terça-feira, fevereiro 26, 2008

30 homicídios em Salvador e RMS

Por Silvana Blesa
A violência continua crescendo na Capital e Região Metropolitana. A Central de Telecomunicações da Polícia Civil e Militar (Centel) registrou desde a última sexta-feira até a madrugada de ontem, 30 homicídios. As mortes aconteceram nas periferias da cidade e região metropolitana. As vítimas foram executadas a tiros, facadas e um corpo achado carbonizado. Somente na noite de domingo 10 pessoas foram assassinadas a tiros, entre eles, três duplos homicídios. As Delegacias responsáveis pelos bairros onde aconteceram as mortes, investigam os assassinatos, porém, até o fechamento desta edição nenhum agressor foi preso. Empossados recentemente, o novo delegado chefe Joselito Bispo e o Secretário de Segurança Pública, César Nunes, estão articulando ações para dar combate à criminalidade, embora o número de homicídios continue em alta. O primeiro duplo assassinato aconteceu por volta de 21 horas de domingo no bairro de Boa Vista de São Caetano, na Rua 22 de Março. O pedreiro Cléber Noronha dos Santos, de 26 anos, foi a um bar para comemorar o resultado do BA x VI e receber uma caixa de cerveja como prêmio de uma aposta. No momento em que ele se juntava a um grupo de amigos próximo ao bar, quatro homens apareceram num carro modelo Gol e dispararam vários tiros contra as pessoas que estavam nas proximidades do estabelecimento. Houve correria e todos tentaram se proteger das balas. Mas Cléber não conseguir se salvar e morreu ao dar entrada no HGE. Já o estudante Ubiratan Ferreira Salvador, 20, que também tentou escapar, foi executado barbaramente com 20 tiros pelos homicidas quando tentava subir uma escadaria da Rua Vila Eraldo. Outras três pessoas que transitavam na rua foram baleados: José Jorge dos Santos, 50, Osmar de Jesus dos Santos e Agnaldo Dias da Silva, ambos com 38 anos, foram socorridos para o HGE e não correm risco de vida. Josilda Santos de Noronha, tia de Cléber, contou que ele morava nos fundos de sua residência. “Meu sobrinho estava recém-casado. Assim que chegou do trabalho, tomou banho e saiu para festejar a vitória de seu time e tomar umas cervejas para comemorar a aposta. Menos de dez minutos, escutei os tiros e gritos. Quando tudo passou fiquei sabendo que ele estava baleado”, desabafou. Josilda ainda disse que o pedreiro, era trabalhador e nunca esteve envolvido com a criminalidade. Para ela, seu sobrinho foi morto por engano. A proprietária do bar Lucidalva Souza, disse que os rapazes não chegaram nem a entrar no estabelecimento. “Enquanto eles estavam numa esquina conversando, os homens já chegaram atirando. Alguns até se esconderam dentro do bar, mas o crime não aconteceu aqui dentro”, esclareceu. Os moradores da localidade informaram não conhecer o estudante Ubiratan, e algumas pessoas até revelaram que os tiros foram direcionados para ele. Segundo testemunhas, o jovem correu, mas foi alcançado pelo bando e alvejado. A polícia esclareceu que os disparos foram feitos de arma calibre P. 40 e 9 ml, consideradas uso restrito das forças armadas. A delegada plantonista da 4ª D.P. (São Caetano), Ana Rosa, afirmou que os homicidas podem ter confundido os rapazes, pois as vítimas nunca estiveram envolvidas com a criminalidade. Ela ainda revelou que o alvo seria um traficante.
Jovem é executado a tiros
; No Engenho Velho de Brotas, na Rua Padre Luís Figueira, o jovem Silvonei Machado dos Santos, de idade não revelada, morreu depois de ser atingido com tiros na Rua Antônio Balbino, por volta das 2h50. A vítima chegou a ser levada para o Hospital Roberto Santos, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito por volta das 7h20 de ontem. No bairro de Águas Claras, Moacir Rocha dos Santos, 36, foi atingido com tiros na Rua José Souza, morrendo no local por volta das 21h50. Risaldo José da Silva Júnior, 31, também foi executado na Estrada das Barreiras e morreu no Hospital Roberto Santos depois de receber atendimento. O crime aconteceu por volta das 20h40. José residia na Rua Valdique Cirne do bairro de Mata Escura. Outro assassinato chocou os moradores da Avenida San Martin: Jorge Fernandes Santos da Costa, 24, foi executado no local com vários tiros às 23h30. Ele residia na mesma Avenida nas proximidades do Largo do Tanque. A delegada Sônia Maria Cerqueira da Delegacia de Homicídios situada no Complexo dos Barris, expediu as guias de remoção e investiga o assassinato.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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