quarta-feira, novembro 21, 2007

Polícia Federal acha arsenal em fazenda

hojeVasconcelo Quadros
Brasília. A Polícia Federal apreendeu ontem em Cumarú do Norte, próximo a Redenção, no Sul do Pará, um arsenal de armas de uso restrito das Forças Armadas e desarticulou uma milícia montada por fazendeiros supostamente para enfrentar a onda de invasões de terra que nos últimos tempos resultou na ocupação de nove propriedades na região. O alvo da ação foi a Fazenda Estrela de Maceió, que pertence a Construtora Lima Araújo Ltda, de Alagoas, onde dois homens foram presos junto com 19 armas de grosso calibre - fuzis, pistolas e espingardas calibre 12. Na sede da fazenda também foram apreendidos fardamentos de camuflagem, coletes à prova de balas, capuzes, algemas de plástico, silhuetas de tiro ao alvo, equipamentos de rádio transmissão e de comunicação via satélite e mais de 1.600 munições, entre balas de fuzis e cartuchos.
-É um arsenal normalmente usado por grupos de assalto. Aparentemente não era apenas para a proteção da fazenda - disse o delegado Marco Aurélio Bezerra, da Polícia Federal em Redenção. Um dos homens presos, Aloísio Santana Ferreira, é procurado por assassinato em Alagoas. O outro, Márcio Bezerra Santana, também se apresentou como segurança da fazenda. A polícia vai investigar agora se há relação entre milícias com vários assassinatos na área rural no ano passado. A Polícia Federal chamou a ação de Constelação, uma referência ao nome da fazenda, e explicou que ela faz parte da grande operação desencadeada na segunda-feira em todo o Sul do Pará para evitar derramamento de sangue entre seguranças contratados por fazendeiros e militantes de um grupo de sem terra que se apresenta como Liga dos Camponeses Pobres (LCP), responsável pela invasão de várias propriedades na região de Redenção. - O clima estava muito tenso -, explicou o delegado Alberoni Lobato, chefe da Delegacia de Conflitos Agrários do Pará, designado pelo governo estadual para coordenar a Operação Paz no Campo. Nos últimos três dias foram presas mais de 30 pessoas, entre militantes e dirigentes da LCP.
- Nas últimas semanas o grupo havia invadido várias fazendas, entre elas, a Forquilha, Rancho de Deus e Mirim - todas nas cercanias de Redenção -, onde foram praticados uma série de crimes: derrubada ilegal de madeira em áreas de preservação, destruição de sede da propriedade, matança de gado, cárcere privado e extorsão. Na fazenda Mirim, segundo a polícia, homens que chegaram encapuzados e armados, tomaram a sede e, para desocupá-la, exigiram do proprietário R$ 50 mil - resgate que chegou a ser pago. A mesma exigência também estava sendo feita a outros proprietários rurais.
Antes que a Operação Paz no Campo fosse deflagrada, a presidente do Sindicato Rural de Redenção, Rosângela Hanemann, em vários comunicados enviados à governadora do Pará, Ana Julia Careppa, havia denunciado o clima de terror e os riscos de um conflito que parecia inevitável no Sul do Pará. A governadora também havia sido avisada pela polícia e Ministério Público, mas mantinha a ordem para que as forças de segurança do Estado (Polícia Militar e Polícia Civil) não acatassem as determinações judiciais para reintegração de posse.
O assunto só poderia ser resolvido pela Departamento de Polícia Civil através da Delegacia de Assuntos Agrários, que acabou respondendo com a operação desencadeada na segunda-feira. Segundo Rosângela Hanemman, nas propriedades invadidas atualmente se encontram cerca de 100 mil cabeças de gado que não estão sendo vacinadas contra a febre aftosa porque os fazendeiros ou funcionários do Ministério da Agricultura não podem entrar nas áreas ocupadas pelos sem terra. Ela afirmou que havia inclusive o risco de, passado o período de vacinação, a região de Redenção deixar de ser considerada área livre de aftosa, o que provocaria elevados prejuízos à economia estadual.
Fonte: JB Online

Em destaque

Era só o que faltava! Pai de Vorcaro pede a Fachin retomada de pedido de prisão domiciliar

Publicado em 17 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Crise no STF cria impasse sobre prisão de Henriq...

Mais visitadas