terça-feira, junho 24, 2008

Pelegrino: Pinheiro e Neto disputarão 2º turno

O deputado federal Nelson Pelegrino (PT-BA), que esteve em Camaçari neste São João para ver dois shows no Camaforró - o de Elba Ramalho, , e o do Calypso, no domingo -, acredita que o segundo turno da eleição para prefeito em Salvador será disputado pelos candidatos Walter Pinheiro (PT), pela Frente de Esquerda, e ACM Neto como representante das forças conservadoras. Na análise do deputado, se a Frente de Esquerda conseguir entre 25% a 28% da preferência do eleitorado no primeiro turno, passará tranquilamente para o segundo turno. Ele está otimista e leva a maior fé em uma arrancada de Pinheiro a partir do início do programa eleitoral gratuito. “O nosso candidato tem conteúdo, credibilidade e propostas, portanto é o que possui mais potencial de crescer na campanha”. Nelson Pelegrino recorre à objetividade dos números para respaldar as suas previsões. Ele lembra que na eleição de 2004 teve 22% da votação em uma coligação com PV e PCdoB, enquanto Lídice da Mata (PSB) ficou com 10% dos votos válidos. Como este ano a aliança ampliou com a inclusão do PSB, inclusive com Lídice como candidata a vice, as possibilidades são de a Frente de Esquerda passar dos 30%, garantindo assim presença no segundo turno em Salvador. No entendimento do deputado, como nenhuma força revela, pelo menos no momento atual, capacidade de vencer a eleição no primeiro turno, a tendência é a polarização da disputa com a oposição, e hoje, indiscutivelmente, quem encarna o perfil oposicionista é o DEM. Por isso, prevê um segundo turno entre Pinheiro e Neto, “com a vitória de Pinheiro, é óbvio”.
Ministro Geddel apresenta projeto hídrico na Expo Zaragoza 2008
O ministro da Integração Nacional do Brasil, Geddel Vieira Lima, participará da Expo Zaragoza 2008 no dia 25 de junho. O ministro brasileiro fará a palestra Projeto São Francisco: Revitalização e Integração de Bacias para o Desenvolvimento Sustentável do Semi-árido do Brasil. O objetivo desta ação é levar água às regiões mais secas, beneficiando 12 milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que promove a revitalização do rio. Este é o maior projeto de infra-estrutura hídrica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos para as obras do Projeto de Integração do rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (Projeto São Francisco) e as do Programa de Revitalização do rio São Francisco foram garantidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal brasileiro e tem investimentos da ordem R$ 6,3 bilhões, para o período de 2007 e 2010. O PAC reúne diferentes programas de governo que têm como objetivo melhorar a infra-estrutura do país, proporcionando desenvolvimento econômico e social. O Projeto São Francisco é composto por dois canais, os eixos Norte e Leste, que levarão água para os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Ceará, na região semi-árido do Nordeste brasileiro. São 622 quilômetros de canais, com reservatórios, aquedutos, túneis, estações de bombeamento e pequenas estações hidroelétricas. O principal objetivo é a garantia hídrica para a população estimada de 12 milhões de pessoas que residem na região do Nordeste Setentrional. Além da dessedentação humana e animal, o Projeto São Francisco permitirá múltiplos usos da água transposta quando houver excedente. As ações do Programa de Revitalização do São Francisco consistem em obras de saneamento básico, recomposição de matas ciliares, tratamento de resíduos sólidos, controle dos processos erosivos, melhoria da navegabilidade e manejo integrado de microbacias com a participação de comunidades tradicionais, pescadores artesanais, agricultores e assentados da reforma agrária. A bacia hidrográfica do rio São Francisco é genuinamente brasileira, ocupando uma área de 636.920 km², divididos entre os Estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Goiás e Distrito Federal, englobando 503 municípios, com mais de 13 milhões de habitantes. Os visitantes da Expo Zaragoza 2008 podem conhecer um pouco mais das bacias hidrógraficas brasileiras visitando o estande do país no pavilhão da América Latina, Sobre chuvas, Florestas Tropicais e Florestas de Clima Temperado.
Aleluia critica militares e governo de Lula
“É lamentável que as lideranças militares tenham se dobrado às determinações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de submeter o Exército Brasileiro à politicagem que molda as ações do governo petista. Lula já havia loteado instituições como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Petrobras, e, agora, usa o Exército para atender o bispo Crivella (PRB), candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, num projeto eleitoreiro e que põe em risco a credibilidade das Forças Armadas”, criticou neste domingo o vice-presidente do Democratas, deputado José Carlos Aleluia (BA). Para o líder, é insustentável a tese de alguns comandantes militares de que o Exército está envolvido num projeto social no morro da Providência. Aleluia está ao lado do presidente do Clube Militar, general Gilberto Barbosa de Figueiredo, para quem as Forças Armadas foram expostas de forma irresponsável pelo governo Lula, e do Comando Militar do Leste, que emitiu um parecer contrário à presença do Exército no morro do Providência. "O Exército Brasileiro sempre se portou com altivez, tem a admiração e o respeitos do povo e não pode ser subserviente a um governo que se destaca notoriamente pela inexistência de ética nos seus atos e gestos, como nessa esdrúxula decisão de pôr as Forças Armadas a soldo de um candidato da base governista”, disse Aleluia. Ele observou que até agora as autoridades têm se preocupado unicamente em punir os militares que entregaram os três jovens executados a traficantes, enquanto estes continuam atuando livremente nos morros do Rio de Janeiro e em todo o Brasil. A posição do governo Lula é a mesma ostentada em outros escândalos. Recentemente, quando o gabinete da ministra Dilma Rousseff produziu um dossiê para chantagear a oposição, o Palácio do Planalto, com o cinismo habitual, saiu à caça de quem vazou o dossiê, em vez de buscar o autor do crime. Certamente para não comprometer a senhora Rousseff e o seu séquito”, afirmou Aleluia. Aleluia considera que a deterioração das instituições pelo governo Lula extrapola todos os limites toleráveis, quando o presidente da República dá ao Exército o mesmo tratamento dado, por exemplo, às estatais, operelhadas por Lula com, pelegos da CUT e mensaleiros.
CRA acompanha governo provisório
O Instituto do Meio Ambiente (IMA), antigo CRA, vai estar presente em Cachoeira, durante a instalação do Governo da Bahia naquele município, na quarta-feira. Três equipes do órgão ambiental vão desencadear , durante uma semana (de 25.06 a 02.07), ações voltadas para o atendimento de denúncias de crimes ambientais e outras irregularidades contra o meio ambiente, através de um serviço de ouvidoria móvel. Uma dessas equipes vai desenvolver ainda um trabalho de educação ambiental, na “Cidade Histórica”. Será a primeira vez na história que a sede do governo baiano será transferida oficialmente para um município do interior. A transferência, todos os anos nesta data, é prevista na Lei 10.695/07, aprovada pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo governador Jaques Wagner. O dia 25 de junho é o marco das lutas de Cachoeira no processo de independência da Bahia. Localizada no recôncavo baiano, a 116 quilômetros de Salvador, Cachoeira abriga, além de rico patrimônio histórico, importantes ecossistemas, a exemplo da APA Pedra do Cavalo. Técnicos dos escritórios regionais do IMA de Salinas da Margarida e de Feira de Santana estarão atendendo denúncias e processos relativos a crimes ambientais cometidos nas áreas administradas pelas duas sedes regionais (64 municípios). “Vamos realizar ações fiscalizadoras por terra e ar, através do nosso helicóptero. E, em Cachoeira, vamos atender através do nosso trailler-ouvidoria. Além disso, uma equipe de educação ambiental vai realizar uma série de atividades na cidade”, informou Pedro Ricardo Moreira, diretor de fiscalização do IMA.
Fonte: Tribuna da Bahia

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas