sexta-feira, novembro 23, 2007

Em decisão unânime, PTB no Senado rompe com governistas

BRASÍLIA - A bancada de seis senadores do PTB rompeu ontem com o bloco da maioria governista, liderado pelo PT, e integrado ainda pelo PSB, PCdoB, PR e PRB. A decisão foi tomada por unanimidade e deverá perturbar um pouco mais as já atrapalhadas negociações pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
O PTB, porém, permanecerá na base do governo. "O que a gente quer é autonomia, é funcionar como uma legenda, ter direito a indicar os integrantes das comissões e ter voz nas reuniões dos líderes", disse o senador Sérgio Zambiazi (RS).
Antes, por pertencer ao bloco, o PTB ficava submetido à vontade da líder do PT, Ideli Salvati (SC). Foi em razão de uma atitude dela - o afastamento de Mozarildo Cavalcanti (RR) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), visto que o senador anunciara o voto contrário à CPMF - que o partido decidiu romper com o bloco governista.
A desculpa para a decisão do PTB foi o "ato de violência" contra Mozarildo, no dizer do próprio senador. Mas, por trás, há outra, de fundo fisiológico. Como o governo necessita dos votos do partido para aprovar a CPMF, a hora de emparedá-lo é agora.
O PTB do Senado se queixa muito de que só o da Câmara tem sido contemplado com cargos nas estatais e no segundo escalão. De acordo com informação de um senador do próprio PTB, à exceção de Mozarildo Cavalcanti, que é inimigo do líder do Governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e de Sérgio Zambiazi, que não costuma pedir nada, os outros quatro têm reivindicações a fazer ao governo federal.
O senador Romeu Tuma (SP), por exemplo, já conseguiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeasse seu filho Romeu Tuma Jr para o importante cargo de secretário nacional de Justiça. Aguarda, agora, algo para o outro filho, o ex-deputado Robson Tuma.
Epitácio Cafeteira (MA) cansou de ver somente a família Sarney fazer nomeações em seu estado. Gostaria de influenciar também na indicação de delegados do Trabalho. E, como partido, o PTB também quer uma diretoria na Petrobras.
"Nossa idéia é ter uma postura independente", disse Romeu Tuma. "Não vamos romper com o governo, mas também não vamos ficar submetidos ao bloco governista", acrescentou. Os próprios senadores optaram por pedir à Executiva nacional do PTB que não feche questão nem a favor nem contra a CPMF, na reunião marcada para o dia 27.
"Vamos deixar que cada um vote com sua consciência", afirmou Tuma. Há a informação de que o presidente do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), tentaria influenciar o partido a fechar questão contra a CPMF. Inimigo declarado do governo, por se julgar vítima de uma articulação que teria sido comandada pelo próprio presidente Lula para que fosse cassado, por ter denunciado o escândalo do mensalão, Jefferson desejaria dar agora um golpe no governo.
Mas os senadores farão o apelo para que a Executiva do partido deixe cada um agir de acordo com sua vontade. Da reunião de ontem participaram os senadores Romeu Tuma, Sérgio Zambiazi, Epitácio Cafeteira, Mozarildo Cavalcanti e Gim Argello (DF). Só José Vicente Claudino (PI) não compareceu, por estar doente. Mas avalizou a decisão dos colegas.
O líder do governo, Romero Jucá, admitiu que a decisão do PTB vai dificultar as negociações para a aprovação da CPMF, mas disse confiar que o partido acabe por optar por dar o voto sim, à exceção de Mozarildo. "É um problema a mais, mas é também uma questão a ser resolvida entre partidos. Houve aí um desentendimento, por causa do afastamento de um senador, e o partido resolveu sair do bloco", disse ele.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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