sexta-feira, janeiro 25, 2008

Terapia virtual do riso

Dos clássicos da internet à divertida campanha presidencial de 1989, vídeos do YouTube desafiam humor e memória nacional
Edson Sardinha
Criado numa garagem de Menlo Park (EUA) em fevereiro de 2005 e vendido em novembro de 2006 pela bagatela de US$ 1,65 bilhão ao Google, o site mais popular de compartilhamento de vídeos do mundo desafia, a cada dia, o humor e a memória dos internautas.
Nesse “museu de grandes novidades”, há galerias para todos os gostos e idades. Entre videoclipes, reportagens, brincadeiras, flagrantes e exibições diversas que variam do surpreendente ao duvidoso, o YouTube também tem tirado do baú preciosidades da TV e, ao mesmo tempo, consagrado os seus próprios “clássicos”.
Sem perder de vista a cobertura diária do Legislativo, o Congresso em Foco selecionou alguns vídeos divertidos que têm feito sucesso na grande rede. O catálogo é variado. Reúne desde flagras de conhecidas figuras em momento de descontração, curiosos erros de gravação, trapalhadas esportivas, até os “hits” do próprio YouTube. Para completar, uma divertida incursão pela campanha eleitoral de 1989.
Eleições diretas
Às vésperas de entrar na década de 1990, o eleitor brasileiro voltou às urnas, depois de 29 anos, para escolher o presidente da República pelo voto direto. Com 22 candidatos na disputa e os ventos trazidos pelo fim da ditadura, descontração não faltou aos debates.
No último, realizado antes do primeiro turno, no SBT, os presidenciáveis usaram e abusaram do humor. “O candidato Maluf é competente, por que ele compete, compete, compete e nunca ganha”, brincou Lula, ainda com a barba e os cabelos completamente pretos.
Ao disputar uma vaga com petista para definir quem iria para o segundo turno contra Fernando Collor, o pedetista Leonel Brizola não poupou seu adversário. Ao rebater as críticas feitas por Lula ao trabalhismo de Getúlio Vargas, Brizola disse: “Isso me distancia a léguas deste cidadão e me faz desconfiar muito dele e do PT”.
Tratado com ironia pelo tucano Mário Covas, Maluf deu uma resposta curta e grossa: “Virou cínico, é?”.
Veja os melhores momentos do debate conduzido pelo jornalista Boris Casoy.
Sílvio Santos fora do ar
Além dos 22 candidatos que tiveram o seu nome impresso nas cédulas de papel, uma das figuras mais conhecidas do país, o apresentador Silvio Santos, também chegou a pedir votos para chegar ao Palácio do Planalto. “Você sabe o que é reforma social, o que é justiça social? Eu também não sabia, mas reforma e justiça sociais é o que pretendo fazer”, diz ele, nos poucos dias em que conseguiu, com base em liminar da Justiça, manter sua candidatura e aparecer no horário eleitoral. Acesse.
Silvio teve de aproveitar o pouco tempo de que dispunha para explicar ao leitor que era candidato embora seu nome não aparecesse na cédula. Votar no 26 (número de Armando Corrêa, PMB), reforçava, era votar em Silvio Santos. Complexo? Confira.
Com o slogan “pobre vota em pobre”, o candidato Marronzinho também conquistou naquele ano seus minutos de fama. Intitulando-se o “primeiro político a declarar guerra contra a seca”, ele defendia o uso da Petrobras para procurar poços de água no Nordeste e no Vale do Jequitinhonha. Vale a pena ver de novo.
No horário eleitoral, a Rede Povo, da chapa encabeçada pelo PT, foi um dos destaques. Em uma de suas edições, o alvo é justamente o então presidente José Sarney – por ironia do destino, atualmente, um dos principais aliados de Lula no Congresso. Após mostrar imagens de Collor, Maluf e Afif Domingos, o locutor petista ironiza: “Tadinhos, por mais que não queiram são tão parecidos com o pai (Sarney)”. Acompanhe.
Maluf, o professor
Maluf é figura carimbada no YouTube. Em um vídeo apresentado pelo jornalista Marcelo Tas, nos anos 1990, o atual deputado federal e ex-prefeito de São Paulo “ensina” como o político pode dar “uma maquiada na realidade”. Imperdível!
E não é só nesse quesito que Maluf se destaca na rede. Ele também aparece soltando a voz num programa apresentado por Marília Gabriela em 1986. A canção? Amigo, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.
A desafinação de Maluf só não foi mais constrangedora que a brincadeira despretensiosa feita pelo então candidato Lula, em 2002. Ao saudar um companheiro de partido da cidade gaúcha de Pelotas, o petista não se conteve. Veja o que ele disse. Como nem todos acharam graça na piada, Lula teve de se desculpar publicamente. Nada, porém, que abalasse sua vitoriosa campanha naquele ano.
Pai de músicos, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) é um dos “fenômenos” do YouTube. A sua interpretação de “O homem na estrada”, do grupo de rap Racionais MC’s esteve, por semanas, entre os mais acessados do site.
O senador paulista mostrou seus dotes artísticos ao criticar a proposta de emenda à Constituição que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). À medida que a letra da música evoluía, Suplicy a enriquecia com gestos e onomatopéias para gargalhadas dos seus colegas.
Sucessos na rede
Primeiro grande hit brasileiro do YouTube, o curta "Tapa na Pantera", dirigido por Esmir Filho, Mariana Bastos e Rafael Gomes, estourou na internet em 2006. Nele, a personagem interpretada por Maria Alice Vergueiro conta, de maneira divertida, sua “experiência” de mais de 30 anos como usuária de maconha. A interpretação de Maria Alice é riso garantido. Acesse.
De origem menos esclarecida, outros vídeos brasileiros também caíram no gosto do internauta. “As árveres somos nozes” é um deles. A “Pamonha de Cajazeiras” é outro.
Os tricolores cariocas podem até não achar graça. Mas os torcedores adversários impulsionaram os acessos dos vídeos que trazem um imaginário “jogo do século” entre Fluminense e Barcelona. Destaques para a narração escachada e para a chuva de gols do time espanhol.
Os amantes do futebol, aliás, não podem reclamar das opções oferecidas pelo YouTube. Além dos gols de seu time, o torcedor pode se divertir com uma série de vídeos que trazem o lado cômico do futebol. Clique aqui para ver os gols incríveis perdidos por profissionais da bola , e acesse aqui para se divertir com outras trapalhadas dentro de campo.
Falha nossa
A seleção feita pelo Congresso em Foco também mostra a quantas anda a memória dos telespectadores. Da TV para o monitor, pérolas do bom humor e, em alguns casos, da falta dele. Ainda no início da carreira, na extinta Manchete, um vídeo revela que nem sempre a “rainha dos baixinhos” teve tanta paciência assim com seus súditos. Veja.
De falta de humor não se pode acusar a apresentadora Lilian Witte Fibe. Ao ler uma notícia sobre a prisão de uma traficante de 81 anos, a jornalista se perdeu numa contagiante crise de risos. Confira. Risada na hora errada também é a essência desse vídeo belga, legendado em português. Também vem do exterior o vídeo em que um “apresentador do tempo” entra em pânico ao se deparar com uma inusitada invasora.
O inesperado também deixou em apuros o experiente jornalista brasileiro Ney Gonçalves Dias. Tudo porque no meio do caminho tinha uma mesa. Que ninguém se preocupe: apesar do incidente, o apresentador passa bem.
Quem também caiu mas não se machucou foi Silvio Santos. O tombo na piscina durante um quadro de um de seus programas levou a platéia do apresentador ao delírio. Não é para menos. Silvio também teve de mostrar jogo de cintura para contornar a brincadeira feita por uma garota em uma de suas atrações infantis. “Qual a diferença entre o poste, o bambu e a mulher”, pergunta a criança. A resposta está aqui.
Mudando de canal, mas sem tirar o humor de sintonia, outro vídeo flagra dois dos mais conhecidos apresentadores do Jornal Nacional, da Globo, como ninguém nunca viu. Os trejeitos do estilista e deputado Clodovil Hernandes, na interpretação de Willian Bonner, abrem o sorriso do outrora sisudo Cid Moreira. É ver para crer. Bom dia!
Leia ainda:
Os vídeos mais acessados do YouTube
É parar rir ou chorar?
É para rir ou chorar? – segunda parte
Fonte: congressoemfoco

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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