terça-feira, fevereiro 26, 2008

ACM Neto lança candidatura em março

“Salvador quer um projeto que sinalize para o futuro, quer ambicionar novas conquistas, e não ficar presa ao dever de casa. Por isso, estamos construindo um plano de atuação para oferecer à cidade, e isso se faz com trabalho sério, falando a verdade e tendo coragem de enfrentar certos interesses”. A declaração de candidato a prefeito é do deputado federal ACM Neto (DEM), que ontem foi à Assembléia Legislativa gravar uma entrevista no canal de TV da Casa e falou também à Tribuna. Recém-eleito líder do seu partido na Câmara dos Deputados, ACM Neto, ao tempo em que cuida de organizar a atuação da bancada em torno de temas nacionais, a exemplo da reforma tributária, mergulha na sucessão municipal. Todo final de semana, percorre bairros populares, como Lobato, Valéria e São Cristóvão, e garante que ouve palavras de estímulo à candidatura. “É claro que são visitas de trabalho. Estamos fazendo um diagnóstico nesses bairros e eu estou muito preocupado com a situação, pois a ausência do poder municipal exige do próximo prefeito uma intervenção muito forte para recolocar a cidade no eixo”. Embora o Democratas tenha decidido lançar o candidato no dia 27 ou 29 de março – respectivamente aniversários do partido e da cidade –, ACM Neto entende que somente em junho, com as convenções, é que o quadro permitirá “uma avaliação de quais são as candidaturas para valer e como os partidos vão se organizar”. Para ele, por ora pode-se dizer que “é grande a indefinição, existindo alguns nomes competitivos, com chance de chegar ao segundo turno”. Nas suas andanças pela capital, o parlamentar diz cumprir “a incumbência” que lhe deu o presidente do partido, o ex-governador Paulo Souto, “de cuidar de perto desse projeto de reconstrução da cidade”. O DEM está fazendo uma pesquisa eleitoral de “consumo interno” para orientar sua estratégia, cujos números não serão divulgados. Enquanto isso, baseia-se na projeção de intenção de voto feita pelo Datafolha em dezembro, que apontou na liderança o radialista Raimundo Varela, (19%), seguido pelo prefeito João Henrique (16%), ACM Neto (15%) e os ex-prefeitos Antonio Imbassahy (12%) e Lídice da Mata (9%). (Por Luis Augusto Gomes))
Dúvida sobre o governador
O deputado ACM Neto não se limitou à cena municipal e disse que “Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo estão recebendo mais” do governo Lula que a Bahia, o que contraria a expectativa criada de que “o alinhamento dos governos estadual e federal transformaria o Estado num canteiro de obras, num celeiro dos projetos mais arrojados do país”. Para ele, fica uma dúvida: “Será que aquele prestígio do passado não é o mesmo do presente ou será que falta competência de gestão e de formulação de bons projetos?” Analisando o primeiro ano do governo Jaques Wagner, o parlamentar criticou os “problemas na prestação de serviços nas áreas essenciais, mais sensíveis do Estado”, apontando “a greve histórica dos professores, o aprofundamento da crise na saúde e especialmente a segurança pública, que não está preservando a vida do cidadão”. “Eu tenho andado nos bairros”, completou, “e esse é o problema número um. As pessoas não conseguem mais andar nas ruas à vontade, seguras”. Na visita à Assembléia, ACM Neto teve uma reunião com os deputados estaduais do DEM e outros aliados “para, como líder na Câmara, apresentar a estratégia nacional do partido e poder sintonizar as ações das bancadas federal e estadual”. Um dos temas em foco é a reforma tributária. “A idéia é ter um discurso só em relação, por exemplo, a possíveis perdas na Bahia e também apontar as diferenças no que o governo Wagner diz nacionalmente e na Bahia sobre a reforma”. (Por Luis Augusto Gomes))
Empossados os novos desembargadores
O Tribunal de Justiça da Bahia empossou no final da tarde de ontem os quatro novos desembar-gadores eleitos na sessão do Pleno do último dia 22, quando foram escolhidos por antigüidade Clésio Rômulo Carrilho Rosa e Maria das Graças Pimentel Leal, e por merecimento, Ailton Silva e Waldemar Ferreira Martinez. A solenidade de posse foi comandada pela presidente do TJ-BA, desembargadora Silvia Carneiro Zarif. Após a rápida leitura do termo de posse, a presidente do TJ-BA encerrou a sessão, iniciando-se nesse momento os cumprimentos aos novos desembargadores. Diferente do dia da eleição, quando recebeu quatro votos contrários, destacando-se os dos desem-bargadores Paulo Furtado e Silvia Zarif, que fizeram restrições antes de revelarem os seus votos, o novo desembargador Clésio Rômulo Carrilho Rosa foi o mais cumprimentado ontem. Do início ao fim da solenidade, juízes, advogados, funcionários do judiciário e amigos fizeram fila para felicitá-lo. Emocionado, Clésio Rosa atendia a todos e custou a reportagem chegar até ele. “Muito obrigado pela força e pela amizade. Essas presenças vão me incentivando”, dizia ele após cada abraço. Sem demonstrar qualquer rancor, o desembargador Clésio Rosa, que assumiu na vaga da desembargadora Zaudith Santos, disse que vai “encarar a nova missão com serenidade” e recorreu a Deus para definir o seu futuro. “Deus é grande. A parte espiritual suplanta qualquer coisa”, disse. Num rápido intervalo de cumprimentos, ele parou para atender à nossa reportagem. “Queria agradecer, antes de Deus, à minha família e aos meus amigos. E dedicar esta conquista a quatro pessoas muito importantes, porque foi conseqüência do meu convívio com elas que eu resolvi ser juiz”, declarou. Perguntado sobre as quatro pessoas, ele enumerou: “Paulo Fontes, primeiro condenado à prisão perpétua pela ditadura militar; Teodomiro Romeiro dos Santos, primeiro condenado à pena de morte no Brasil pela ditadura militar, hoje juiz de Trabalho em Recife; José Campos Barreto, o Zequinha, morto ao lado de Carlos Lamarca; e o próprio Carlos Lamarca. Foi agindo com eles na clandestinidade que fui preso. E na prisão, eu decidi isso”, revelou. A desembargadora Maria José Pimentel Leal, que veio da 42ª Vara de Substituições de Salvador e assumiu no lugar do desembargador Benito Figuei-redo, disse que era com muita alegria que estava chegando à nova função. “Mas é muito contida (a alegria), pois existe o peso da responsabilidade. Mas seguirei os mesmos princípios que conduziram toda a minha vida profissional”, disse. Presente à solenidade, o presidente da OAB – Secção - Bahia, Saul Quadros, disse que sempre defendeu a nomeação de mais desembargadores para o Tribunal. (Por Evandro Matos)
PPS confirma afastamento do governo municipal
Um documento assinado pelas executivas estadual e municipal do Partido Popular Socialista (PPS), presididas respectivamente por George Gurgel e o vereador Virgilio Pacheco, reafirma a decisão tomada no Congresso realizado no final da semana passada, quando a legenda decidiu retirar o apoio à administração do prefeito João Henrique (PMDB) e lançar o nome do ex-vereador e ex-secretário de Transportes do município, Miguel Kertzman, para disputar a prefeitura de Salvador. No documento, os pós-socialistas enumeram algumas questões defendidas pelo partido que o prefeito João Henrique não atendeu, como a implantação do Conselho Político, que levou a administração “à centralização das decisões”. Não diferente dos outros partidos que já se afastaram do governo, o PPS também critica o processo de aprovação do PDDU, “que revelou a maneira conservadora de fazer política”. No documento, o partido invoca ainda a sua autonomia, “comprometendo-se a fazer parte de uma perspectiva de desenvolvimento sustentável para a nossa capital”, e considera que “o prefeito isolou-se em relação aos partidos que compuseram a sua base de apoio original”. Com esta decisão, o partido vai trabalhar unido pela pré-candidatura do ex-vereador Miguel Kertzman, lançada durante o Congresso realizado na semana passada. (EM).
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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