segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Mistificação, incompetência, subserviência da Dívida externa e interna

Por: Helio Fernandes

Estão tentando mostrar que o Brasil é agora "País credor", que isso é um "salto" positivo, fazem força enorme para mostrar que o importante é "zerar" essa dívida, a interna não teria a menor importância. Mistificação, incompetência e uma parte muito grande de desinformação.
Não posso abandonar o assunto, escrevo sobre ele há 50 anos, desde os tempos do Diário de Notícias. E sem complicação, vou mostrando ao cidadão-contribuinte-eleitor, os fatos verdadeiros.
1 - Exatamente há 50 anos revelei: a DÍVIDA externa vem desde a falsa "independência" de 1822. Portugal devia à Inglaterra, esta só concordou com a "independência", se o Brasil assumisse a "dívida". Assumimos, claro, somos os "trouxas" de sempre.
2 - Só um presidente se negou a RENEGOCIAR essa DÍVIDA. Foi Prudente de Moraes, em 1896. Não reconhecia a dívida, portanto não havia o que renegociar. Mas depois dele veio Campos Salles, foi a Londres, andou pela zona financeira, (a Old Bond Street") em carro aberto, fez uma das renegociações mais aviltantes.
3 - Antes e depois de Prudente, todos cumpriram as ordens de fora, servos, submissos e subservientes. E a DÍVIDA crescendo.
4 - Em 40 anos, de 1960 a 2000, a DÍVIDA passou de 1 BILHÃO de dólares, para 240 BILHÕES. O que fizemos com esses 239 BILHÕES?
5 - Nesse tempo, ainda não havia DÍVIDA interna.
6 - Além do crescimento espantoso dessa DÍVIDA, em 40 anos pagamos mais de 600 BILHÕES de juros. Assalto em cima de assalto.
7 - Agora vem o presidente Lula, e diz com o entusiasmo que o caracteriza: "Zeramos a dívida".
8 - Não "zeramos" nada, nem temos como "zerar".
9 - Uma parte é privada, o governo não pode intervir.
10 - A outra parte depende dos credores, QUE NÃO QUEREM RECEBER.
11 - Não é absurdo dizer que não querem receber? É a pura verdade, vou citar porque.
12 - Os 183 BILHÕES do governo, estão em bancos da Suíça, "rendendo" 1 por cento ao ano.
13 - Os 178 a que a DÍVIDA foi reduzida hoje, são remunerados pelo Brasil a 4,35 ao ano. Como os donos dos bancos são os mesmos, se recebessem, perderiam 3,35%.
14 - E a dívida está garantida, o dinheiro brasileiro está seqüestrado. Pois essa dívida é roubo e seqüestro do trabalho do povo brasileiro.
15 - Perguntinha ingênua, inútil, inócua: como é que os governos brasileiros conseguiram esses 182 BILHÕES de dólares? Lógico, desperdiçando o produto do trabalho brasileiro.
16 - Vem o senhor Delfim Netto e diz: "Essa dívida externa só podia ser liquidada através da exportação".
17 - Como é que Delfim Netto foi ministro da Fazenda em 3 governos dizendo uma tolice como essa?
18 - Os países só fabricam dólares com exportação, com exceção dos EUA, que "emitem" à vontade.
19 - O grande problema sem solução à vista é a DÍVIDA INTERNA. Começou em 1992, FHC recebeu-a em 62 BILHÕES. Deixou-a em 800 BILHÕES.
20 - E nesses 8 anos de retrocesso, pagou de juros, mais de 600 BILHÕES.
21 - Não esquecer: FHC elevou os juros a 46 e até 48 por cento, crime de lesa-pátria.
22 - Com as reduções feitas por Lula, estamos pagando 150 BILHÕES de juros por ano.
23 - "Economizam" 90 BILHÕES por ano, o máximo que conseguem. Os outros 60 BILHÕES fazem a DÍVIDA crescer ininterruptamente.
24 - Quero ver se alguém me desmente: se algum dia o juro chegar a 5 por cento (jamais chegaremos) a DÍVIDA estará entre 2 bilhões e meio e 3 trilhões, teremos que pagar, miseravelmente, no mínimo 120 BILHÕES.
PS - E não esquecer: de 1940 a 1950, o Brasil teve saldo externo ALTÍSSIMO. Como o governo tinha que pagar aos exportadores, o ditador Vargas mudou a moeda para cruzeiro.
PS 2 - Incompetentes sempre consideram que a "culpa" é da moeda.
Chico Pinto
Das mais extraordinárias figuras do seu tempo. Resistente em vida, completamente esquecido na morte.
O ministro Carlos Ayres Brito, reescreveu a Primeira Emenda, num português maravilhoso. Será o início da R-E-N-O-V-O-L-U-Ç-Ã-O?
As montadoras estão felizes e revelam: "O financiamento de carros chegou a 110 bilhões". Deviam agradecer aos bancos. Estes só emprestavam com garantia imobiliária. O credor não pagava, tomavam o imóvel.
Esses bancos descobriram: o credor que deu o carro como garantia, fica sem ele se não pagar duas ou 3 prestações. Estão emprestando em parcelas tão longas que o carro acaba antes. O comprador do carro quer pagar em 2 ou 3 anos, o banco propõe 60 meses ou mais.
A Vale cismou que tem que comprar a Xstrada, controlada multinacionalmente como a própria Vale. Quer 90 bilhões, uma parte em ações preferenciais com direito a voto. Ainda dizem, "a Vale é brasileira".
Podem acreditar, nenhuma dúvida: o PSDB que tem 2 candidatos presidenciais abertos e transparentes, Serra e Aecio, tem mais um, FHC que coordena intensamente para obter a legenda.
FHC trabalha "para não cindir o PSDB, com dois candidatos fortes". Se tiver sucesso, será o primeiro candidato com 79 anos. (Em 2010.)
Os Estados Unidos perderam na quinta-feira, um quadrimotor mais poderoso e mais caro do mundo. Custa 1 bilhão e 200 milhões de dólares. Eles possuem 600 desses, ou seja, 720 bilhões.
Lógico, não estava no seguro, nenhuma empresa agüentaria. Lógico, a não ser as seguradoras brasileiras, potências.
A foto de Roberto Stuckert filho no Globo de ontem, é um líbelo e a demonstração da mais completa falta de autoridade.
Centenas de caminhões com milhares de toras arrancadas com o desmatamento. Única solução: Ministério da Amazônia.
Logo que anunciaram que Sarney tiraria 4 meses de licença do Senado para escrever um livro, disse aqui: "Sarney passa de ativista a estrategista, nunca precisou de licença para escrever.
Nenhum mérito, talento, poder de análise, apenas constatação do óbvio. Só que "eu vi" no mesmo dia, o que todos repetem. E mais: Sarney comunicou o fato a quem devia saber dele.
Aldo Rebelo está espalhando que é candidato a prefeito de SP, apenas fingimento. Ele tem a legenda (PC do B) mas não tem votos.
Sua grande jogada em 2006, era ser vice de Serra. Mas o ex-ministro, vencedor por antecipação, preferiu outro ex-stalinista.
A preferência de Serra foi para Alberto Goldman, que como Aldo, só pode chegar a algum lugar através de uma vice.
Vice não disputa, não precisa de voto. Foi escolhido apesar de ser do mesmo partido de Serra. Destruiu o sonho de Aldo Rebelo.
Sérgio Cabral continua desinformado. Foi à posse de Edson Santos como ministro, convencido que agora, sem candidato, o PT-PT vai apoiar o candidato do PMDB. Dois equívocos.
Aécio não será vice de Serra de maneira alguma. E como o coordenador dessa aliança aparentemente é Delfin Netto, nenhuma chance de vingar. Além do passado que condena, Delfin está no ostracismo total.
O importante é saber: Aécio poderá sair do PSDB para o PMDB sem contrariar a "legislação" escrita pelo Tribunal Superior Eleitoral? Apesar de ter exorbitado, que palavra, o TSE mudou as regras.
Há 15 dias, quando surgiu a idéia da CPI dos cartões, expliquei aqui: a CPI não interessa nem ao PSDB nem ao PT-PT ou PMDB, e portanto não haverá. Ou pode haver, sem atingir governo e oposição.
É o que está acontecendo com a colaboração irrepreensível do senador Jucá. Foi líder de FHC, é líder de Lula, quem pode contestá-lo?
A morte de Chico Pinto, figura notável e fora de série, foi quase que totalmente desconhecida. O único que escreveu sobre esse resistente de todas as horas, foi Sebastião Nery, aqui mesmo nesta Tribuna.
A Folha deu uma notinha "lá dentro", mínima e assim mesmo cheia de erros. Um deles: "Chico Pinto foi cassado em 1974 e se elegeu novamente em 1978". Barbaridade.
Nenhum cassado pela ditadura, disputou eleição antes de 1982. Muito simples. A anistia foi dada em 1979, a primeira eleição depois disso foi a de 1982. Quem disser o contrário, desinformado.
Chico Pinto criou a palavra "autêntico", exaltou-a a vida inteira. Numa época em que só existiam dois partidos, a Arena e o MDB, se dizia sem um pingo de inverdade: "Um é o partido do SIM, o outro do "SIM, SINHÔ". Eram quase iguais.
Com Chico Pinto e alguns poucos, surgiu dentro desse MDB, um outro partido verdadeiro, que foi o MDB dos AUTÊNTICOS. Que em 1974 elegeu 16 senadores em 22.
XXX
O Brasil surrealista até no futebol. 32 anos depois do Estado da Guanabara deixar de existir (por vingança do "presidente" Geisel contra o povo que só votava na oposição), disputou-se o título desse estado insistente.
A partir dos 15 minutos do segundo tempo, o jogo foi totalmente truncado pelo juiz. Ele marcou um pênalti que não houve, pode até ter havido falta, não apenas uma, mas várias, o "agarra-agarra", foi total.
E aí praticamente foi decidido o jogo. Por causa de indisciplina e falta de categoria do Souza, dois jogadores do Botafogo, Lucio Flavio e Zé Carlos levaram cartões injustos. Quando levaram os cartões amarelos justos, esses já eram vermelhos. Só o Souza merecia o cartão vermelho.
Com 9 jogadores contra 10 do Flamengo ninguém acreditava em vitória e sim em pênaltis. Mas já nos descontos, o Flamengo faz um gol "psiquiátrico", que lhe deu a vitória, que assim, foi e é Campeão da Taça Guanabara. Nada contra a vitória do Flamengo, tudo contra a incompetência do juiz. Devia haver expulsão do juiz. A "regra não é clara", Arnaldo Cesar Coelho?
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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