sexta-feira, janeiro 30, 2026

EXCLUSIVO: Saiba para quem Rui Costa ofereceu a suplência da chapa ao Senado

 

Ministro da Casa Civil, Rui Costa, já se prepara para as eleições de 2026, liderando as pesquisas de intenção de voto na Bahia  |   Bnews - Divulgação BNews


Henrique Brinco

por Henrique Brinco

henrique.brinco@bnews.com.br

Publicado em 30/01/2026, às 07h28 - Atualizado às 07h30



O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), já está montando a chapa ao Senado na eleição de 2026. Aparecendo em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto divulgadas até então, o ex-governador da Bahia já traça as primeiras estratégias para o pleito.

De acordo com apuração do BNews nos bastidores, a vaga de primeiro suplente da chapa foi oferecida ao ex-deputado Ronaldo Carletto. O presidente do Avante na Bahia nutre o sonho de ocupar a Câmara Alta há anos, mas nunca teve o desejo atendido.

A primeira vaga ganha um protagonismo maior nesta eleição: se Lula for reeleito, as chances de Rui voltar para a Esplanada dos Ministérios são grandes e provavelmente o primeiro suplente deverá ter pelo menos quatro anos de mandato garantidos.


O Avante é um dos maiores partidos da base aliada do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ganhou ainda mais protagonismo depois da última eleição para prefeituras, ganhando em diversas cidades.

Na Lavagem do Bonfim,  o secretário geral do Avante, Pablo Barrozo,  afirmou que o partido deseja entrar na "briga" pela majoritária de Jerônimo devido ao seu tamanho. Contudo, a sigla não irá "colocar uma faca no pescoço" do chefe do Palácio de Ondina para ter o desejo atendido.

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Ronaldo Carletto é presidente do Avante. (Foto: Henrique Brinco / BNews)


Carletto tem longa trajetória na política. Já foi deputado estadual por três mandatos e federal por dois. Desde então, vem ampliando o seu projeto de poder no interior e vem tendo êxito na gestão do Avante.

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Henrique Brinco

Henrique Brinco

Jornalista profissional formado pela Unijorge e com experiência em rádio, TV, jornal impresso e internet. É o atual editor de política do BNews. Setorista durante quatro anos da Câmara de Salvador, foi cinco vezes vencedor do Prêmio Jânio Lopo de Jornalismo. Adora games e é pai de dois gatos.



Nota Da Redação Deste Blog -

Por José Montalvão


A matéria publicada pelo BNews, intitulada “Exclusivo: Saiba para quem Rui Costa ofereceu a suplência da chapa no Senado”, traz à tona um tema que vai muito além da movimentação eleitoral de 2026. Ela escancara uma prática antiga da política brasileira: a montagem de chapas como arranjos estratégicos, onde a lógica da conveniência muitas vezes se sobrepõe ao discurso da renovação.

Segundo a reportagem, o ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa, já articula sua candidatura ao Senado, liderando pesquisas de intenção de voto. Nos bastidores, a vaga de primeiro suplente teria sido oferecida ao ex-deputado Ronaldo Carletto, presidente do Avante na Bahia, político experiente e antigo aspirante à Câmara Alta.

E aqui cabe a pergunta inevitável: é assim que se fala em renovação do Congresso Nacional?

A suplência no Senado, no Brasil, não é um detalhe menor. Trata-se de um cargo que pode assumir mandato integral sem jamais ter recebido um único voto direto do povo. É uma figura que, embora prevista constitucionalmente, representa uma distorção democrática quando usada apenas como moeda de composição política. Não raras vezes, suplentes assumem o mandato por anos, participando de votações decisivas, reformas estruturais e indicações ao Supremo Tribunal Federal sem terem passado pelo crivo das urnas.

Quando se oferece a suplência a um político tradicional, com longa trajetória e histórico de tentativas de chegar ao Senado, o gesto pode ser interpretado como estratégia legítima de composição partidária. Mas também pode ser lido como a reafirmação de uma lógica oligárquica, onde o poder circula entre os mesmos grupos, apenas trocando de posição na engrenagem institucional.

Ao buscar na antiguidade grega alguma explicação, encontramos em Sócrates, Platão e Aristóteles reflexões profundas sobre ética, justiça e racionalidade na condução da vida pública. Sócrates insistia que a virtude deveria ser o fundamento da ação política. Platão defendia que a justiça deveria orientar a organização do Estado, propondo até mesmo a ideia do “governo dos melhores”, dos mais preparados moral e intelectualmente. Aristóteles via na política a arte de promover o bem comum, baseada na razão e na observação da realidade.

Mas talvez a explicação mais plausível, como você bem observa, esteja em Maquiavel.

No “Príncipe”, Maquiavel descreve a política como o campo das estratégias, da manutenção do poder e da construção de alianças necessárias para garantir estabilidade e governabilidade. Não se trata, para ele, de idealismo moral, mas de pragmatismo. O governante eficaz é aquele que sabe compor forças, neutralizar adversários e ampliar sua base de sustentação.

Sob essa lente maquiaveliana, a oferta da suplência não é escândalo — é cálculo. É o movimento de quem entende que, para vencer uma eleição majoritária e manter influência em Brasília, precisa agregar forças partidárias, acomodar interesses e construir pontes.

O problema surge quando o discurso público promete renovação, ruptura com velhas práticas, combate às “raposas políticas”, mas a prática reproduz os mesmos métodos de sempre. A contradição entre narrativa e ação é o que alimenta o descrédito da população. O eleitor não é ingênuo. Pode até silenciar em determinados momentos, mas observa, compara e registra.

Renovar o Congresso não significa apenas trocar nomes. Significa mudar práticas, fortalecer mecanismos de transparência, rever o papel dos suplentes e ampliar a participação efetiva da sociedade nas decisões políticas. Caso contrário, continuaremos assistindo à alternância entre os mesmos grupos, sob novos rótulos.

A política não é um convento — é um campo de disputa. Mas também não deveria ser apenas um tabuleiro onde peças são movidas conforme interesses pessoais e partidários. Entre o ideal de Platão e o realismo de Maquiavel, a democracia brasileira precisa encontrar um equilíbrio que respeite o voto, a ética pública e o verdadeiro espírito republicano.

Se a renovação prometida se limitar à troca de cadeiras entre velhos conhecidos, então não se trata de renovação — trata-se apenas de reacomodação de poder. E o povo, mais cedo ou mais tarde, cobra essa conta nas urnas.

 José Montalvão -  Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública,  pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025

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