quarta-feira, junho 18, 2008

Campanha oficial começa dia seis de julho

Temperatura alta. Esta parece ser a previsão do clima durante a campanha eleitoral para a disputa pela prefeitura de Salvador, que começa oficialmente no próximo dia 6 de julho.Os partidos, inclusive, já preparam, junto às suas agências e marqueteiros, as primeiras peças para serem levadas às ruas pelos militantes e simpatizantes, obedecendo os critérios estabelecidos pela Legislação Eleitoral, considerada por eles como extremamente rigorosa. A julgar pelas últimas declarações do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), no entanto, a campanha deve “pegar fogo”, como dizem na gíria política para definir o grau das manifestações e declarações que acontecem no seu dia-a-dia. No último domingo, durante a convenção do PMDB que homologou a chapa com o prefeito João Henrique e o vice Edvaldo Brito, Geddel voltou a criticar os seus adversários, fazendo uma espécie de “abre alas” para o seu candidato. Enquanto dias atrás o alvo preferencial do ministro foi o ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB), a quem desqualificou sobre as críticas que o mesmo vinha fazendo ao prefeito João Henrique, no último domingo a sua metralhadora mirou principalmente em ACM Neto, pré-candidato do Democratas à prefeitura de Salvador. Geddel criticou Neto principalmente por ele vir defendendo a criação da Guarda Municipal, quando, segundo o ministro, o prefeito João Henrique já trabalha nesse sentido. “Agora é ir para a rua e mostrar as incoerências e fragilidades de gente que diz que vai instalar a Guarda Municipal sem saber que João Henrique já está fazendo isso”, declarou o ministro durante a convenção peemedebista. O deputado ACM Neto, por sua vez, não tem deixado sem resposta as provocações do ministro Geddel. Segundo a assessoria do democrata, as críticas do último final de semana ele atribuiu à posição que ostenta nas pesquisas, que tem incomodado aos seus adversários. “Eu só posso imaginar que o fato das pesquisas apontarem uma liderança para que a gente possa estar incomodando a eles”, respondeu. Neto reafirmou que tem propostas novas para a cidade e que a segurança vai ser prioridade no seu governo. O pré-candidato democrata disse que vai adiantar algumas destas propostas sobre segurança já na convenção desta quinta-feira, que vai homologar o seu nome numa chapa com o bispo Márcio Marinho (PR) como vice. Por outro lado, mesmo sendo alvo de críticas e provocações por parte do ministro Geddel Vieira Lima, o ex-prefeito Antônio Imbassahy tem se mantido em silêncio e nega-se a responder qualquer coisa. “Não vou responder. Eu quero é discutir sobre a cidade, que tem acumulado muitos problemas. Não interessa à população intriga entre as pessoas”, é o máximo que tem dito. Contudo, mesmo que não responda às provocações ou críticas do ministro Geddel, que tenta tirar de linha, Imbassahy sempre que pode questiona a administração do prefeito João Henrique, acusando-a de “sem planejamento”, principalmente. (Por Evandro Matos)
Prefeito João Henrique mira na comunicação
Enquanto o ministro Geddel tem mirado o seu foco nos principais adversários de João Henrique na corrida pelo Palácio Thomé de Souza, o prefeito tem feito críticas indiretas a alguns veículos de comunicação, mas tem deixado claro que mira principalmente na mídia controlada pelos familiares do deputado ACM Neto.Ontem João Henrique fez novas insinuações contra a afiliada da Rede Globo para justificar a sua preocupação. “Muitos veículos de comunicação têm dado apoio declarado a outros prefeituráveis. E isto é um absurdo, porque os meios devem ser o mais imparcial quanto possível. Por isso, estou recorrendo ao TRE, Ministério Público e das Comunicações”, disse, insinuando que a Rede Bahia estaria atuando contra a sua administração para favorecer ao pré-candidato ACM Neto, seu concorrente ao Palácio Thomé de Souza. Mas o rosário de críticas que já se delineia no processo eleitoral de Salvador não pára por aí. No pacote de críticas desferidas pelo ministro Geddel Vieira Lima tem sobrado também para o PT do governador Jaques Wagner. Durante a convenção do PMDB, realizada no último domingo, por exemplo, o partido foi alvo de algumas críticas por parte do ministro assim que o governador Jaques Wagner deixou o local da convenção. É com este clima de provocações, num período em que as convenções na sua maioria, ainda nem foram realizadas, que se projeta a campanha eleitoral que vai definir o próximo prefeito de Salvador. É um sinal forte de que, quando a campanha começar para valer, a temperatura deverá subir mais ainda. E no meio de um fogo cruzado que deverá emergir estarão envolvidos, certamente, personagens e partidos que poderão se enfrentar num quase certo segundo turno, ou lá estarão num mesmo palanque na luta pelo mesmo objetivo. Como em política às vezes o “vale tudo” está na ordem do dia, resta saber como se arrancar as arestas plantadas no caminho. (Por Evandro Matos)
Deputado destaca atuação de Wagner
O deputado federal Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), destacou, no plenário da Câmara dos Deputados, o resultado das metas fiscais do primeiro quadrimestre do governo do Estado da Bahia. O parlamentar destacou que, “no momento em que os parlamentares discutem os assuntos de seus estados, em meio a tantos problemas, a Bahia apresenta notícias boas”. Ele informou aos deputados que o governo do Estado, sob a liderança do governador Jaques Wagner, conseguiu reduzir dívidas e cumprir as metas fiscais do primeiro quadrimestre, quando foi registrado superávit orçamentário de mais de 775 milhões de reais. “Além disso” - disse Carneiro - , “houve ampliação das despesas com saúde e educação, na comparação com o mesmo período do ano anterior de, respectivamente, 19,78% e 16,5%. Esses e outros números demonstram que o Estado cumpriu no último quadrimestre todas as metas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal”. Na avaliação do deputado, o governador Jaques Wagner pôde aumentar os investimentos em áreas prioritárias para a população e contribuir para o avanço da economia do Estado com ações de combate à sonegação e com a presença mais ativa de equipes de fiscalização. “Na verdade, depois de trabalhar o primeiro ano da sua gestão com um orçamento que não havia sido feito por ele, o governador Jaques Wagner começa a imprimir as suas marcas à frente do governo do Estado da Bahia. Assim, em que pese uma ligeira preferência pelo nome da ministra Dilma Rousseff, não se pode aqui descartar que, depois de quatro anos de governo, o nome do governador Jaques Wagner possa e deva ser apreciado pelo Partido dos Trabalhadores como uma hipótese à sucessão do presidente Lula”, discursou o deputado Sérgio Barradas Carneiro.
Robespierre sai candidato pelo Democratas
Militante e ex-dirigente do diretório municipal do PFL, o ex-vereador Antonio Robespierre, revelou ontem, que vai disputar uma cadeira na Câmara Municipal de Salvador nas eleições de outubro, pelo DEM, que já marcou a data do dia 19 próximo para sua convenção municipal, que homologará ACM Neto como o candidato a prefeito do partido. No seu primeiro mandato, entre 1988 e 1992, Robespierre, eleito pelo PFL, ocupou vários cargos como sub-relator da constituinte Municipal; foi presidente da Comissão de Terras e Planejamento Urbano; integrou o Conselho de Desenvolvimento Urbano-Condurb; foi membro da Comissão de Meio Ambiente e liderou a bancada de oposição Por ter se destacado, em vez de concorrer à reeleição em 1992, foi indicado, pelo então governador Antonio Carlos Magalhães para compor a chapa majoritária, na condição de vice do candidato a prefeito Manoel Castro, Robespierre, que é engenheiro civil, também teve atuação técnica com passagens pelas diretorias da Urbis e da Embasa, assumiu cargos de direção também na Caixa Econômica Federal e por último foi subsecretário de Planejamento da prefeitura de Salvador. Filiado do ex-PFL, atual DEM, desde 1987 é um político que pratica a fidelidade partidária, pois durante os últimos 21 anos nunca mudou de partido, permanecendo ligado ao PFL todo esse tempo. Segundo Robespierre, “ele é um dos mais antigos filiados do PFL/DEM de Salvador e sempre atuou sob a liderança de ACM, nos bons e nos maus momentos do grupo”, como faz questão de registrar. Agora, trabalha em sintonia com o pré-candidato a prefeito ACM Neto, em reconhecimento à sua fidelidade e aos serviços prestados a Salvador.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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