Tista de Deda participa de debate na UPB sobre altos cachês do São João e alerta para impacto nas finanças municipais
O prefeito de Jeremoabo, Tista de Deda, participou de uma importante reunião promovida pela União dos Municípios da Bahia (UPB) para discutir os altos custos das festas de São João, especialmente os valores milionários dos cachês de grandes atrações nacionais.
O encontro reuniu prefeitos baianos, o presidente da UPB, Wilson Cardoso, e contou com a presença da Dra. Rita Tourinho, representante do Ministério Público da Bahia.
O debate destacou a necessidade de equilíbrio entre a valorização da tradição junina — fundamental para a cultura, o turismo e a economia do Nordeste — e a responsabilidade fiscal dos municípios, que precisam garantir investimentos contínuos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
Para Tista de Deda, o São João tem um papel estratégico no desenvolvimento local, mas exige planejamento:
“Uma grande atração movimenta a cidade, traz turistas e gera renda. Nosso povo espera o ano inteiro por essa festa. Mas precisamos refletir: o valor de um cachê pode significar quilômetros de canos levando água à zona rural. É preciso equilíbrio para não prejudicar direitos básicos,” afirmou o prefeito.
Segundo ele, encontros como o promovido pela UPB são fundamentais para que os gestores pensem alternativas coletivas, dialoguem com os órgãos de controle e encontrem caminhos que permitam realizar grandes festas sem comprometer as finanças municipais.
O consenso da reunião foi claro: o São João deve continuar sendo celebrado com força, alegria e identidade cultural, mas sempre com planejamento, transparência e responsabilidade, garantindo que o cidadão não seja prejudicado naquilo que é essencial!
FONTE ASCOM - JEREMOABO
Nota da Redação Deste Blog - O debate promovido pela União dos Municípios da Bahia (UPB) sobre os altos cachês do São João traz à tona uma discussão necessária e madura: até onde vai o brilho da festa e onde começa a responsabilidade com as contas públicas?
Ao participar desse encontro, o prefeito de Jeremoabo, Tista de Deda, demonstrou compreender algo fundamental: o São João, especialmente em um município cujo padroeiro é São João, não é apenas um evento festivo — é identidade, tradição, cultura e também estratégia de desenvolvimento econômico. Negar a importância dos festejos juninos seria ignorar a própria história do Nordeste e o sentimento popular que move a cidade.
Jeremoabo respira São João. A festa movimenta o comércio, aquece o turismo, gera renda para ambulantes, barraqueiros, músicos locais, costureiras, decoradores e toda uma cadeia produtiva que depende diretamente do evento. Há, portanto, um valor simbólico e econômico que não pode ser desprezado.
Contudo, o ponto central levantado por Tista de Deda revela maturidade administrativa: não se pode permitir que o encanto de uma grande atração comprometa serviços essenciais. Quando o prefeito afirma que “o valor de um cachê pode significar quilômetros de canos levando água à zona rural”, ele traduz em termos concretos o dilema da gestão pública — escolher entre o espetáculo momentâneo e o investimento estruturante.
E essa reflexão não é pequena. Municípios enfrentam quedas de arrecadação, aumento de despesas obrigatórias e pressão constante na folha de pagamento. Saúde e educação não podem esperar. Medicamentos não podem faltar. Professores precisam receber em dia. A máquina pública não funciona de aplausos, mas de planejamento e responsabilidade fiscal.
O mérito da reunião da UPB está justamente em trazer essa discussão para o campo coletivo. Quando prefeitos dialogam entre si e com órgãos de controle, como o Ministério Público, evitam decisões isoladas que podem gerar desequilíbrios futuros. A transparência e o planejamento são os únicos caminhos para que a festa não se transforme em problema.
Em Jeremoabo, a postura defendida por Tista sinaliza uma linha de governo que busca “juntar o útil ao agradável”: manter a grandiosidade do São João, respeitar sua tradição como festa do padroeiro, mas sem comprometer a saúde financeira do município. Não se trata de diminuir a festa, mas de dimensioná-la à realidade fiscal.
Grandes atrações atraem público, mas gestão responsável constrói futuro. O verdadeiro desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre emoção e razão, entre cultura e responsabilidade, entre aplauso e compromisso social.
O consenso apontado no encontro é sensato: celebrar, sim. Investir na tradição, sim. Mas com planejamento, transparência e respeito ao dinheiro público — porque, no fim das contas, quem paga a conta é o cidadão.
* José Montalvão - Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, pós-graduação em Jornalismo proprietário do Blog DedeMontalvão, matrícula ABI C-002025