cada pesquisa divulgada, assim como a fidelidade do seu eleitor. Apesar de possuir o maior índice de rejeição entre os candidatos, ele afirmou que “de janeiro até hoje nosso índice de rejeição despenca”. O candidato peemedebista ressaltou ainda que conseguiu fazer em três anos e meio o que o carlismo não fez em várias décadas de poder.Seu desempenho frente à administração foi avaliada pela pesquisa. Para 16% dos eleitores, o prefeito realiza uma administração boa ou ótima, 46% avaliaram o seu governo como regular, e 35% afirmaram que a administração é ruim ou péssima. Entre os ouvidos pelo Datafolha, 2% não souberam avaliar a gestão.O candidato petista, Walter Pinheiro lembrou a semelhança entre os índices do A TARDE/Vox Populi e os divulgados nesta sexta-feira. “São dados bons, que revelam o interesse do eleitorado pelo candidato do mesmo partido que o governador e o presidente”, disse. Pinheiro informou que pretende intensificar a estratégia de se apresentar como o candidato do PT à prefeitura.O candidato do PSOL, Hilton Coelho, comemorou o fato de ter pontuado na pesquisa. “Isso revela o tipo de campanha que estamos fazendo, realizado debates, em contraponto com aquelas financiadas por empresários”, disse.
Fonte: A TARDE

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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