BRASÍLIA - Ao avaliar ontem a absolvição em plenário do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-ES), o senador Gerson Camata (PMDB-ES) criticou a atuação do PMDB, "que está uma vergonha", do PT, "pela habilidade genial com que conseguiu começar a extinção do Senado" e do aparecimento do que ele chamou de "gay cívico".
Ele explicou que a adjetivação cabe aos seis senadores que se abstiveram no julgamento. Não citou nomes, mas entre os que se abstiveram está o ex-líder do governo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). "Gay cívico é o senador que não vota nem sim nem não", justificou Camata.
"Ele é meio termo, ele está no meio, quer dizer que, além de se esconder na covardia vergonhosa da votação secreta, ele se esconde na abstenção. Ele não está nem para lá nem cá, ele é coluna do meio", acrescentou. O senador solicitou que, na sua afirmação, constasse o esclarecimento de que não tem intenção de atingir os homossexuais.
"Por amor de Deus, põe aí que eu não quero ofender os gays", pediu. Para o senador, a idéia do presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), de extinguir o Senado, começou a ganhar forma com a iniciativa de petistas de inocentarem Renan Calheiros.
"Isso surgiu na convenção do PT, estou ficando simpático à idéia, porque o PT deu ontem (quarta-feira) o golpe de morte no Senado com a posição dos gays cívicos". No caso da extinção do Senado, o senador sugeriu que o prédio onde ele está instalado venha a ser ocupado pelos "40 ladrões do Supremo".
Ou seja, pelos mensaleiros, cujo indiciamento foi autorizado pelo tribunal. "Agora, se coloca (aqui) uma verba. (Eles) só podem roubar R$ 100 milhões por ano, eles ficam aqui brigando, roubando, de modo que não vão roubar da Petrobras, do Marco Valério, do MMG. Eles só podem roubar R$ 100 milhões", explicou.
Ainda assim, Camata disse achar necessário a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). "E aí o tribunal precisa vigiar: quando roubarem R$ 101 bilhões (vai dizer) êpa, passou dos limites!". Ele reconheceu que "exagerou um pouco" na sua crítica, Mas alegou que a "revolta sobre o que assistimos aqui ontem (quarta-feira), nos leva infelizmente a pensar dessa maneira".
Na sua opinião, a sessão secreta que absolveu Renan Calheiros "tornou-se chacota na imprensa de hoje (ontem), porque todo mundo soube tudo o que acontecia a todo momento". Segundo ele, a iniciativa do Superior Tribunal Federal (STF) de autorizar o comparecimento de deputados à sessão foi uma prova de que o regimento do Senado é "inconstitucional". Daí porque considera urgente fazer profundas alterações no texto.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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