sábado, setembro 15, 2007

Estou publicando estas duas materias para que alguns aculturados de Jeremoabo entendam o que significa liberdade de expressão


A INUTILIDADE DO SENADOPor SOARES 13/09/2007 às 16:38
A absolvição de Renan Calheiros, muito mais do que um ato de cumplicidade e de covardia de 46 senadores, se constituiu numa gigantesca tolice. A desnecessidade desta instituição republicana, que antes do julgamento em plenário já era nítida, ficou ainda mais evidente,e reforçou a crença de que, por inútil, deve ser extinto.
O Congreso afunda junto com seu presidente.
A INUTILIDADE DO SENADO A absolvição de Renan Calheiros, muito mais do que um ato de cumplicidade e de covardia de 46 senadores, se constituiu numa gigantesca tolice, pois jogou , agora sim , o Senado numa crise permanente. A desnecessidade desta instituição republicana, que antes do julgamento em plenário já era nítida, ficou ainda mais evidente, com o resultado deste.Ao optar por absolver o seu presidente, o Senado se auto-condenou, e reforçou a crença de que, por inútil, deve ser extinto. . O resultado já era, de certa forma, esperado, tendo em vista a que a maioria dos senadores são oriundos de estados pequenos, extremamente dependentes do governo federal, e com uma massa de eleitores pouco afeita às questões que agitam Brasília e costumam indignar a opinião pública das grandes centros do sudeste e do sul. Para estes senadores, o que importa é o sentimento predominante nos rincões onde eles amealham seus votos. Dificilmente um político corrupto de um destes estados é punido por seus eleitores. A estes senadores, formados na cultura do clientelismo e do fisiologismo, é mais importante a fidelidade com a corporação da qual fazem parte, não importando o tipo de compromisso, do que a fidelidade com a República, a Constituição e a democracia. É através destes compromissos que acordos são acertados, cargos são oferecidos, parcelas de poder são distribuídas e vantagens são amealhadas. Além disso, durante todo este processo contra Renan, pairou no ar um clima de terror, de ameaças veladas e de chantagem. É sabido que o presidente do Senado tem conhecimento profundo sobre a vida, digamos, pouco republicana de boa parte de seus colegas. Negócios escusos com empresas que atuam na área pública, concessões de rádio e de TV, controle de feudos na administração federal e nos seus estados, e até a existência de amantes sustentadas com dinheiro público, fazem parte do cardápio de muitos daqueles senadores que, sob a luz dos holofotes costumam adotar um discurso moralizador. Sabe-se, por exemplo, que na sessão secreta de quarta feira Renan usou e abusou da tática do amedrontamento contra seus possíveis algozes.. Dois deles ? Pedro Simon e Jefferson Peres ?, campeões do moralismo, ouviram, calados, insinuações maldosas de Renan contra eles. Mas tudo isto não teria sido decisivo no placar final do julgamento, não fosse a atuação de Lula e do PT. Aparentemente distante da crise, como é de seu feitio, Lula agiu como nunca. Colocou a tropa de choque petista, comandada por Ideli Salvatti e Aloizio Mercadante, em defesa do senador alagoano. O argumento usado pelos petistas era de que se tratava de uma tentativa de golpe da oposição no Senado. Funcionou. Ao final,viu-se que os votos dos petistas foram fundamentais. Livrou o presidente do Congresso da morte política mas não tirou a corda de seu pescoço. Continua com a vida por um fio, refém da vontade de Lula e do PT. Dentro deste contexto, é importante para o governo petista manter o Senado enfraquecido, dividido, com o seu presidente desmoralizado e subjugado pelo Planalto. Não se sabe quais são os planos futuros de Lula e do PT, mas são fortes os indícios de que pretende pavimentar o caminho para um terceiro mandato.E, para isto, ter o PMDB de Renan como aliado é importantíssimo. Em que pese a ajuda de Lula e a cumplicidade da maioria de seus pares, a agonia de Renan não terminou. Existem contra ele mais duas representações protocoladas no Conselho de Ética, além de mais uma nova denúncia nos meios de comunicação.Mesmo que uma hipotética onda cívica e ética tome conta da Casa, e leve o seu presidente à cassação num dos dois processos que restam, a capacidade de recomposição do Senado está definitivamente comprometida. Enfraquecido, dividido ao meio,com a maioria dos seus membros sob a ira da opinião pública, com o seu presidente moralmente condenado e politicamente nas mãos do presidente da República, o Senado é, a partir de ontem, um cadáver insepulto. Tal quadro reforça, mais do que nunca a necessidade de uma reforma política, na qual a extinção do Senado e a instituição de um parlamento único com um número de representantes reduzido à metade do atual existente na Câmara dos Deputados, seria a prioridade máxima. Tal reforma, é óbvio, teria que ser precedida por um amplo debate e por uma intensa campanha de esclarecimento e de convencimento da sociedade. Seria prudente,portanto, sob risco de atender a outros objetivos que não o fortalecimento da democracia, que ela acontecesse na próxima legislatura e no próximo mandato presidencial. Lula e o atual Congresso já se desmoralizaram definitivamente mergulhados na lama de sucessivos escândalos. Não têm condições política e moral para promover reforma alguma.Quando Renan , ao comentar a sua absolvição, disse que tinha sido ?a vitória da democracia?, é que se entende melhor qual o conceito que esta gente tem de democracia. 120907
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Comentários
Todos farinha do mesmo saco!
cmte.othmar thomaz ility 13/09/2007 20:35
A absolvição de Renan Calheiros não tem nada de absurdo e incompreensível, pois no Senado Federal todos trabalham juntos para esconder a sujeira da mentira institucional chamada "Democracia brasileira". É só roubalheira generalizada. Até a oposição por lá é de mentirinha, um verdadeiro faz de contas apenas para fazer número e se dizer combativa em prol dos interesses da sociedade brasileira. É tudo combinado, uma representação teatral de quinta categoria ou seja: -Vc hoje é oposição, amanhã é situação! Um teatrinho ridículo que só convence gente que acredita no PAPAI NOEL E NA FADA MADRINHA! É tudo dinheiro e mais dinheiro, nada mais. Para o "povo" somente a desesperança e migalhas!
Fonte: CMI Brasil

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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