quinta-feira, janeiro 31, 2008

PSDB sai na frente e já discute vice-prefeito

Dois pedetistas vão sair fantasiados de tucanos neste Carnaval. Eles estão no aquecimento prontos para assumirem a vice do prefeiturável do PSDB, Antonio Imbassahy. Os cotados são o vereador Gilberto José e o secretário-geral do PDT na Bahia, Alexandre Brust. O primeiro seria uma escolha mais voltada para prestigiar a Câmara da cidade, embora tenha fortes ligações com Imbassahy, em cuja administração chegou a presidir a Casa, além de ocupar a liderança do governo na época. Já Brust conta com a simpatia da militância do partido. Os acordos, como podemos concluir, estão sendo fechados em plena festa do coroamento de Clarindo Silva como Rei Momo. Até pouco tempo, o PDT dava mostras de que poderia reatar politicamente com o prefeito João Henrique. Coube a Brust rebater qualquer possibilidade de reaproximação com o Palácio Thomé de Souza, apesar dos sinais duvidosos até então emitidos pelo presidente regional da legenda, o deputado federal Severiano Alves, de quem, acredita-se, não esteja mentindo, apenas que esteja faltando com a verdade. Bem, os dirigentes do PDT são crescidinhos o suficiente para saberem o que querem. Um dos seus planos, uma vez rompidos definitivamente com João Henrique, é voar nas asas do tucanato, mas indicando o candidato a vice-prefeito. Imbassahy teria sido sondado e dado o ok. Gilberto José é um velho conhecido seu, tem larga experiência legislativa e densidade eleitoral em Salvador. Tem, também, um formidável jogo-de-cintura política já que foi também líder do prefeito atual na Câmara. Outros partidos estão à busca de um vice, mas só vão tratar do tema depois do Carnaval. Esperam ainda concluir as negociações para a definição de suas candidaturas. O PMDB deseja manter o leque de alianças instaladas hoje na administração da capital. Enfrenta, porém, dois casos concretos de dissidência protagonizados pelo PT e pelo PSB. Eles estão no governo municipal - têm inclusive secretarias -, mas viram o nariz toda vez que se fala no apoio ao projeto de reeleição de João Henrique. Eles devem pular da canoa até o final de fevereiro. Sem pressa, mas consciente da necessidade de ter um nome à sucessão local, o Democratas segue em frente com o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto, que já sonda a escolha do seu vice. A princípio, a vaga será destinada a uma das siglas que consiga atrair numa coligação. Não está descartada também a inclusão de um vereador na chapa majoritária do DEM. Vamos, entretanto, esperar o Carnaval passar. (Por Janio Lopo-Editor de Política)
Ex-prefeito de Maragojipe é denunciado pelo MPF na Bahia
O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) denunciou o ex-prefeito de Maragojipe, Raimundo Gabriel de Oliveira, por crime de sonegação fiscal. Segundo a denúncia do MPF, Gabriel omitiu ao Fisco diversos rendimentos originários de valores creditados em contas de depósitos ou de investimentos movimentadas em diversas instituições financeiras. No ano de 2000, ele deixou de declarar R$ 442,7 mil reais e, em 2001, R$ 22,8 mil reais. Além desta denúncia, protocolada na última sexta-feira, 25, Raimundo Gabriel responde a uma ação de improbidade administrativa por fraudes em licitações públicas no município de Maragojipe. Gabriel também é ex-gerente financeiro da Universidade Católica de Salvador (Ucsal), onde, em 1997, foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal por corrupção ativa, acusado de participação num esquema de pagamento de propinas para anular um débito de R$ 70 milhões com a Previdência Social, juntamente com o reitor da Ucsal, José Carlos Almeida, e o pró-reitor Carlos Lins. Á época, segundo a denúncia do MPF, a Ucsal entrou com recurso no Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) evocando a sua condição de entidade filantrópica para não pagar duas Notificações Fiscais de Levantamento de Débito (NFLD) nos valores de R$ 31,7 milhões e R$ 29,3 milhões, respectivamente. (Por Evandro Matos)
Brasil deve fazer ajustes para se proteger, diz Mendonça
O equilíbrio da economia brasileira frente à crise enfrentada pelos Estados Unidos (EUA) depende de uma perspectiva realista da equipe econômica do governo Lula de não aumentar a carga tributária e cortar gastos supérfluos da máquina. A avaliação é do deputado Félix Mendonça (Democratas-BA). “O governo norte-americano vai derrubar os juros para atrair investimentos e o presidente George W. Bush já enviou ao Congresso um pacote para diminuir impostos. Para manter-se firme, o Brasil terá que fugir de aumentos tributários, flexibilizar juros e partir para uma reforma tributária”, destacou Mendonça. Para o deputado, ainda é prematuro avaliar se o Brasil irá enfrentar recessão por causa da economia norte-americana. Os produtos americanos serão mais procurados com a desvalorização do dólar, mas as commodities brasileiras (álcool, café, soja, milho e carnes) tendem a manter seus mercados, especialmente na Ásia e União Européia - afirmou. Félix Mendonça disse que, se o governo americano conseguir aprovar o pacote fiscal, os EUA terão recuperação no mercado interno, com aquecimento das vendas, e, conseqüentemente aumento das importações. “A perspectiva não é ruim se o Brasil aproveitar o fato de que possui mercados em outros continentes. Mas não se pode descansar sem executar mudanças na gestão dos recursos e na aplicação da receitas”, alertou.
Deputados deixam a Antártida direto para o Carnaval brasileiro
Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) seguiu ontem para a Antártida para buscar os 13 parlamentares que estão retidos no local. Com a melhoria do tempo, os parlamentares chegaram ontem a Punta Arenas, no Chile. No entanto, o retorno ao Brasil deve ocorrer somente hoje. A previsão é que eles cheguem no final da tarde ou no início da noite desta quinta-feira. Apesar do bom tempo de ontem, o retorno dos parlamentares foi atrasado devido a uma pane na aeronave da FAB que faria a viagem. Com isso, a Força Aérea decidiu enviar outro avião à base chilena, onde esperam o embarque o vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), além dos deputados Moreira Mendes (PPS-RO), Lelo Coimbra (PMDB-ES), Colbert Martins (PMDB-BA), Edmilson Valentim (PC do B-RJ), Paulo Teixeira (PT-SP), Jorginho Maluly (DEM-SP), Maria Helena (PSB-RR), Fábio Ramalho (PV-MG), Luciano Pizzatto (DEM-PR), Fernando Chucre (PSDB-SP) e Vinicius Carvalho (PTdoB-RJ), além do senador Renato Casagrande (PSB-ES). Eles fazem parte da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) e foram conhecer as pesquisas realizadas na região, como a influência das mudanças climáticas no degelo e na fauna.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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