sexta-feira, junho 27, 2008

Olívia deixa candidatura com críticas ao PT

Apesar de abrir mão da pré-candidatura à prefeitura de Salvador para apoiar a frente de esquerda, liderada pelo deputado federal Walter Pinheiro, a vereadora Olívia Santana fez duras críticas ao modelo petista de “apenas receber apoio e nunca apoiar”. Após ter participado do evento que apresentou oficialmente a frente de esquerda, ontem à tarde, na sede do PCdoB, nos Barris, Olívia ressaltou que a decisão de adiar mais uma vez o projeto de governar Salvador foi muito difícil e que a necessidade de levar a chapa de esquerda ao segundo turno foi o que pesou mais. A vereadora, que é candidata à reeleição, afirmou que os comunistas não desistirão dos projetos que têm para Salvador e lamentou a retirada da sua candidatura. “Adiamos nosso projeto em prol da candidatura de Walter Pinheiro, que é a que está mais próxima do objetivo de chegar ao segundo turno”, disse, ressaltando que o apelo do governados Jaques Wagner, que estava preocupado com a pulverização de candidaturas de partidos da sua base aliada, pesou também na decisão de retirar a pré-candidatura. “Estamos confiando na palavra do governador, que garantiu que não fechou nenhum acordo para 2010 e que não concorda em antecipar tanto as alianças. Tiramos muitas lições desse episódio e nós do PCdoB temos a certeza de que não é mais possível insistir nesse modelo onde o PT só recebe apoio e não consegue apoiar. É preciso ter reciprocidade para que as alianças sejam positivas para o conjunto das forças políticas de esquerda”, desabafou, ressaltando que a sua candidatura era importante por ser a única representante mulher e afrodescendente na disputa. Em clima de otimismo o deputado Walter Pinheiro, candidato da frente à prefeitura de Salvador, declarou que a formalização da frente, que foi apresentada oficialmente ontem, representa também a formalização da campanha. “Com o apoio do PCdoB a frente fica mais robusta e entra de verdade na disputa. Vamos preparar o material de campanha e juntar as propostas porque agora é hora de organização e ação”, comemorou. Pinheiro também falou sobre o resultado da última pesquisa para a prefeitura de Salvador. “Eu sou candidato a apenas um mês e apenas agora formalizamos as alianças e consolidamos a chapa. Tem candidato que está na disputa desde o ano passado. Tenho certeza que daqui para frente o cenário vai mudar. Até porque, a pesquisa revela que 32% do eleitorado ainda não se definiu e continua a espera de alternativa positiva para a cidade”, ressaltou. O deputado não comentou as declarações da vereadora Olívia Santana. (Por Carolina Parada).
Marcelo Nilo está “convencido” da ida de Jaques Wagner à convenção do PSDB
O PSDB realiza amanhã, no Hotel Fiesta, a convenção que indicará Antonio Imbassahy candidato do partido à prefeitura de Salvador, tendo Miguel Kertzman, do PPS, como vice - e por enquanto a grande dúvida é se o governador Jaques Wagner comparecerá ao evento. Presidente da Assembléia Legislativa, o tucano Marcelo Nilo disse ontem à Tribuna que fez o convite a Wagner e está “convencido” de que ele participará. A lógica sugere que Wagner irá à convenção, pois, a despeito da conjuntura nacional, que os põe em campos opostos, na Bahia sempre foi aliado dos tucanos, que participaram ativamente da sua campanha. Ele chegou, meses atrás, a incluir Imbassahy entre os candidatos da sua “base”, embora, na recente convenção do PMDB que sagrou o nome do prefeito João Henrique à reeleição, tenha citado apenas o próprio João e o petista Walter Pinheiro como integrantes de seu arco de apoio. Imbassahy vale-se de entrevista mais recente ainda do governador à Rádio Sociedade, citando-o como aliado e explicando que a omissão decorreu do fato de o ex-prefeito não ser exatamente um amigo dos peemedebistas, para acreditar firmemente na presença de Wagner em sua convenção. “Vai ser uma festa bonita”, disse Imbassahy. “Nos meus oito anos de prefeitura cultivei boas relações políticas com muitas lideranças, associações comunitárias, creches, organizações não-governamentais e grêmios estudantis. Todo esse pessoal foi convidado e serão centenas de pessoas a abrilhantar nossa convenção”. O PSDB vai com chapa completa de 63 candidatos a vereador, assim como o PPS, pois os dois partidos não se coligarão nas eleições proporcionais. O coordenador da campanha de Imbassahy, o ex-deputado Arnando Lessa, informou que falta apenas fechar os 30% correspondentes à presença feminina na chapa, o que deverá ocorrer até amanhã. A convenção se desenrolará das 8 às 17 horas, mas se sabe que o pronunciamento oficial do candidato a prefeito será às 10 horas.(Por Luis Augusto Gomes).
Eliana Boaventura anuncia apoio a Tarcízio
A ex-deputada Eliana Boaventura (PP) tomou uma decisão ontem que poderá facilitar as negociações pela escolha do nome para compor a chapa com o deputado estadual Tarcizio Pimenta na disputa pela prefeitura de Feira de Santana. Após várias reuniões com a cúpula do Democratas feirense, ontem foi a vez da ex-deputada ouvir a cúpula do seu partido, mais precisamente o deputado federal João Leão e o estadual Roberto Muniz. Após estas conversas, Boaventura disse estar pronta para anunciar “a melhor decisão para o bem de Feira”. Hoje a ex-deputada deve reunir a imprensa para anunciar o seu apoio à candidatura do deputado Tarcizio Pimenta. “Precisava do aval do meu partido para que eu tomasse uma decisão”, disse, explicando as constantes reuniões dos últimos dias, inclusive com especulações de que o PP não faria mais parte da coligação que apóia Pimenta. “Acredito que o deputado Tarcizio Pimenta é quem melhor tem condições de dar continuidade à administração do prefeito José Ronaldo, que é referência em toda a Bahia”, disse, adiantando a sua posição. A decisão de Boaventura era aguardada com muita expectativa, já que as reuniões para discutir o nome do vice, uma das condições iniciais do seu partido para se aliar aos democratas, não vinham evoluindo. A indefinição vinha deixando o deputado Tarcizio Pimenta bastante preocupado, não só pela importância do apoio de Eliana como pelo tempo que o PP acrescentaria no horário eleitoral do rádio e TV. Alias, Eliana vinha alertando sobre isso, alegando que “o PP tem tempo de TV, deputados federais e um ministro, que podem ajudar na futura administração”. Contudo, o que parecia impossível, vai acontecer. Segunda a ex-deputada “o PP abre mão de indicar o vice e vai marchar unido com a coligação”. Ela confessou que chegou a prevenir a Justiça para alterar o local da convenção do seu partido, mas agora vai acontecer junto com o Democratas. “O meu aval é continuar com este grupo. Vamos marchar unidos pelo bem de Feira e fazer coligação proporcional”, adiantou. O gesto de Eliana Boaventura ajudará o andamento das negociações para escolha do vice que vai compor a chapa com Pimenta. “Em política tem momento que é preciso a gente dar exemplo, abrindo mão de interesses pessoais ou partidários”, declarou. Mas a ex-deputada vai ser peça fundamental na campanha e certamente o seu partido vai ter espaço num possível governo da coligação que vai apoiar. A decisão de Eliana Boaventura em abrir mão de postular um nome do PP para compor chapa com o deputado Tarcizio Pimenta deixa o caminho livre para que o prefeito José Ronaldo acelere as negociações com outros partidos. Contudo, as notícias dando conta de que Anaci Paim, ex-secretária estadual de Educação, seria uma alternativa de consenso, não procedem. Segundo uma fonte que não quis se identificar, “as chances deste nome emplacar são mínimas”. Os rumores surgiram por conta da indefinição nas negociações que vinham acontecendo em torno dos nomes considerados mais cotados para vice de Pimenta, o da ex-deputada Eliana Boaventura (PP) e do radialista Carlos Geilson (PTdoB). Nos últimos dias, o prefeito José Ronaldo tem conversado muito, mas ainda não tomou qualquer decisão. O radialista Carlos Geilson tem batido pé firme na disputa pela vaga, chegando, inclusive, a vetar o nome da ex-deputada Eliana Boaventura. Esta, p or sua vez, disse “não vetar ninguém”. (Por Evandro Matos).
Bahia lidera lista de contas rejeitadas pelo TCU
O Tribunal de Contas da União (TCU) repassou ontem, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o nome de 3.100 pessoas físicas responsáveis por cargos ou funções públicas que tiveram suas contas rejeitadas (prefeitos, ministros e secretários, por exemplo). A Bahia é o Estado com o maior número de pessoas na listagem - 488. Com a entrega do documento, o TSE pode declarar inelegíveis os gestores que venham a se candidatar nas eleições de outubro deste ano. Porém, a impugnação da candidatura não é automática, pois o tribunal só se manifesta se houver contestação por iniciativa de candidatos, partidos, coligações ou do Ministério Público. A lista está disponível na página do TCU na internet e tem 339 páginas, divididas por cada um dos 27 Estados. No entanto, os futuros candidatos têm ainda como barrar futuras contestações na Justiça Eleitoral caso obtenham liminar (decisão provisória) nos Tribunais Regionais Eleitorais sob o argumento de que questionam no TCU a inclusão na lista de contas irregulares. A decisão deve fazer parte do rol de documentos para registro de candidaturas, e suspende os efeitos da lista do TCU. O prazo limite para que os candidatos realizem o seu registro para concorrer em outubro é 5 de julho. Depois da Bahia estão Maranhão, com 408 pessoas, Distrito Federal, com 321, e o Pará, com 304. Em São Paulo, 272 pessoas que exerciam cargos ou funções públicas tiveram as contas rejeitadas e conseqüentemente os nomes incluídos na relação. No Rio de Janeiro, 128 pessoas foram incluídas na lista. Em Minas Gerais, foram 295 nomes. A entrega da listagem ao TSE está prevista em lei complementar. Pela regra, o TCU deve encaminhar à Justiça Eleitoral esses nomes até o dia 5 de julho. De acordo com o TCU, a relação será atualizada até 31 de dezembro de 2008, “levando em conta recursos cabíveis, interpostos em tempo hábil, com efeito suspensivo, e inclusões de novos nomes, em razão de condenações após a remessa da primeira relação”, diz o tribunal em nota.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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