quarta-feira, novembro 28, 2007

Presidente do TCE retoma atividades hoje

Tribuna da Bahia Notícias-----------------------

Enquanto sua assessoria confirmava que Antônio Honorato reassume hoje suas atividades como presidente do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE) e deve fazer um pronunciamento para os colegas, ele concedia entrevista coletiva, ontem,. após se recuperar do cansaço, em seu apartamento, no Itaigara. Na sua residência, a aparência simples contrastava com as acusações que Honorato estava tendo que explicar. Cercado de amigos e familiares, ele permaneceu o tempo todo tranqüilo, sem se irritar com as perguntas dos jornalistas. Da mesma forma os seus assessores e advogados mostraram-se tranqüilos e prontos para tirar qualquer dúvida. “Não existe nada a esconder. Pode perguntar o que quiser”, disse um dos presentes. O conselheiro também mostrou-se solícito, inclusive atendendo àqueles que não chegaram a tempo para a coletiva. Segundo informações da Polícia Federal, Antônio Honorato foi preso por intermediar, em 2006, a liberação de recursos referentes a contratos de prestação de serviços mantidos por uma das empresas de propriedade de Clemilton Resende, junto à Secretaria Estadual de Saúde (Sesab). Honorato disse que não aprovava a atitude da Polícia Federal, já que havia se colocado à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos cinco meses antes, desde quando viu o seu nome ser citado. “Bastava um recado, um telefonema, que eu iria esclarecer qualquer dúvida”, disse. Contudo, ele falou que “a Polícia Federal cumpre ordens, e tem os métodos dela. Como cidadão, me senti perdendo a liberdade de defesa. Mas de repente outros presos poderiam oferecer resistência”. Perguntado de que forma ele saia do episódio, ele disse: “Não tem como reparar o dano que foi causado. Já está feito. Mas serve como lição para mim e para outros”. Segundo o advogado Fernando Santana, responsável pela defesa de Honorato, no depoimento foram prestados todos os esclarecimentos solicitados pela Polícia Federal. Ele também disse que tudo que poderia de sido mais simples. Santana confirmou que tentou ter acesso aos autos do inquérito para ?=a??E???o?:poder saber o seu teor, e por que o nome do seu cliente havia sido citado. Embora não tenha conseguido qualquer informação, surpreendentemente Honorato foi preso pela Polícia Federal. “Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, mas, ao mesmo tempo, senti um alívio”, disse Honorato, referindo-se aos esclarecimentos que prestou em Brasília. “É até importante que tudo fique logo esclarecido. Eu tenho consciência que não fiz nada. É como estar livre de uma carga, cujo sentido agora não é mais aquele que foi dado”, completou. Presente, Santana disse que ouviu o próprio delegado dizer para o presidente do TCE: “Nem a Policia Federal pode dizer que você é desonesto. Você é um homem de bem”. Provocado a responder o porquê do aparecimento do seu nome nas investigações, o presidente do TCE respondeu tranqüilamente, inclusive explicando alguns episódios. “São ilações”, disse. “O caso do Galdino, por exemplo. Ele telefonou para mim dizendo que estava com dificuldade, que tinha uma fatura para receber e me pediu ajuda. Eu liguei para o chefe de gabinete do secretário da Fazenda pedindo para repassar o dinheiro. Dessa conversa, a polícia pode ter tirado outras conclusões”, disse. Sobre a ajuda para a campanha do seu filho Adolfo Viana de Castro, ele disse: “O Cleraldo Andrade (ex-deputado estadual, irmão de Clemilton Andrade) ofereceu ajuda para a campanha do meu filho, mas ele nem se elegeu. Também tive uma conversa com o ex-deputado Horácio de Matos num restaurante da cidade, que perguntou como estava o meu filho. Num determinado momento, ele disse: ‘Manda ele me procurar”, declarou, para logo ser ajudado pelos presentes. Segundo os advogados e assessores de Honorato, “Cleraldo é dono de postos, por isso ele ofereceu ajuda em gasolina, o equivalente a R$ 5 mil. E o valor foi incluindo na prestação de contas da campanha. E o Clemilton não deu ajuda para a campanha do filho dele”, disseram. (Por Evandro Matos)
OAB recorre ao STF para ter acesso ao inquérito
O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) recorreu ontem ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que os advogados que defendem os investigados na Operação Jaleco Branco, da Polícia Federal, tenham acesso ao inquérito aberto contra seus clientes no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Segundo a OAB, a ministra Eliana Calmon, relatora do inquérito no STJ, indeferiu as solicitações dos advogados sob o argumento de que o pedido de vista comprometeria as investigações, que ainda estão em curso. No recurso, a OAB argumenta que, sem ter acesso ao inquérito, os advogados ficam impedidos de defender seus clientes. “O que está em jogo é a possibilidade de o advogado, na qualidade de mandatário da pessoa investigada em procedimento policial, tomar conhecimento dos fatos e das provas carreadas nos autos, seja para adotar providências judiciais cabíveis, seja para orientar o cidadão.” No último dia 23, o ministro do STF Joaquim Barbosa indeferiu pedido semelhante, sob o argumento de que a ministra Eliana Calmon não teria analisado, ainda, o pedido de advogados que queriam ter acesso ao inquérito.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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