domingo, junho 29, 2008

Tudo pronto para a batalha eleitoral

PT e PSDB referendaram ontem coligações e nomes de seus candidatos à prefeitura de Salvador


Convenções realizadas ontem oficializaram as chapas lideradas pelo deputado Walter Pinheiro (PT) e pelo ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB) para a disputa pela prefeitura de Salvador. Pinheiro tem a ex-prefeita e deputada Lídice da Mata (PSB) como vice e o apoio do PV e do PCdoB, também definidos em convenções. Imbassahy consolidou a chapa tucana com a participação do PPS, representado pelo ex-vereador Miguel Kertzman como candidato a vice-prefeito.
No último dia 19, o Democratas também tornou oficial a candidatura do deputado Antonio Carlos Magalhães Neto ao Palácio Thomé de Souza, em chapa que tem o bispo Márcio Marinho (PR). Integram essa coligação o PRB, PTC, PTN, PRP, PTdoB e PSDC. ACM Neto obteve, ainda, o apoio do radialista Raimundo Varela (PRB), que retirou a candidatura para apoiá-lo.
O PMDB realizou, no dia 15 de junho, a sua convenção e confirmou a candidatura à reeleição do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB). O vice na chapa é o tributarista e ex-prefeito Edvaldo Brito (PTB). Com isso, os grandes partidos estão com tudo pronto para a batalha eleitoral, que começa no dia 6 de julho.
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Chapa liderada pelo PT reúne Pinheiro e Lídice
Flávio Novaes
A tentativa de vincular o nome do candidato a prefeito Walter Pinheiro (PT), de forma exclusiva e legítima, às imagens do presidente Lula e do governador Jaques Wagner marcou os discursos na convenção que homologou a chapa da coligação Salvador, Bahia, Brasil, ontem, no Centro de Convenções. PT, PSB, PCdoB e PV formalizaram os nomes do deputado federal e da ex-prefeita e deputada federal Lídice da Mata para concorrer às cadeiras de prefeito e vice. Na coligação proporcional, foram lançados 164 candidatos a vereador.
O atraso de quase três horas para o início do evento sinalizou o tom da campanha que será iniciada oficialmente na próxima semana. O diretório do Partido dos Trabalhadores aguardava a estrela da legenda na Bahia, o governador Jaques Wagner, que estava no hotel Fiesta. Lá, o PSDB realizou sua convenção para homologar o nome do ex-prefeito Antonio Imbassahy para o pleito de outubro. Wagner também compareceu à convenção do PMDB, no último dia 15, quando também declarou apoio ao prefeito João Henrique, candidato à reeleição. “Sou do PT, mas apoio aos partidos da base aliada”, reafirmou Wagner ao responder aos repórteres sobre qual é o seu candidato.
Já Pinheiro afirmou que “Wagner é do PT e apóia o nome do partido”. O candidato disse também que “apenas o PT pode usar a imagem do presidente Lula”. Antes de seguir para o palanque, respondeu sobre a demora nas definições internas do partido e na escolha do nome para o cargo de vice-prefeito. “Não há atraso, estamos no tempo certo, na próxima semana é que tudo vai começar oficialmente”, afirmou.
Aproximadamente três mil pessoas participaram da convenção com bandeiras, faixas e cantando palavras de ordem, característica da militância petista. Nomes importantes da legenda, como o ex-ministro e ex-governador Waldir Pires, deputados federais e estaduais, além de secretários de estado e vereadores, também marcaram presença.
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PSDB e PPS confirmam Imbassahy e Kertzman
Osvaldo Lyra
O governador Jaques Wagner (PT) fez ontem o dever (republicano) de casa e marcou presença na convenção municipal do PSDB, que homologou a candidatura de Antonio Imbassahy e Miguel Kertzman (PPS) à prefeitura de Salvador. Apesar do suspense, se iria ou não aparecer na festa da sigla, o governador chegou ao Fiesta Bahia Hotel para a alegria dos tucanos.
Ao discursar ao lado do presidente da Assembléia, deputado Marcelo Nilo, Wagner confirmou apoio irrestrito à campanha de Imbassahy e disse que a presença dele era uma forma de “reciprocidade” e “honradez”, já que o PT e o PSDB estiveram juntos em 1994 e em 2006. “Estou aqui com absoluta tranqüilidade, pois caminhamos juntos e nos manteremos unidos”. Wagner fez questão de lembrar a importância do PPS e do PSDB nas últimas eleições estaduais. Na época, o partido de Kertzman apoiou abertamente a candidatura petista ao governo. Já os tucanos, por questões nacionais, também apoiaram, mas informalmente.
Por duas vezes, o governador admitiu que a camisa que vestia por baixo dos ternos era a de militante do PT, mas que, como chefe do executivo estadual, de forma republicana, deve apoiar Imbassahy (PSDB), João Henrique (PMDB) e Walter Pinheiro (PT).O candidato do PSDB, Antonio Imbassahy, seguiu a mesma estratégia colocada em prática pelo prefeito João Henrique e partiu para o ataque aos adversários. Disse que o atual prefeito não tem controle sobre as contas públicas.
O tucano disse que vai apresentar uma plataforma técnica que mostre a solução para os problemas que atingem diretamente a sociedade. Entre elas, citou a ampliação das unidades de saúde 24 horas, melhorias no sistema viário e a implantação de um programa para reduzir os indicadores da mortalidade infantil e materna entre a população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Candidaturas podem ser lançadas até amanhã
Acaba amanhã o prazo para lançamento de candidaturas e o anúncio de coligações para as eleições municipais. Termina, então, o período para partidos políticos realizarem suas convenções e lançarem opções para prefeito, vice-prefeito e vereador, de acordo com o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com o fim desse prazo, será o momento de protocolar o registro dos candidatos no cartório eleitoral. É possível registrar candidaturas até 5 de julho.
A campanha eleitoral começa no dia seguinte, 6 de julho, quando os candidatos ficam autorizados pela Justiça Eleitoral a buscar votos. Poderão fazer comício, caminhada, carreata e usar carro de som. Mas não podem sujar a cidade, nem prejudicar a estética urbana, estabelece a resolução (22,718) do Tribunal Superior Eleitoral. Reunidos na última quinta-feira, ministros do TSE decidiram anular as restrições que impediriam a apresentação de propostas de candidatos em entrevistas, debates e encontros, antes do dia 6.
Com essa novidade, poderão ser divulgadas as plataformas e projetos políticos dos candidatos, sem que isso seja caracterizado como propaganda eleitoral. Os abusos e excessos serão apurados e punidos pela legislação vigente (artigo 22, da Lei Complementar 64/90 e artigo 96, da Lei 9.504/97), ressalva que visa garantir isonomia no tratamento dados aos candidatos pelos meios de comunicação.
Em Salvador, os candidatos ao Palácio Thomé de Souza começaram a agendar entrevistas para apresentação de seus programas de governo. O prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), que disputa a reeleição, os candidatos Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM); Walter Pinheiro (PT) e Antonio Imbassahy (PSDB) estarão em estúdios de várias emissoras de rádio e TV a partir de amanhã.
Fonte: Correio da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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