terça-feira, junho 17, 2008

Wagner assegura apoio a João no 2º turno

O governador Jaques Wagner se comprometeu ontem apoiar a reeleição do prefeito João Henrique caso ele chegue ao segundo turno. A declaração de Wagner foi feita durante a convenção do partido, na Casa de Espetáculos, na Boca do Rio, onde compareceram cerca de seis mil pessoas. “João, não precisa nem me convidar, porque assim que for proclamado o resultado do primeiro turno, o governador do Estado estará em seu palanque”, afirmou, deixando o prefeito visivelmente sensibilizado. Na possibilidade (improvável, segundo analistas políticos) de a eleição ser decidida entre João Henrique e o petista Walter Pinheiro, Wagner se posicionará com isenção. O governador usou um tom conciliador e defendeu um trabalho conjunto entre os aliados para a manutenção da unidade entre as chamadas legendas de esquerda e centro-esquerda. Wagner também convocou a militância a participar mais efetivamente do momento político e assegurou haver, hoje, um alinhamento sintonizado entre os governos federal, estadual e municipal. Tal sintonia, conclamou, deve permanecer intacta a partir de 2008, com a vitória de um dos candidatos aliados. Ainda sobre o segundo turno, o governador foi enfático: “Evidentemente, eu tenho todo carinho às candidaturas que brotam na nossa base de sustentação. A camisa do PT eu não tiro, mas sobre a camisa do PT está a camisa do governador do Estado. E como governador do Estado estou aqui com absoluta tranqüilidade dizendo ao povo da Bahia que João Henrique é um candidato também da minha base. Eu não exerço preferência e como governador, a minha obrigação e a minha vontade é a manutenção (sic). Por isso, eu faço esse apelo, que nós apontemos as nossas baterias para aqueles que nós derrotamos em 2006, que marquemos um encontro das nossas forças no segundo turno das eleições de Salvador.” E se der no segundo turno PT e PMDB? Wagner foi taxativo: “Se isso acontecer será uma demonstração de que o nosso governo e o do presidente Lula estão muito bem. E aí, provavelmente, eu terei que me manter eqüidistante como eu terei que me manter no primeiro turno. Eu sou um homem que não preciso pensar para responder, porque eu não construo versões, eu tenho convicções que é clara: aqui está uma chapa que é vinculada intimamente ao governo do Estado da Bahia como teremos aí uma outra chapa íntima ao governo estadual. Eu não tenho nenhuma cerimônia de estar aqui, estou com maior tranqüilidade, participei da primeira vitória de João e, se Deus entender assim, participarei da segunda vitória dele também”. Já o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) fez críticas à chamada frente de esquerda capitaneada pelo PT baiano. Na sua opinião, a frente não consegue se consolidar como alternativa em Salvador”, completou o ministro, que passou a elogiar, então, o prefeito João Henrique, comparando-o, em determinado momento, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dadas, segundo Geddel, as suas características de sensibilidade com relação à população. As palavras do ministro emocionaram o prefeito, que começou a chorar. Quem também apareceu na convenção do PMDB e desfez as dúvidas de que poderia marchar na sucessão municipal com seu partido, que apóia ACM Neto (DEM), foi o presidente da Câmara Municipal, vereador Valdenor Cardoso (PTC), que assumiu ser aliado do prefeito João Henrique, além do também vereador Odiosvaldo Vigas. Ambos estavam de "namoro" com a candidatura de ACM Neto, o que, no entanto, eles desmentem categoricamente. (Por Janio Lopo - Editor de Política)
“ Nove partidos vão marchar com a gente”
Tribuna da Bahia - Enfim, começa um novo desafio... João Henrique - Demos grandes avanços nos últimos três anos. Graças a Deus fomos atendidos. Acredito mesmo que Deus nos colocou na prefeitura para que pudéssemos produzir um trabalho voltado essencialmente para o público mais pobre. TB - Quantos partidos já o apóiam? JH - Eram oito, mas hoje (ontem), tivemos a adesão do PMN, o que certamente fará crescer nosso horário na tevê e no rádio para mostrarmos o que já fizemos e o que ainda faremos por Salvador. Nove partidos vão marchar com a gente. TB - A coligação foi batizada... JH - Contamos com o apoio, como dissemos, de importantes e numerosos partidos e ainda, em parte, com o governador Jaques Wagner e o presidente Lula, cujas imagens usamos hoje (ontem) em nossa convenção. Nossa coligação, portanto, é “ A Força do Brasil em Salvador” e teremos como slogan João 15 - Agora muito mais forte”. TB- Quanto às chapas proporcionais? JH - Contaremos com o apoio de cerca de 450 candidatos a vereador e, como já disse, de nove partidos. Em Brasília, por conta de nossa ampla coligação, temos também o apoio de oito ministros das diversas áreas. Portanto, nossa nova candidatura já se apresenta firme e forte.
Surpresa com a adesão do PMN
Com a convenção do PMDB em Salvador, realizada ontem, na Casa de Shows Espetáculo, na Boca do Rio, a campanha à reeleição do prefeito João Henrique ganhou importantes aliados. Durante o evento, oito partidos (PTB, PDT, PP, PRTB, PSL, PSC, PHS e PMDB) firmaram aliança com João. Um importante apoio foi confirmado pelo presidente do PMN, Antonio Massarollo, que afirmou que a legenda irá integrar-se à campanha , o que implicará na retirada da candidatura de Rogério Tadeu “Da Luz”. Com a coligação dos oito partidos, a estimativa do presidente peemedebista, Lúcio Vieira Lima, é de que, o tempo de TV do prefeito João Henrique salte para 9 minutos. Ele também prevê que, juntos, os partidos terão 450 candidatos a vereador “para trabalhar pela candidatura de João Henrique”. Um dos discursos mais aplaudidos da convenção foi o do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Esbanjando ironia, o ministro distribuiu críticas, em tom mais pesado, aos pré-candidatos Antonio Imbassahy (PSDB) e ACM Neto (DEM) e, com mais leveza, ao PT, partido que rompeu com o prefeito peemedebista João Henrique para disputar a sucessão com o pré-candidato Walter Pinheiro. Sobre Imbassahy, o ministro ironizou a promessa do tucano de se tornar o secretário da Saúde na hipótese de ser eleito, lembrando que, durante a sua administração, a então secretária, Aldely Rocha, foi acusada de irregularidades, das quais a mais falada foi o “desvio do leite”. Ao falar de ACM Neto, o ministro afirmou que “a cidade não quer andar pra trás, porque quem anda pra trás é caranguejo”. “Ele (ACM Neto) é o príncipe herdeiro de quem governou por 30 anos e nada fez”, completou, partindo para criticar também o PT. Geddel disse que respeitava o fato de o partido ter lançado candidato próprio à sucessão municipal, mas admitiu que via a iniciativa “com dificuldades”. Mais uma vez com ironia, Geddel voltou a chamar de “Fria” a Frente com que o pré-candidato petista, Walter Pinheiro, pretende liderar a disputa em Salvador.
Prefeito quer uma campanha equilibrada
O prefeito João Henrique voltou a criticar ontem os candidatos à prefeitura que têm forte ligação com emissoras de rádio e televisão, conclamando a ABI (Associação Bahiana de Imprensa) a Justiça e o Ministério Público e sobretudo a população em geral a fiscalizarem o uso da mídia pelos prefeituráveis que a têm sob controle pessoal ou familiar. Sem citar nomes, ele se referia ao deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (Democratas) cujos familiares detêm o controle da Rede Globo na Bahia, inclusive emissoras de rádio e o seu vice, o também deputado Bispo Márcio Marinho, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, controladora da Rede Record. Para João Henrique, o mais importante, porém, é o reconhecimento que seu trabalho tem tido por parte de amplos setores da sociedade, em especial os mais necessitados. “Nós estamos no mesmo propósito do presidente Lula, que é trabalhar pela maioria e a maioria é carente, pobre, necessitada. Infelizmente, no Brasil, na Bahia e em Salvador, os governos que passaram sempre trabalharam por uma elite, por uma minoria. Agora não, nós temos o presidente Lula que trabalha pela maioria e em Salvador, nesses três anos, nós optamos por também trabalhar pela maioria da população de Salvador. Graças a Deus, o governador também está nesse propósito e nós queremos mudar esse paradigma. O Poder Público tem que trabalhar para quem mais precisa dele, na educação, saúde, transporte coletivo, geração de emprego e renda, é a maioria. Portanto, nós temos que trabalhar para a maioria, é esse o divisor de águas que começou em Salvador a partir da nossa vitória em 2006”, afirmou.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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