Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Regra centenária na imprensa é de que não devemos brigar com a notícia. Nos tempos atuais, porém, trata-se de norma fartamente esquecida. Não raro o jornalista e o dono do jornal insurgem-se contra os fatos, transcendendo das lamentações e críticas muitas vezes justas para um choro que seria cômico se não fosse trágico. Porque poder lamentar e criticar atos e fatos acontecidos é da essência da democracia. Mas negar o que se passou fica apenas ridículo.
O Senado absolveu Renan Calheiros. Essa é a notícia, aberta a reparos e condenações posteriores, mas jamais sujeita a negativas de sua própria natureza. Torna-se perfeitamente lícito que parte da mídia verbere a decisão dos senadores, mas parece infantil a saraivada de vitupérios sobre eles e contra a instituição. Melhor seria que provassem o erro da absolvição, se conseguissem.
O que não dá para aceitar é ver os senadores chamados de covardes, mortos-vivos, traidores e sucedâneos por conta do voto exarado. A crítica tornou-se pranto dos derrotados, especialmente daqueles que até no dia da votação divulgavam informações erradas e distorcidas quanto ao seu resultado.
Um pouco de humildade não faria mal a ninguém, em especial por parte dos que imaginam a opinião pública como sendo a opinião publicada. E, pior ainda, a sua opinião, tanto faz se pessoal ou de grupos. A conseqüência aí está: desmoralização para quantos se imaginaram donos da verdade absoluta, aquela que não admitia alternativas mas terminou desmentida.
A validade das abstenções
As abstenções fazem parte dos costumes e do Direito. Quantas vezes juízes e ministros dos tribunais superiores abstêm-se de se pronunciar sobre determinadas causas, sob motivos diversos? Há muito que o voto em branco se encontra institucionalizado nas eleições, mas, não contente com isso, o legislador previu, também, a abstenção. Da mesma forma, diante de conflitos virulentos entre o pai e a mãe, não costuma o filho abster-se de dar razão a um ou a outra?
Não dá para entender, assim, por que tanta violência contra os seis senadores que se abstiveram de votar pela cassação ou pela absolvição do presidente do Senado. Sabiam que abstendo-se estavam se pronunciando contra a condenação, mas era direito deles agir como agiram. Insurgiram-se aqueles que exigiam dos senadores nada menos do que a sentença condenatória, precisamente por isso. Queriam a condenação, frustraram-se diante dela e agora buscam culpados para sacrificar no altar da intolerância.
Lição para o futuro
De todo esse grotesco episódio envolvendo o senador Renan Calheiros, várias lições podem ser colhidas, mas a principal é a mais simples: homens públicos, em especial, devem fugir de pistoleiras. Confundir o exercício do poder com a prática do amor ou até da simples paixão é o diabo. Dá no que deu.
Não há coisa mais maravilhosa do que uma criança, mas a sua geração precisa estar na dependência de duas vontades. Quando apenas uma toma a decisão, ainda mais através de artifícios, trata-se da negação do sublime, em favor do abominável. Por certo que o fruto dessa chantagem nada tem a ver com ela, devendo ser preservado, cuidado e amado.
Unanimidade
É unânime, no Senado, a previsão de que, livre do primeiro processo, o senador Renan Calheiros não deve preocupar-se com os seguintes. Dos senadores Renato Casagrande e Álvaro Dias, oposicionistas, aos senadores Almeida Lima e Wellington Salgado, aliados a Renan, concordam todos: o presidente do Senado saiu fortalecido da votação de quarta-feira, enfraquecendo em conseqüência as demais acusações contra ele. O mais provável é que o Conselho de Ética mande tudo para o arquivo.
Agora, se denúncias surgirem contra outros senadores, por exemplo, por comandarem emissoras de rádio e televisão, ou por ligações perigosas com empreiteiras, a conversa será outra. A bruxa pode estar solta.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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