segunda-feira, junho 30, 2008

“Davi” e “Golias” se enfrentam na sucessão

Um candidato da oposição assume para si a incumbência de derrotar um ministro, um governador, o próprio prefeito e um ex-prefeito. É o maior desafio da trajetória política do deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto. Caso eleito para comandar a cidade nos próximos quatro anos, ACM Neto será o novo fenômeno na política contemporânea da capital. É a luta de Davi contra Golias. Neto, tal qual o rei de Israel, vai precisar de dezenas, centenas de fundas e um balde imenso de pedras para nocautear o filisteu gigante de quase três metros de altura. Na hipótese de sua “arma” abater, em outubro próximo, Geddel Vieira Lima, Jaques Wagner, João Henrique e Antonio Imbassahy, terá ACM Neto, tal qual fez Davi após degolar Golias, as cabeças dos adversários para exibir em praça pública. Ele não vai mais precisar ameaçar levantar da cadeira da Câmara para dar uns tapas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A hipotética vitória de Neto em Salvador valerá por mil sovas em Lula, sem que o deputado baiano tenha a necessidade de encostar um dedo sequer no presidente. O governador tem batido na mesma tecla: há um inimigo comum. Chama-se ACM Neto. A união de todos, em tese, vai contribuir para escurraçar eleitoralmente o democrata. Wagner falou em unidade, mas os aliados se dispersaram e cada qual tratará de brigar pelo seu quinhão nas urnas. Davi - perdão, Neto - é o único adversário de peso a encarar Golias, aqui representado pelos chamados partidos de esquerda e centro-esquerda. (Por Janio Lopo - Editor de Política).
Governador queria candidatura única em Salvador
O projeto original do governador pifou. Seria o apoio integral, já no primeiro turno, à reeleição de João Henrique. Mas os que estavam com o prefeito debandaram em busca do mesmo tesouro. Wagner pode ter perdido os passos, mas mantém a dança. Equilibra-se que só ele mesmo. Na convenção do PMDB, no último dia 15, confessou possuir duas candidaturas a prefeito de Salvador. Estimulou mais uma vez João Henrique, satisfez o ego do ministro Geddel e deixou atônitos os outros componentes da base, que querem o status de aliados e não de simples agregados ao Palácio de Ondina. O tucanto baiano engoliu a seco. Mas Wagner deixou claro que o candidato do seu coração é o petista Walter Pinheiro, por razões óbvias, mas que seguirá firme com João Henrique caso esteja ele no segundo turno. Na convenção do PT deste final de semana, o governador rasgou a seda em direção a Pinheiro e dos seus companheiros de chapa, o PSB, que tem Lídice da Mata como vice na chapa majoritária, além de afagar com mil carinhos a vereadora Olívia Santana, do PC do B, e dos petistas que, assim como Olívia, retiraram em debandada para não prejudicar a candidatura de Pinheiro. Wagner foi o cabeça pensante de toda a engrenagem política que impediu uma divisão ainda maior das forças políticas que ele queria ver curtindo um love story antes, durante e após a proclamação dos resultados das urnas. Também no final de semana, o marido de Fátima Mendonça, após um mistério de dias, compareceu à convenção do PSDB, dando sinais evidentes de que Imbassahy também é gente boa - melhor dizendo, gente sua. O apoiará num eventual segundo turno. Mas quem vai para o segundo turno? O PMDB garante que será Henrique, o PT e seus penduricalhos apostam em Pinheiro, o Democratas e seus sete nanicos (ou seis?) dizem que Neto já está lá e os tucanos já encomendaram asas e bico novos para Imbassahy. As últimas pesquisas dizem que o meio de campo está embolado. Mas o “ príncipe herdeiro”, como se refere Geddel a Neto, tem aparecido nas primeiras colocações. Junto com João Henrique e Imbassahy. (Por Janio Lopo - Editor de Política).
Frente de Esquerda oficializa chapa Pinheiro/Lídice
No último sábado a Frente de Esquerda formada por PT-PSB-PCdoB-PV oficializou o nome do deputado federal Walter Pinheiro para disputar a prefeitura de Salvador. O governador Jaques Wagner, que marcou presença durante o evento realizado no Centro de Convenções, falou à imprensa logo na sua chegada e demonstrou satisfação pela unidade dos partidos de esquerda. Ressaltando a unidade, Wagner agradeceu aos deputados Nelson Pelegrino, J. Carlos e ao secretário estadual Luiz Alberto, ex-prefeituráveis, além de mencionar os nomes de Olívia Santana (PCdoB) e Lídice da Mata (PSB) que também fizeram parte neste processo de unidade. Sobre polêmico em comparecer ou não na convenção do PSDB, o que acabou acontecendo, o governador deixou claro para os presentes que existem três candidatos da sua base de apoio na disputa pela prefeitura de Salvador, que são o deputado Walter Pinheiro (PT), o ex-prefeito Antônio Imbassahy (PSDB) e o prefeito João Henrique (PMDB). Porém, o governador não deixou dúvidas sobre a sua preferência. “No silêncio da urna, se votasse em Salvador, meu voto seria Pinheiro e Lídice”, declarou. Contudo, o governador advertiu aos militantes petistas e dos outros partidos aliados sobre o seu papel neste processo eleitoral. “Não confundam minha paixão com minha racionalidade política. Não confundam minha história com minha racionalidade política. Sei de onde eu vim e para onde eu volto”, disse. Mesmo sendo ponderado nas suas colocações, Wagner foi bastante aplaudido durante alguns trechos do seu discurso. O candidato do PT, deputado federal Walter Pinheiro, fez um longo discurso no durante o encerramento da convenção que homologou a chapa com o seu nome e da deputada Lídice da Mata na disputa pela prefeitura de Salvador. Além de convocar a militância para a luta, o candidato petista mostrou-se otimista para a vitória, passando a receita sobre como deverão se comportar durante a campanha. “Vamos sair de rua em rua, de bairro em bairro para mostrar as nossas propostas”, disse. Pinheiro adiantou também algumas propostas que irá defender durante a campanha, e voltou a afirmar a sua vinculação com o governo do presidente Lula. Sob esta questão, a estratégia do petista é demarcar os espaços entre ele e os outros candidatos, na tentativa de ser o grande beneficiário da popularidade que o presidente ostenta na capital baiana. Aliás, sobre esta polêmica Pinheiro incluiu também o governador Jaques Wagner, por isso ele vem afirmando que “o governador vai subir no nosso palanque porque ele é do PT” O clima de euforia dominou o ambiente da convenção realizada neste final de semana, por isso a deputada federal Lídice da Mata (PSB), vice da chapa, mostrou-se confiante. “A força da convenção mostrou que a nossa chapa tem capacidade de vitória. E o tamanho da convenção dará o impulso à campanha”, disse a socialista. (Por Evandro Matos).
PSB, enfim, encontra a paz
Quem esperava uma convenção do PSB tumultuada, ficou frustrado. A pomba branca, símbolo da bandeira socialista prevaleceu o partido, realizou uma das mais animadas convenções dos últimos anos em Salvador, durante a manhã de sábado no Centro Cultural da Câmara de Vereadores. O clima de tranqüilidade, com direito a charangas organizadas pelos candidatos à vereador e discursos conciliadores, todos enaltecendo o crescimento e a unidade do partido, não deixaram dúvida de que a unidade voltou a reinar entre os socialistas. Nas eleições deste ano o PSB lançou, pela primeira vez, 54 candidatos a vereador, sendo que desses, três concorrem à reeleição; Celso Cotrim, Lau e Palinha. A convenção contou com as presenças das principais lideranças do partido, entre elas a deputada federal Lidice da Mata, presidente da Executiva Estadual o presidente da Infraero, Sergio Gaudenzi, o deputado estadual capitão Tadeu, o Secretário de Turismo Domingos Leonelli, ex-vereador Itaberaba Lyra, e integrantes da Executiva Municipal. Após a convenção os militantes do PSB se deslocaram para o Centro de Convenções onde presenciaram a homologação da chapa,PT/PSB, para a sucessão municipal.
Fonte: Tribuna da Bahia

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas