quarta-feira, janeiro 28, 2026

Senado dos EUA questiona Marco Rubio sobre Venezuela e cita Bolsonaro e Lula

 

Senado dos EUA questiona Marco Rubio sobre Venezuela e cita Bolsonaro e Lula

Por Isabella Menon, Folhapress

28/01/2026 às 14:57

Foto: Elizabeth Franz/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Senado dos EUA questiona Marco Rubio sobre Venezuela e cita Bolsonaro e Lula

O secretário de Estado americano, Marco Rubio

Durante audiência do Senado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi questionado sobre a sucessão de Nicolás Maduro na Venezuela e sobre a relação com líder interina, Delcy Rodríguez, e pressionado por não ter havido consulta ao Congresso antes do ataque a Caracas. O chefe da diplomacia americana teve que responder ainda a perguntas sobre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT).

Rubio afirma que eleições vão acontecer na Venezuela, mas que o cenário exige tempo e cautela. "Em três semanas estamos muito mais avançados do que imaginávamos que estaríamos", afirmou. "Temos de entender que não se trata de uma refeição congelada, que você coloca no micro-ondas e fica pronta. É uma situação complexa e demorada."

O secretário foi cobrado por senadores democratas e republicanos pelas ações do Poder Executivo. O republicano Rand Paul retomou o argumento do governo de Donald Trump, segundo o qual a intervenção militar na Venezuela em 3 de janeiro não foi um ato de guerra. Paul questionou, no entanto, se Rubio usaria a mesma régua caso um país estrangeiro bombardeasse o sistema de defesa aérea dos EUA, "capturasse e removesse" seu presidente e impusesse um bloqueio ao país.

Rubio, por sua vez, afirmou que o governo Trump não removeu uma pessoa eleita, mas uma pessoa que fraudou as eleições na Venezuela e que foi condenada por tráfico de drogas.

O senador republicano fez então uma menção ao Brasil para, ao mesmo tempo, concordar e questionar Rubio. "Bolsonaro diz que Lula não foi eleito. Hillary Clinton disse, em 2016, que Trump não era o presidente. Há todos esses argumentos e, eu concordo com você. Ele [Maduro], muito provavelmente, não foi eleito, mas ao mesmo tempo, isso pode levar ao caos, e é por isso que temos leis."

No início da audiência, um homem que estava na plateia levantou com um cartaz em que se lia "tirem as mãos da Venezuela" e se manifestou contra as ações do governo Trump, mas acabou retirado da sala rapidamente.

O secretário de Estado foi questionado sobre os planos do presidente para o país sul-americano. Trump e o alto escalão de seu governo, Rubio incluso, têm demonstrado que estão trabalhando com Delcy, que era vice de Maduro e agora é a líder interina do regime em Caracas.

Do outro lado, há a líder da oposição, María Corina Machado. Impedida pelo regime de disputar a eleição, ela vive na clandestinidade. Ao ganhar o Nobel da Paz, dedicou o prêmio a Trump e depois até o presenteou com a medalha que representa a láurea, mas o americano a escanteia reiteradamente. Seu argumento é de que ela não tem respeito e apoio popular suficientes para governar a Venezuela.

Rubio disse o óbvio. Afirmou que a situação na Venezuela é complexa e reiterou um argumento que também tem sido usado contra María Corina. "As pessoas que controlam as armas estão nas mãos deste regime", disse o secretário, em referência ao alinhamento do alto escalão militar ao chavismo. Rubio também afirmou que a opositora poderia ter um papel na transição da Venezuela, mas não especificou qual —María Corina, que está nos EUA, tem uma reunião com o secretário ainda nesta quarta-feira.

Os senadores também questionaram Rubio acerca de suas posições em relação à Otan, a aliança militar liderada pelos EUA e sob ameaça e crítica constantes de Trump desde que ele voltou á Casa Branca. O secretário usou os argumentos do chefe, ainda que de modo suavizado, ao defender que a Otan seja "reimaginada". Também minimizou a tensão ao dizer que este não é o primeiro governo americano a questionar a organização.

Rubio foi pressionado a responder sobre a falta de consulta ao Congresso antes do ataque que derrubou Maduro. "Se tiveram tempo para por em prática, tiveram tempo para a consulta", disse o senador democrata Chris Coons.

O secretário tergiversou. Disse que o Congresso não só não foi informado sobre o ataque porque, até o fim dezembro, o governo não sabia se a operação seria possível.

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