sexta-feira, junho 27, 2008

Ministério proíbe venda de frango congelado

O Ministério da Agricultura decidiu suspender a comercialização de frango congelado produzido pelas empresas Real Alimentos Ltda, Avivar Alimentos S.A, de Minas Gerais, e Rigor Alimentos Ltda, de São Paulo. A proibição, que vale a partir de hoje, foi uma resposta do governo à denúncia do Procon do Espírito Santo, que acusa os abatedouros de colocar no mercado capixaba frango congelado com excesso de água na carcaça. Os três abatedouros serão submetidos ao regime especial de fiscalização pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério. Além de estarem proibidos de escoar a produção, os abatedouros terão que revisar e apresentar ao Dipoa os programas de prevenção e controle de adição de água aos produtos. As empresas terão, ainda, que informar a possível causa de descontrole que resultou no excesso de água na carcaça do frango. O ministério realizará análise pericial visual em amostras de diferentes lotes em estoque, a fim de verificar se há indícios de fraude para serem adotadas as ações legais cabíveis. Serão apuradas também as responsabilidades dos servidores do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que atuam nas empresas, para verificar se houve omissão ou conivência dos fiscais. As informações constam em nota distribuída pela assessoria de imprensa da pasta.
Procon sairá à caça das fraudes
Enquanto isso na Bahia o Procon, segundo a diretora do órgão, Bárbara Santos Lima, disse que que irá intensificar a fiscalização da venda do produto. “Nós já estamos agendando pra semana que vem, a fiscalização em alguns estabelecimentos pra verificar se realmente estão sendo comercializados no estado da Bahia, produtos que foram inspecionados pelo Ministério da Agricultura e que apresentaram este percentual a mais de água permitido pela legislação. Não temos nenhum registro de queixa formalizada com relação à fabricação de frango, mas é preciso que o consumidor, se verificar algum tipo de irregularidade, apresentar esse problema ao Procon e, certamente, será empreendida uma ação necessária para solucioná-lo”, garantiu. “Como em muitas situações de relação de consumo, ocorre realmente do empresário usar de artifícios lesivos danosos ao consumidor, pra aumentar sua margem de lucro. O Procon, como órgão que fiscaliza o cumprimento das normas de defesa do consumidor existe, tendo por atribuição legal exatamente inibir o empresário que não quer agir de forma correta”, completou a superintendente do órgão, Cristiana Santos, que vai mais adiante: “ O Procon trabalha com diversas possibilidades de sanções administrativas, uma delas é apreensão de produtos, aplicação de multas e até fechamento do estabelecimento comercial que tiver reincidência ”. Cristiana Santos afirmou que “nós não temos notícia de frango, fabricado na Bahia, com um quantitativo de água grande”. Dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça, em cima de exames feitos pelo Ministério da Agricultura, foram encaminhados à superintendente do Procon na Bahia e comprovam fraude por adição de água em carcaças congeladas in natura. “São frangos do Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo. Nenhum deles são de frangos fabricados na Bahia. O importante é que o consumidor verifique a marca e a procedência do frango”, disse. Ela também observou que “Nós percebemos que, muitas vezes, os mercados para reduzir o custo operacional, desligam o freezer 9, 10 horas da noite e ligam mais cedo. É importante que a dona-de-casa, ao ir comprar o frango, apalpe e verifique se ele está mole, se o sangue está em volto da embalagem e se tem sinais de descongelamento durante a noite”, sugeriu. O consumidor que se sentir lesado na compra de frango, peixe, ou qualquer outro produto, pode ligar para a fiscalização do Procon – fone 3116.8514/ 8526 – fazer a denuncia on line – procon.denúncia@sjcdh.ba.gov.br – ou simplesmente encaminhar uma queixa formal a um dos quatro postos de atendimento do órgão assim distribuídos: Rua Carlos Gomes, Instituto do Cacau (Comércio) e nos Sacs dos shoppings Iguatemi e Barra. (Por Nelson Rocha)
Novo biofármaco revolucionará tratamento de fraturas
Uma pesquisa inédita do Núcleo de Terapia Celular e Molecular (NUCEL), da Universidade de São Paulo, possibilitará a produção de um remédio que revolucionará o tratamento de fraturas ósseas. Este biofármaco brasileiro é produzido a partir de células de mamíferos. Trata-se da proteína BMP recombinante, que estimula a formação óssea e pode ser utilizada em reparos ósseos tanto em ortopedia como em odontologia. Milhões de pessoas com fraturas e traumas ósseos, decorrentes de osteoporose ou de problemas dentários serão beneficiadas com o biofármaco, que poderá chegar ao mercado brasileiro em cerca de dois a três anos. Nos Estados Unidos, estima-se que ocorram cerca 2,6 milhões de fraturas em pacientes com mais de 65 anos. Os gastos com esses pacientes somaram US$ 19 bilhões somente no ano 2000, incluindo internação, encaminhamento de emergência e tratamento. Um estudo com 25 casos de fratura óssea persistente (que não se une), publicado em 2007 nos EUA, mostrou que o custo final de pacientes tratados com BMPs é duas vezes menor e o tempo de internação é 3,5 vezes menor. O biofármaco será elaborado a partir das proteínas formadoras de osso (BMP2 e BMP7), utilizando-se células de ovário de hamster. O desenvolvimento deste biofármaco é fruto do projeto de pesquisa — tese de doutorado do pesquisador Juan Carlos Bustos Valenzuela —, que contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (CAPES), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP. As proteínas sintéticas (rhBMP2 e rhBMP7) são produzidas por cinco empresas nos Estados Unidos e na Europa.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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