BRASÍLIA - Parlamentares da oposição viram nas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que jamais fará qualquer comentário sobre o governo de seu sucessor uma referência indireta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que faz críticas freqüentes à gestão do petista.
"O presidente dá uma agulhada em Fernando Henrique e ao mesmo tempo reconhece que não terá o que sugerir ao sucessor. Ele tem receio que, no futuro, o País constate o tempo que perdeu com este governo. Fernando Henrique diz coisas com propriedade, dá sua contribuição", diz o líder do DEM no Senador, José Agripino Maia (RN).
Na avaliação do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), "um líder político que tem responsabilidades nacionais não precisa ficar calado". Sobre a declaração de Lula de que não vai deixar a política, Guerra, que coordenou a campanha do tucano Geraldo Alckmin à presidência da República, em 2006, considera "provável" que o presidente tente voltar ao poder nas eleições presidenciais de 2014.
Agripino e Guerra ironizaram o comentário de Lula de que se sente "muito tranqüilo" diante das suspeitas de corrupção que recaem sobre ex-integrantes de seu governo e ex-dirigentes do PT. "Ele está tranqüilo, porque, quando vê a acusação crescer, abandona o companheiro e faz de conta que nunca o conheceu. O presidente tem uma singular capacidade de autopreservação", diz o líder do DEM. "Quando o prejuízo é grande, ele sai de perto", reforça Sérgio Guerra.
Embora tenha ressalvado que não interpretaria as palavras do presidente, o deputado petista Henrique Fontana (RS) disse que Lula, depois de deixar o governo, não assumirá "postura arrogante de quem quer julgar o sucessor". "Um ex-presidente tem que ficar numa posição, mas, estar disponível para uma consulta, tem que ter mais ponderação, mais equilíbrio. O Fernando Henrique Cardoso tem uma dificuldade enorme de conviver com a função de ex-presidente, tem sido exageradamente opinativo. Acho que ele se incomoda com os resultados positivos do governo Lula", afirmou Fontana.
O petista disse que, na política, Lula poderá exercer vários papéis, depois que deixar o governo. "Ele gosta de política e pode servir como uma espécie de conselheiro, pode voltar a assumir a presidência do PT ou alguma função em um organismo internacional. São hipóteses. O presidente vai sair com grau de credibilidade internacional enorme e com uma experiência e um aprendizado bastante singular", diz Fontana.
Assim como Lula, o deputado evitou falar na possibilidade de o presidente disputar a presidência em 2014. "Eu fui contra a resolução do PT que citou a sucessão de 2010, quando ainda faltam dois anos e meio para as eleições, imagine falar em 2014", afirmou o deputado gaúcho.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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