sexta-feira, janeiro 30, 2026

PSD aposta no pós-bolsonarismo e tenta ocupar o vácuo do centro-direita


Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Deu no G1

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, afirmou nesta quarta-feira (28) em entrevista à GloboNews que a definição sobre quem será o candidato do PSD à Presidência da República deve ocorrer em meados de abril.

O partido vive um momento de articulação interna com a chegada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e a presença de outros nomes fortes, como o governador gaúcho, Eduardo Leite.

MEADOS DE ABRIL – “A discussão de quem será o candidato e essa união em torno desse nome vai acontecer lá por meados de abril”, disse o governador. Ele detalhou que a escolha será feita por um conselho interno do partido, “de forma sem disputa interna, bem harmônica e respeitosa”.

Mais cedo, os governadores do RS, Eduardo Leite, e de GO, Ronaldo Caiado, deram entrevista à GloboNews. Caiado afirmou que o PSD terá candidatura própria para a eleição presidencial e detalhou os motivos que o fizeram trocar o União Brasil pelo partido, presidido por Gilberto Kassab, em pleno ano eleitoral.

Ratinho Júnior explicou que o foco atual dos governadores é cumprir os mandatos até o prazo de desincompatibilização, em 4 de abril. Só após essa data, segundo ele, a sigla baterá o martelo sobre o nome que liderará a chapa: Caiado, Leite ou ele.

“ESCOLHIDO” – O governador evitou tratar a chegada de Ronaldo Caiado ao PSD como um sinal de que o goiano já seria o “escolhido” como candidato. O paranaense elogiou a gestão de Caiado na segurança pública e educação, chamando-o de referência, mas colocou seu próprio nome e o de Eduardo Leite também no tabuleiro.

Para o governador do Paraná, o objetivo do PSD é apresentar um projeto que fuja do “fla-flu político” entre lulismo e bolsonarismo. Ele criticou a polarização atual, afirmando que ela “não tem trazido benefício para Dona Maria ou para o Seu Zé” e que o Brasil “anda de lado” enquanto países como Índia e China crescem.

Ratinho Júnior admitiu que a tentativa de criar uma terceira via enfrentará resistência dos polos políticos já estabelecidos, mas disse acreditar que há espaço na sociedade para uma candidatura que “vire a página” das discussões do passado.

MOVIMENTAÇÕES –  Ratinho Júnior também comentou o cenário eleitoral no campo da direita, analisando as movimentações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Para o paranaense, é natural que Tarcísio apoie Flávio devido à “ligação histórica com a família”, mesmo não sendo candidato à presidência. Ele classificou Tarcísio como um “grande cabo eleitoral” e um governador de muito prestígio. Sobre Flávio, Ratinho Júnior considerou a candidatura “normal” e legítima, dado o tamanho do PL e o ativo político herdado do pai.

Ao projetar um eventual segundo turno, o governador do Paraná sinalizou que a união entre as legendas é o caminho provável caso a disputa fique entre um nome da esquerda e outro desse espectro. “Penso que é um caminho meio da centro-direita natural apoiar quem esteja nesse campo”, afirmou Ratinho Júnior. Ele ressaltou que, se for o escolhido do PSD para ir ao segundo turno, buscará “o máximo de apoio possível”, mas admitiu que a recíproca também é verdadeira se o resultado favorecer o candidato do PL.

JOGO EMBARALHADO –  Com o anúncio do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, de que deixará o União Brasil para se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, o partido embaralha o tabuleiro eleitoral de 2026 e mexe nas articulações dos palanques estaduais. O objetivo inicial e principal — segundo lideranças — é se colocar como alternativa de centro-direita sem Bolsonaro, com nomes para um pós-bolsonarismo.

Nos bastidores, o movimento é visto como o mais relevante no campo desde o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em dezembro do ano passado, apresentado por Jair Bolsonaro como seu escolhido.

Agora, Caiado passa a integrar um trio com os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS). Pelo desenho atual, um desses nomes deve sair como cabeça de chapa numa futura candidatura presidencial.


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