domingo, setembro 30, 2007

Decisão do Supremo será a grande reforma

Em visita a Salvador, ontem, o ex-senador e deputado federal Roberto Freire, presidente nacional do PPS, mais uma vez direcionou a sua metralhadora para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem rotula de “direita”. Freire veio à capital baiana exclusivamente para prestigiar o ato de filiação do vereador Virgílio Pacheco ao seu partido. Acompanhado do presidente da executiva estadual, George Gurgel, o ex-comunista concedeu uma entrevista coletiva à imprensa no salão nobre da Câmara de Vereadores, quando falou sobre a Reforma Política, CPMF e a crise no Congresso. Com posições corajosas, o presidente do PPS começou falando sobre a infidelidade partidária e a decisão que o Supremo Tribunal Federal deverá tomar no próximo dia 3 de outubro. “No sistema proporcional, o voto é do partido. O TSE decidiu assim porque o voto é partidário”, declarou Freire, explicando como o Supremo deverá interpretar a polêmica decisão, que é fruto de representações do PSDB, DEM e PPS, que cobram a devolução dos mandatos dos deputados que trocaram estas legendas para partidos da base governista. Questionado se o parecer dado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, favorável à manutenção dos mandatos para os deputados, influenciará na decisão do Supremo, Freire minimizou. “O parecer do procurador não vai influenciar na decisão do Supremo. Aliás, não custa lembrar que o placar já está três a zero, pois três ministros que votaram no TSE também fazem parte do Supremo”, disse ele, que mostrou-se menos confiante do que da última vez em que esteve em Salvador. “É que, do jeito que as coisas estão no Brasil, não dá mais para a gente ter certeza de nada”, avaliou. Embora reconheça que o Supremo não recebe pressões externas, Freire desconfia que o governo tente influenciar no julgamento, “principalmente porque a perda dos mandatos dos deputados infiéis provocaria uma desarrumação na base aliada”. Nesta linha de raciocínio, o líder comunista acusou o governo Lula pelo trabalho de cooptação dos deputados junto aos partidos com o objetivo de reforçar a sua base de apoio. “De que forma ele vem fazendo isso, eu não sei; mas que tem alguém se beneficiando com alguma coisa, eu não tenho a menor dúvida”, disse, referindo-se às migrações com o aval do governo. (Por Evandro Matos)
"Governo Itamar foi sério"
Advertido por um repórter de que a prática sempre aconteceu no Brasil, Freire rechaçou a tese de imediato. “Não. Não é bem assim. No governo Itamar, por exemplo, não teve nada disso. Eu estive lá e posso bem assegurar. Ninguém nunca ouviu falar dessa barganha política, nem desta falta de ética, no governo do presidente Itamar Franco”, defendeu o comunista. Mesmo diante deste quadro, ele disse continuar otimista em relação à política brasileira, pois confia na sociedade e no amadurecimento da democracia, mesmo sem acontecer a Reforma Política. Ele defendeu modificação nos procedimentos políticos, e culpou a falta de interesse do governo para levar a idéia adiante. Qual seria a saída para a crise, então? Como quem busca uma cartada decisiva, disse: “A grande reforma política que está para acontecer é a decisão do Supremo. Isso é uma reforma política”, disse, referindo-se ao julgamento do Supremo, que deverá acontecer no dia 3 de outubro. Freire alertou ainda que a economia brasileira pode ter conseqüências ruins por conta da crise mundial, tomando como parâmetro o déficit da balança financeira. Ele criticou também a forma como o governo conduz a votação da emenda que prorroga a CPMF: “A CPMF poderia ser um imposto interessante, caso houvesse um rateio com os estados e municípios. Do jeito que está, o PPS é contra”, declarou. Freire também falou sobre as questões da política baiana e do futuro do seu partido no Brasil. “Conseguimos superar esta última perda que nós tivemos, enfraquecendo o partido. Eu quero dizer que parece que foi para o bem. Porque o partido hoje está muito melhor do que o que estava antes, inclusive com a presença deles”, disse, referindo-se à saída dos deputados Colbert Martins e Veloso. “Nós vamos ter candidatos, coisa que nunca pensamos em ter, em algumas cidades importantes da Bahia”, concluiu. O comunista disse ainda que o seu partido sempre se posicionou com independência na Bahia, “sem se preocupar com essa idéia de linha carlista e anticarlista”. Ele lembrou também que o PPS , “entre o perde e ganha que se transformou o País”, deverá disputar as eleições de 2008 com boas condições de competição em Recife, com Raul Juggman, no Rio de Janeiro, com Denise Frossard, e em Goiânia. Embora reconheça que sempre teve um bom relacionamento com o atual governador de São Paulo, José Serra, ele disse que isso não significa compromisso para a sucessão de Lula em 2010: “O Serra não será o candidato do Sistema Financeiro. Ele tem uma visão de país até mais do que qualquer um foi agora. Mas isso não significa que nós vamos apoiá-lo, até porque não tem nada definido”, disse. (Por Evandro Matos)
Virgílio: a nova estrela do PPS
O vereador Virgílio Pacheco, que se desfiliou do PDT para entrar no PPS, disse que durante 20 anos militou no partido brizolista, ajudando a defender a bandeira da educação e na formação da cidadania. “Mas, agora, aconteceu o esgotamento de uma relação. Quando não há mais convergência, cada um procura o seu caminho”, disse. “O PPS tem valores que tem adicionado ao longo do tempo. No Congresso, por exemplo, a sua bancada é das mais competentes, mostrando coerência, sem agir com oportunismo”, elogiou. Virgílio falou também que não está entrando no partido para defender uma possível candidatura à prefeitura ou à Câmara Municipal. “O meu projeto é dentro do PPS, no espaçamento das suas idéias. Para a conscientização da sociedade, não se pleiteia mandato”, filosofou. Ao lado de George Gurgel, presidente do diretório estadual, ele recebeu elogios de Roberto Freire pela sua entrada no partido. Na oportunidade, Freire aproveitou para lançar o nome de Gurgel à prefeitura de Salvador para eleição de 2008. Esta é a primeira vez que o partido vai lançar candidato à prefeitura da capital baiana. O líder comunista revelou também que o PPS vai ter candidato em todas as cidades brasileiras com mais de cem mil habitantes, uma estratégia a ser adotada para o seu crescimento. (Por Evandro Matos)
Mudanças enfraquecem PMDB
Na ponta do lápis, é possível que, entre os 63 deputados da Assembléia Legislativa, a oposição fique apenas com 13 dos 33 que elegeu, na maior revoada partidária de que se tem notícia na Bahia. O líder da minoria, Gildásio Penedo (DEM), acredita que o STF vai votar pela cassação dos mandatos dos infiéis, que, no máximo, terão a possibilidade de voltar a seus partidos de origem – se forem perdoados. Ao contrário de Muniz, que sonha com a antiga correlação de forças, ele acha que os partidos devem receber de volta quem saiu, porque a perda do mandato “é uma medida muito dura”. O DEM, antigo PFL, que elegeu 16 deputados, ficará seguramente com nove: o próprio Gildásio, Heraldo Rocha, Paulo Azi, Clóvis Ferraz, José Nunes, Júnior Magalhães, Misael Neto, Eliedson Ferreira e Rogério Andrade. Tarcízio Pimenta, que postula a prefeitura de Feira de Santana, poderá sair apenas para garantir legenda para sua candidatura, mas seguirá oposicionista. Por outro lado, Sandro Régis, que não irá para o governo com o PR, está de malas prontas para o DEM. O deputado Ivo de Assis, também do PR, disse que apoiará a decisão da “direção partidária”. Portanto, se o PR ficar sob a presidência do senador César Borges, ele estará na oposição. Se Borges recuar da filiação, o deputado passará a obedecer às diretrizes do atual presidente, o deputado federal neogovernista José Carlos Araújo. A deputada Antônia Pedrosa (PRP), aliada dos independentes, tende ao governo, pois seu marido, Antônio Henrique, prefeito de Barreiras, já está no PMDB. A rearrumação nas bancadas é conseqüência direta do confronto PT-PMDB, simbolizado na apresentação de candidaturas distintas à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. “Para não ficar refém” do ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, como disse um deputado do DEM, o governador Jaques Wagner acelerou a busca de novos apoios na Assembléia e quer até mudar a Constituição para acabar o voto secreto. “Caminhamos, se não para um partido único, pelo menos para uma base única”, ironizou o parlamentar. Apontado até pelos adversários como um competente articulador na bancada do PT, o deputado Paulo Rangel sentencia, diante da barafunda política em que se transformou o plenário da Assembléia: “É a morte da ideologia, que acabou tragada pelo pragmatismo”. Para ele, certo artificialismo que sempre envolveu a atividade política “agora foi exacerbado”. Rangel recorda com nostalgia o tempo em que, na esquerda, havia até a divisão, que “beirava a religiosidade”, entre stalinistas e trotskistas .”Agora”, suspirou, “a gente vê o PFL indo para o PT, para o PCdoB, como se fosse a coisa mais natural do mundo”. A respeito dessa volubilidade nos meios políticos, recordou a explicação do ex-governador pernambucano Miguel Arraes, que tinha a seu lado 150 prefeitos, reduzidos a 17 depois que perdeu a eleição: “É que a gente só tinha esses 17 mesmo”. (Por Luis Augusto Gomes)
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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