quarta-feira, janeiro 30, 2008

Obras do PAC na Bahia começam neste semestre

Dos 42 projetos pactuados com o governo federal para serem executados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Bahia, 14,29% estão com as licitações em andamento e 85,71% com previsão para licitar até março e abril deste ano. Até junho, todas as obras devem ser iniciadas. Com um total de R$ 1,78 bilhão em recursos a serem investidos nas áreas de saneamento básico (R$ 805,69 milhões), saneamento integrado (R$ 101,24 milhões), habitação (R$ 263,8 milhões) e infra-estrutura e logística (R$ 372 milhões), os projetos do PAC Bahia foram detalhados ontem num balanço apresentado pela secretária da Casa Civil, Eva Maria Chiavon, durante entrevista coletiva. “É uma alegria termos construído esta forte parceria com o governo federal para a execução do PAC no Estado. Sabemos que não é suficiente que a União assegure os recursos. Também temos que apresentar projetos bons, e é isso que estamos fazendo, é nisso que estamos concentrando os nossos esforços”, disse a secretária. A área de saneamento básico é dona da maior fatia de recursos do PAC Bahia (39,52% do total) e já tem licitações em andamento e outras previstas para fevereiro. As obras beneficiam cidades como Salvador e suas ilhas, além de Simões Filho, Camaçari, Vitória da Conquista, Candeias, Feira de Santana e outros municípios. “A cada R$ 1 investido em saneamento, economizamos R$ 1 em saúde”, explicou Eva Chiavon. Os serviços incluem também ampliação e implantação de sistemas de esgotamento sanitário e de abastecimento de água no entorno da Baía de Todos os Santos, em municípios como Santo Amaro, Itaparica, São Félix, São Francisco do Conde, Vera Cruz e Madre de Deus. As obras devem começar em abril. Já os trabalhos em habitação absorvem melhorias habita-cionais e sanitárias, requalifi-cação de imóveis, contenção de encostas, espaços de lazer, equipamentos, recuperação ambien-tal, iluminação, energia e reassen-tamento. Em Salvador, nos bairros de Águas Claras e Pirajá, já há licitações em andamento, com previsão de início das obras em fevereiro. Nas localidades de Nova Esperança, Costa Azul, Alto de Ondina e Pilar 3 e em casarões do Centro Histórico, 2,5 mil famílias vão ser beneficiadas com as intervenções, com as obras previstas para começar em junho. Em outros bairros da capital e em outras cidades, como Lauro de Freitas, Feira de Santana e Simões Filho, o início das obras deve acontecer em abril ou maio. Em áreas carentes de Salvador, como Jardim das Mangabeiras, Baixa do Soronha e Nova Esperança, 6.862 famílias vão ser contempladas com as intervenções na área de saneamento integrado (serviços de água, esgoto, drenagem, pavimentação e recuperação de equipamentos comunitários, entre outros). Em Nova Esperança, a licitação já está em andamento e os trabalhos serão iniciados em março.
Via Expressa Portuária
Dois projetos marcam os investimentos do PAC em infra-estrutura na Bahia. O principal deles é a Via Expressa Portuária, cujos recursos, que ainda estão em negociação com o governo federal, são estimados em R$ 339 milhões, com previsão para licitação em fevereiro. A via vai ligar a BR-324 ao Porto de Salvador, eliminando o fluxo de cargas pela Avenida Bonocô e criando um novo acesso à cidade. O segundo projeto é o Sistema Viário Dois de Julho, que vai promover melhorias na região de acesso ao aeroporto de Salvador - obra já iniciada. As licitações referentes à área de recursos hídricos devem começar em março, com obras nos municípios de Cafarnaum, Jacobina, Barra do Choça, Planalto e Pedro Alexandre, beneficiando mais de 64 mil famílias. Existe ainda um pleito de R$ 322 milhões para 171 municípios, com obras de abastecimento de água, esgotamento sanitário, oferta de água nas escolas e melhorias habitacionais para combate à Doença de Chagas. Mais R$ 34 milhões estão sendo pleiteados e à espera de autorização para a realização de obras de saneamento em assentamentos rurais e quilombolas. Ao finalizar a entrevista, a secretária afirmou que são projetos como esses que fazem a oferta de empregos crescer. “Entendemos que o maior volume de obras ainda não começou, mas a expectativa pelo início delas cria um ambiente favorável ao surgimento de postos de trabalho com carteira assinada”, ressaltou. Ela disse que em 2007 foram criados 62 mil novos empregos formais na Bahia - 30 mil em Salvador e 32 mil no interior. Eva Chiavon citou obras programadas para o PAC na Bahia que serão executadas pelo governo federal, como os trabalhos de adequação, duplicação e manutenção das BRs 116 e 324, além da construção da Ferrovia de Integração Oeste/Leste, que vai ligar os municípios de Luís Eduardo Magalhães e Ilhéus. Também participaram da entrevista os secretários Afonso Florence (Desenvolvimento Urbano), Ronald Lobato (Planejamento) e Antônio Carlos Batista Neves (Infra-estrutura).
Jaques Wagner exorta a lei
Na edição desta semana do seu programa de rádio, o governador Jaques Wagner disse que “na democracia, o limite da autoridade é a lei”. A frase norteia as orientações do governador Jaques Wagner para as apurações dos casos envolvendo violência cometidas por policiais e atuação das forças de segurança em defesa da sociedade. “Se houve excesso, evidentemente, os responsáveis serão punidos”, afirma Wagner na edição de ontem do programa semanal de rádio Conversa com o Governador. Ele refere-se aos últimos episódios noticiados na imprensa envolvendo denúncias de violência policial em Salvador. “Dureza contra o crime, dentro da lei - dentro das normas - respeitando os direitos humanos!”, comentou sobre a importância da polícia na proteção da sociedade. Wagner respondeu a pergunta de um ouvinte (Gênesis Ferreira, de Feira de Santana) sobre o esquema de segurança para o Carnaval, que vai envolver 17.130 policiais. Entre as novidades destacadas pelo governador estão os investimentos em tecnologia, com a ampliação do número de câmeras e utilização de modernos sistemas de comunicação, além da implantação de um Centro Integrado de Inteligência. Em todo o Carnaval, conforme informa Wagner no programa, os investimentos somam cerca de R$ 40 milhões em segurança, em saúde e em outras áreas de apoio à festa. O governador encerrou o programa com uma mensagem de paz aos foliões baianos e turistas.
Geddel nega interferência em assuntos da prefeitura
O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, desmentiu ontem notícia publicada na imprensa segundo a qual o nome do novo secretário municipal de Comunicação Social seria anunciado antes do Carnaval. “Cada dia botam uma notícia nova em minha boca, mas eu não tenho nada a ver com isso. O preenchimento desse cargo é de competência exclusiva do prefeito João Henrique. Somente ele pode falar sobre isso”, afirmou. Geddel contestou também informações dando conta de que ele teve “conversas duras” com o governador Jaques Wagner, sobre a sucessão em Salvador e em Feira de Santana, e com o próprio prefeito e a primeira-dama, deputada Maria Luiza Carneiro, com relação à área de comunicação da prefeitura de Salvador. Geddel disse que esteve com Wagner na tarde de segunda-feira, na solenidade do bicentenário da abertura dos portos, e conversou amistosamente com ele, “como de costume”. Irritado, Geddel afirmou que, se fosse do seu estilo e do governador, “só mesmo dando-lhe um beijo na boca” para convencer de que não há divergências graves entre eles. “Isso beira a irresponsabilidade. O jornalista tem meu telefone, mas escreve uma notícia dessas sem me ligar. É o mínimo que ele poderia fazer”, completou. Quanto à prefeitura, afirmou que “se mandasse mesmo, como dizem”, seria ele o Rei Momo, já que está “bem gordinho”. Ressaltando que há mais de três meses não tem qualquer contato direto ou telefônico com a deputada Maria Luiza, o ministro atribuiu esse tipo de noticiário ao recesso parlamentar, “quando a imprensa fica sem assunto”. Disse que com o prefeito, de quem é “amigo”, conversa “quase todo dia”, “trocando idéias” sobre os mais variados assuntos, como verbas federais e temas administrativos. “Mas João Henrique jamais me pediu opinião sobre a Secretaria de Comunicação. No dia em que pedir, darei”, concluiu. (Por Luis Augusto Gomes)
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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