Carlos Chagas
BRASÍLIA - Continua em frenética atividade o balcão de negócios montado pelo Executivo na Praça dos Três Poderes. A Câmara aprovou em primeira votação a emenda que prorroga a CPMF até 2011. Falta a segunda, e, para ela, serão necessárias novas nomeações e liberação de verbas. Verifica-se que nas bancadas de apoio ao governo ficaram de fora das benesses alguns deputados hoje se sentindo de segunda classe, porque semana passada votaram de graça a proposta, sem ter seus pleitos atendidos. Agora, sinalizam para a hipótese de se abster ou votar contra, na segunda votação.
Movimenta-se o ministro Mares Guia, da Coordenação Política, mesmo sob fogo batido do procurador-geral da República, prestes a denunciá-lo por suposta participação no esquema de caixa-dois da campanha pela reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 1998. O presidente Lula cedeu uma vez, nada indica que resistirá agora: continuará abrindo o cofre. O provável é que a emenda constitucional seja outra vez aprovada na Câmara.
No Senado, o clima esquentou, após a crise que atinge Renan. Mesmo assim, a prorrogação do imposto do cheque até o começo de dezembro é tida como normal, desde que os mesmos métodos utilizados na Câmara sirvam para convencer senadores recalcitrantes. Nada mudou, a não ser os métodos. No primeiro governo Lula aprovava-se projetos de seu interesse através do mensalão. Agora, a estratégia é direta: o voto em troca de um favor.
Encruzilhada
Aproxima-se o governador Aécio Neves de uma encruzilhada: se ficar no PSDB precisará engajar-se no começo do próximo ano na campanha dos candidatos tucanos a prefeito das capitais. Na maioria dos casos, o PMDB apresentará candidatos para disputar as prefeituras contra o PSDB. Em muitas capitais o confronto será aberto e rude. Depois das disputas, ficarão difíceis as condições para o governador filiar-se ao PMDB e, mais do que isso, sair candidato do partido à presidência.
Cicatrizes ficarão abertas. Sendo assim, Aécio depara-se com a necessidade de uma definição urgente: trocar de partido no começo de 2008 ou ficar no PSDB, conformando-se com a escolha de José Serra para candidato ao Planalto. A hipótese de aceitar a vice-presidência na chapa do partido não o fascina. Ao contrário, teve oportunidade de rejeitá-la mais de uma vez, em reuniões com o "alto tucanato".
Milagre chinês
O retorno da delegação do PT da China criou uma saia justa que o presidente Ricardo Berzoini não tornará pública, mas capaz de perturbar as relações do partido com seu sucedâneo daquele país, o PCC. Acontece firmar-se no trabalho remunerado a preço vil a explicação para a explosão econômica chinesa. O capital internacional passou a investir olimpicamente na China por razão simples: os salários ridículos pagos ao trabalhador chinês e a ausência de encargos para quem o contratar. Assim, as principais empresas do ocidente correram para produzir lá tudo o que produzem fora, com a perspectiva de lucros maiores. São os investidores estrangeiros os principais responsáveis pela invasão de produtos chineses nos mercados mundiais.
A concorrência torna-se impossível, gerando desemprego e fechamento de indústrias no resto do mundo. De que maneira o PT explicará o fenômeno quando comparecer na porta de fábricas em vias de fechamento ou já fechadas? A solução seria acabar com os direitos trabalhistas ou reduzir salários, para permitir a concorrência? Porque se optarmos por impor elevadas barreiras alfandegárias a produtos chineses, a resposta pode ser a interrupção das exportações para a China.
Candidato
As atenções que o presidente Lula vem dedicando ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, podem ultrapassar os agradecimentos pela aprovação da emenda que prorroga a CPMF. Há quem imagine Lula apoiando a candidatura Chinaglia à prefeitura de São Paulo, pelo PT, em especial depois que a ministra Marta Suplicy tornou pública decisão de não concorrer.
Situado à margem do ex-Campo Majoritário dominado por José Dirceu, o presidente da Câmara poderia contrabalançar a influência desse grupo nas preliminares da sucessão de 2010, não como candidato ao Planalto, mas como alguém disposto a apoiar quem Lula lançar, principalmente fora do partido.
Sabem todos que a disputa pela prefeitura de São Paulo concentrará as atenções gerais, estando os tucanos muito bem situados, seja com Geraldo Alckmin ou Gilberto Kassab, do DEM, como desejaria o governador José Serra. Aliás, a respeito da disputa, por mais irônico que pareça, é bom prestar atenção em outro candidato prestes a formalizar sua pretensão: Paulo Maluf...
Fonte: Tribuna da Imprensa
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