sexta-feira, fevereiro 29, 2008

PDT volta aos braços de João Henrique

Depois de intensas conversas em Brasília, o PDT finalmente decidiu retornar aos braços do prefeito João Henrique (PMDB). Ontem, o partido brizolista bateu o martelo após uma tensa reunião da Executiva Estadual realizada no escritório do deputado federal Severiano Alves, presidente regional da legenda, que proporcionou um resultado com seis votos favoráveis e três contrários. Votaram contrários, além do deputado Roberto Carlos e do secretário-geral Alexandre Brust, o vereador Gilberto José. O deputado Roberto Carlos, que teve de deixar a reunião antes do seu encerramento para um compromisso em Juazeiro, questionou as vantagens que o partido teria em voltar ao governo municipal. Ele disse que foi voto vencido, mas condicionou a sua posição à não indicação de Carlos Soares para a secretaria de Educação, cargo oferecido ao partido pelo prefeito João Henrique. “Eu sugeri o nome do professor Joviniano Neto, que tem referência dentro do partido. Imagine a gente entrar no governo e não botar uma pessoa do PDT?”, questionou o parlamentar, afirmando que o nome indicado pela corrente que negociou a volta ao governo não é filiado ao partido. Já Alexandre Brust, que vinha resistindo para que o partido não retornasse ao governo municipal, disse que estranhou a ausência do vereador Odiosvaldo Vigas na reunião e que aceitou o resultado porque é partidário. “Se eu defendo o estatuto, eu não posso apoiar um infiel”, disse, referindo-se à saída de João Henrique do PDT para o PMDB, em maio do ano passado. Para Brust, voltar ao governo não significa apoiar o projeto de reeleição de João Henrique. “A volta do partido à base de apoio do prefeito é um aceno, mas não é um fechamento de questão”, disse. As conversas para o partido voltar à base de apoio do prefeito João Henrique vinham sendo feitas em Brasília com o ministro Carlos Lupi, também presidente nacional do PDT. Da Bahia participavam das conversas o presidente regional, Severiano Alves, o senador João Durval e os deputados Marcos Medrado e Sérgio Brito. Pressionado por setores do partido que não aceitavam o retorno ao governo municipal, Severiano justificou que “não gostaria de contrariar o ministro Lupi, que tinha interesse no retorno”. Severiano alegou ainda que Lupi lhe transmitiu a preocupação do PDT marchar unido com um partido da base aliada do governo federal, atendendo a uma preocupação do próprio presidente Lula. “Cargos não são o problema”, declarou Severiano para explicar qualquer insinuação. Contudo, segundo Alexandre Brust, “ainda não se sabe a reação da militância com a decisão”. Ontem, a reunião estava marcada para a sede do partido, na Mouraria, mas foi deslocada à última hora para o escritório do deputado Severiano Alves, no Caminho das Árvores. Na sede, alguns militantes se fizerem presentes, mas o clima era de tranqüilidade. (Por Evandro Matos)
Relatório final é entregue ao Ministério Público
O relatório definitivo da CPI da Ebal foi entregue no início da tarde de ontem, na sede do Ministério Público Estadual (MPE), em Nazaré, pelos deputados estaduais Arthur Maia (PSDB) e Zé Neto (PT) ao procurador geral da Justiça em exercício, Emenergildo Queiroz. O documento tem 234 páginas, 32 depoimentos ouvidos e 14 quebras de sigilo bancário. O parecer e os autos investigativos, contendo mais de 50 mil documentos analisados durante onze meses pela relatoria da CPI, uma das poucas concluídas em todo país, servirão para nortear as medidas judiciais adotadas pelo MPE. O presidente da Comissão, Arthur Maia (PSDB), e seu relator, Zé Neto (PT), afirmaram que foram utilizadas informações do Tribunal de Contas do Estado e da Auditoria Geral do Estado para a elaboração do documento. Para o deputado Zé Neto, relator da CPI, o sentimento é de missão cumprida. “Tecnicamente fizemos um belo trabalho e entregamos um relatório subs-tanciado e que vai dar respaldo para que o Ministério Público prossiga as investigações e puna os culpados”, disse. Ao receber a documentação, o procurador geral em exercício informou que na próxima segunda-feira, tomará as medidas para a distribuição do processo ao grupo de promotores que será responsável pela continuidade das investigações e encaminhamento das ações jurisdicionais indicadas no parecer. Além do material entregue ontem, referente a quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, outros documentos serão encaminhados ao MP na medida em que forem recebidos pela Assembléia. Zé Neto afirmou que com a entrega do relatório ao Ministério Público, a CPI cumpriu o papel a que se destinou e que após muitos anos sem a Assembléia ter a condição de conduzir funda-mentadamente uma CPI até o seu final, entrega-se esta peça para que o Estado Democrático de Direito seja reafirmado na Bahia. "A expectativa agora é que com as ações do MP, grande parte do Erário Público – da ordem de R$ 600 milhões - desviado seja restituído e que os envolvidos sejam punidos."(Por Carolina Parada)
Rangel sugere que TCM é mais forte que Assembléia
Mesmo só tendo conseguido 16 das 21 assinaturas para fazer pelo menos tramitar sua proposta de emenda constitucional, o deputado Paulo Rangel (PT) não desiste da idéia de extinguir o Tribunal de Contas do Município. “Fico arrepiado”, queixou-se em discurso na Assembléia Legislativa, “quando determinados deputados me dizem que não são malucos de assinar a proposta porque seus prefeitos serão perseguidos”. Inconformado com a falta de apoio dos colegas, ele disse ser “inadmissível admitir que os conselheiros do TCM tenham mais força sobre os parlamentares do que determinadas lideranças políticas”. Para Rangel, “a Casa não pode se agachar e se curvar a tal argumento”, pois isso signficaria uma “fuga ao critério indispensável para ser deputado, que é o da impessoalidade”. Depois de considerar “lamentável” que deputados do governo e da oposição tenham dito que a extinção do TCM irá “favorecer a corrupção”, o petista informou que o corte de contas tem pouco mais de 100 servidores concursados, número que sobe a mais de 300 com os funcionários à disposição e contratados pelo sistema Reda, além de 170 cargos comissiona-dos que consomem R$ 76 milhões anualmente. “Acho que todo os parlamentares têm as mãos limpas. Eu, particularmente, graças a Deus, não tenho vínculo com nenhum prefeito corrupto, com nenhum presidente de Câmara corrupto”, afirmou Rangel. Ele espera que a proposta receba mais assinaturas de apoio para que o tema seja debatido no plenário. “Vamos fazer a discussão. Esse dinheiro poderia ser aplicado na área social”, defendeu. Ao final do pronunciamento, em que disse ter “tentado de todo jeito e não soube como é gasto o dinheiro do Tribunal”, Rangel recebeu uma ligação do presidente do TCM, conselheiro Raimundo Moreira, convidando-o para uma reunião em que lhe daria as informações de que precisasse. Como estava de viagem marcada para a Paraíba, onde uma deputada tenta criar uma corte semelhante, o encontro ficou para a próxima semana. No plenário, o tema foi abordado também pelo deputado Carlos Gaban (DEM), que defendeu “a necessidade da existência de um órgão especializado na fiscalização das contas públicas municipais”. Disse ter conversado com prefeitos, que destacaram ”a função pedagógica do TCM”, pois, “diferentemente do tribunal estadual, o TCM orienta, esclarece e informa antes de punir”. Gaban contesta também a alegação de que a fusão do TCM com o TCE reduziria gastos. “Como se sabe, nos Estados onde não há TCM, as despesas com o TCE representam quantia maior que a da Bahia na manutenção das duas cortes de contas”. Quanto ao exemplo usado por Rangel, de que o Maranhão teria extinguido seu tribunal municipal no ano passado, Gaban afirma que isso ocorreu, na verdade, há mais de 20 anos, “por motivações de natureza meramente política”. (Por Luis Augusto Gomes)
Vacinação contra aftosa começa amanhã
Com objetivo de conscientizar pequenos, médios e grandes produtores de bubalinos e bovinos de todo o Estado, preocupação do governador Jaques Wagner, a primeira etapa da Campanha de Vacinação Contra a Febre Aftosa 2008, começa amanhã às 10h30, com um dia de campo na Fazenda João Paulo II, localizada no km 515 da BR 101, no trecho entre Itabuna e Buerarema, na região sul do estado.A expectativa é reunir produtores, trabalhadores rurais e técnicos para receber orientações sobre a importância da vacinação, os procedimentos corretos e declaração. A campanha é coordenada pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura, e acontecerá até o dia 31 de março. Durante o período, todos os criadores estão obrigados a vacinar seu rebanho de bovino e de bubalino (bois e búfalos) contra a enfermidade. A multa é de 50 UFIRs por animal e de 150 UFIRs por propriedade que não declarar a vacinação. As campanhas são desenvolvidas pela Adab e acontecem anualmente em março e setembro. O diretor geral da agência, Altair Santana, afirma que os municípios que obtiveram, na etapa de setembro do ano passado, o percentual de vacinação inferior a 90%, receberão maior atenção, além dos criadores inadimplentes.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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