quinta-feira, janeiro 31, 2008

A crise da insegurança e da corrupção

Por: Helio Fernandes

Governo-bandidagem-Polícia Militar
O governador Sérgio Cabral e o secretário de Segurança, José Beltrame, trabalham no mesmo estado, servem (?) à mesma coletividade, representam os mesmos compromissos? Não parece, estão sempre de lados opostos. O governador já pediu várias vezes ao seu amigo Lula a colaboração das Forças Armadas. O secretário de Segurança, em todas as oportunidades, afirma taxativamente: "Sou contra a participação das Forças Armadas na segurança".
Provando o fato de que não joga no mesmo time do governador, o secretário demitiu todo o Alto Comando da Polícia Militar, sem sequer consultar o governador. O secretário foi coerente: sempre disse que tinha total independência.
A crise da Polícia Militar, que vinha da terça-feira, se agravou ontem. Durante a noite, o serviço de inteligência do governo comunicou a Sérgio Cabral que estavam sendo realizadas várias reuniões entre oficiais, em diversos lugares. Sérgio Cabral não sabia o que fazer, mas a própria "inteligência" alertou que as reuniões eram pacíficas, concorridas mas todos a paisano.
O governador praticamente não dormiu e bem cedo soube do resultado das reuniões. A crise se aprofundara e havia mais insatisfação e revolta do que ele e o secretário Beltrame imaginavam. Por volta das 10 da manhã, jornais de televisão já sabiam que havia um alerta: coronéis EXIGIAM a demissão do secretário Beltrame.
No RJ-TV (da Globo, meio-dia, ao vivo) o governador disse que "não havia crise nenhuma, apenas desinformação e boataria". Às 3 da tarde, no "Em cima da hora" (Globo News), o governador tentou dar uma disfarçada: "A Polícia Militar, com um passado glorioso, não pode ser desprestigiada por meia dúzia de oficiais".
Alguns coronéis defendiam o diálogo, mas também não estavam satisfeitos. Inesperadamente a crise penetra na sucessão de César Maia, atingindo um dos candidatos fortes, o apresentador Wagner Montes, que na mesma hora anunciou que estava saindo de férias.
Qual a explicação? Wagner Montes, apresentador da Record, é ligadíssimo (desde os tempos do programa "O povo na TV") a policiais federais. Mas não querendo entrar em polêmica com a Polícia Militar, onde também tem amigos, rapidamente saiu de cena. Se ficasse, teria que tomar partido. E com isso, perigaria sua situação na Record.
O senador Crivela, candidatíssimo a prefeito, que até agora não hostilizou Wagner Montes, poderia considerar que o apresentador comprometia sua posição. Como se sabe, Crivela é intimíssimo de Edir Macedo, um dos proprietários da Record, hoje a segunda do País.
Por outro lado, a demissão do coronel Ubiratan Angelo, do comando da Polícia Militar, foi considerada erro grave. E a demissão, aí, feita diretamente pelo próprio governador. Principalmente porque estamos em pleno carnaval, e se normalmente a insegurança é total, imaginem com milhões de pessoas nas ruas.
As coisas tinham que acontecer. Insegurança, corrupção, narcotráfico, milícias, bandidos e a denúncia de que tudo isso é conseqüência dos péssimos salários, não podiam acabar bem.
PS - Por causa das minhas notas de ontem já sobre a crise na PM, e o aprofundamento e ameaças de lado a lado, me telefona um deputado estadual, ligadíssimo a Picciani. Pede sigilo, mas faz afirmação que pode bancar.
PS 2 - Helio: "O que acontece é que Sérgio Cabral, quando conversa com Beltrame, este parece o governador e o outro, secretário. Dessa forma, como é que Sérgio pode demiti-lo? Beltrame ficará até quando quiser".
PS 3 - Concordo inteiramente.
Álvaro Dias
Muito amigo do irmão Osmar, senador como ele. Poderia deixar de disputar o governo e dar a vez ao irmão?
Inacreditável mas rigorosamente verdadeiro: causou a pior repercussão, até mesmo entre empresários, o fato do presidente Lula vir ao Rio exclusivamente para jantar com o presidente executivo da Vale, Roger Agnelli. A esta altura, o presidente da República (fosse quem fosse) em vez ir jantar com o presidente da Vale deveria estar "reestatizando" a empresa.
A frase não é minha, sei quem é o autor mas não quero citá-lo: "O monopólio PRIVADO é muito pior do que o monopólio ESTATAL". Este tem compromissos sociais, monopólios privados só querem lucros.
E o executivo da Vale tem sido tão agressivo com tudo (e até com o governo) que Lula podia fazer o que quisesse, menos ir jantar com quem ficou com uma das maiores fortunas do Brasil.
A sucessão de Minas será a mais tranqüila de todas. Aécio Neves, que tem que sair 6 meses antes da eleição, sairá um ano antes.
Deixa um amigo no governo que não poderá disputar eleição. Fernando Pimentel, prefeito de BH, eleito e reeeleito, será o governador.
Assim que o governador Requião foi reeeleito por 10 mil votos de vantagem, escrevi, saiu no dia seguinte: "2010, no Paraná, luta entre dois irmãos, Álvaro e Osmar Dias, pelo governo".
Não dá para escapar, só restam os dois. A diferença: Álvaro é senador até 2014, se perder, continua no Senado. Já Osmar tem mandato só até 2010. Se não ganhar tem que deixar o Senado.
José Serra sabe há muito tempo: não tem uma possibilidade em um milhão de tirar a legenda de Alckmin para prefeito.
O que é que o governador, candidatíssimo a perder a segunda vez para o Lula, dirá ao PSDB? Vetar um companheiro para apoiar o candidato de outro partido, que é o prefeito Kassab?
Como Serra é afoito e afeito a atitudes beligerantes, mas também espertas, dizem no próprio PSDB: "Já prometeu a Kassab um ministério em janeiro de 2011". Kassab não tem saída.
Como tenho dito e repetido, McCain será o candidato do Partido Republicano, o que confirmou ganhando fácil na Flórida. Mas não chegará a presidente, sua segunda tentativa em 8 anos, desde o ano 2 mil.
Nesse ano não chegou a candidato, perdeu para Bush, que se "elegeu". Agora será candidato, mas perde para Obama ou Dona Clinton. Ao contrário do que alguns admitem, "não estou em cima do muro".
Acontece que os dois ainda não se definiram sobre os grandes problemas do mundo, e até mesmo a crise do dólar e dos EUA.
Por enquanto se "divertem" com ataques mútuos e desprezíveis. Gosto da reflexão de Argemiro Ferreira: "Hillary pode perder por ser mulher, Obama poder perder por ser negro".
Mesmo assim, os Republicanos perdem a Casa Branca, se é que estavam nela.
Com a queda do primeiro-ministro Romano Prodi, escrevi o óbvio: o maior corrupto da Itália e do mundo, Silvio Berlusconi, tentaria voltar ao Poder. Mas curiosamente só através de eleições.
Aconteceu. Pressionou o presidente para convocar eleições antecipadas 2, que ele deveria ganhar, domina a comunicação no país. Apesar da quase intimidação, haverá outro gabinete.
O senador Mozarildo Cavalcanti, presidente da CPI das ONGs, estava certíssimo: "Se essa CPI funcionar mesmo, surgirão esquemas milionários. Mas o governo não deixa a CPI andar". Mesmo assim, os escândalos estão na rua, nas manchetes de jornais e televisões.
Uma das figuras mais competentes e importantes da energia brasileira se chama Mauricio Tomalsquim. É um dos poucos homens que assisto na televisão, do princípio ao fim. Poderia ser secretário executivo do Ministério de Minas e Energia.
Complementação sobre desmatamento da Amazônia: Dona Marina, há 5 anos no ministério, competência ZERO, acusa e desafia os AGROPECUARISTAS, mas esqueceu inteiramente os homens da motosserra, poderosos MADEIREIROS. Por quê?
Boa a idéia de Lula de tornar CÚMPLICES os compradores. Certíssimo.
Nesse emaranhado de notícias a respeito da nossa dependência e subserviência diante das multinacionais, um fato que merece aplausos e provoca esperanças: a Petrobras vai disputar a compra de ativos da Esso, que quer sair da América do Sul.
A empresa brasileira enfrentará multinacionais de grande peso, mas isso não pode assustar. Puxa, a maior estatal do Brasil adquirindo bens de multinacionais, que maravilha viver.
O "velho" John D. Rockefeller, fundador da Esso, foi durante dezenas de anos o homem mais rico e poderoso do mundo. Jamais furou um poço de petróleo, montou um esquema de monopólio dos transportes. Roubou o trabalho de todos.
Pessoas e empresas se atiravam na procura de petróleo, 1 em 50 tinha sucesso, os outros perdiam tudo. Mas os que descobriam o óleo, caíam na mão de Rockefeller, pagavam ou não transportavam.
Em 1903, Theodore Roosevelt (que foi ótimo presidente para os EUA, e carrasco para a América do Sul e Central) acabou com os monopólios. Mas Rockefeller continuou sendo riquíssimo.
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No Sambódromo, uma faixa enorme, vista de vários pontos. "Cerveja é a maior TESÃO". Em letras garrafais, como convém ao produto.
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Florian Madruga assumiu a chefia de gabinete de Garibaldi-Garibaldi. Funcionário antigo e respeitado, vai ajudar o presidente do Senado a errar menos. Terá que acordar duas horas mais cedo e dormir duas horas mais tarde.
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Do jornalista Marcone Formiga: "Em Brasília tem muita gente torcendo para o Banco Central voltar a emitir dinheiro de plástico". O jornalista conclui: "A lavagem fica mais fácil".
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Hoje, quinta-feira, e a cidade já parou. O carnaval domina tudo. Na verdade, com César Maia é sempre carnaval, pois a cidade está sempre parada. Que ansiedade, faltam 11 meses para o fim não só de César como alcaide-factóide-debilóide, mas também para ocupar qualquer outro cargo. César diz que é candidato ao Senado, deve ser mesmo. Dinheiro e Poder não faltam.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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