sexta-feira, janeiro 25, 2008

Geddel crê no apoio de Wagner a João

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, maior liderança estadual do PMDB, disse ontem ter “certeza absoluta” de que o governador Jaques Wagner, “no momento oportuno”, vai se manifestar a favor da candidatura à reeleição do prefeito João Henrique, uma “conseqüência lógica da ajuda” que ele tem dado à cidade. “Sempre que conversa comigo”, explicou, “o governador faz as melhores referências ao prefeito, e ele sabe, como eu, a importância de se manter a aliança PMDB-PT. Reeleger João Henrique é um passo importante para a manutenção de tudo que nós construímos”. Geddel, que ao lado do prefeito visitava a obra de limpeza e recuperação do canal do Camurugipe nas proximidades do Iguatemi, respondia a respeito de uma suposta preferência de Wagner por João Henrique, mesmo em detrimento de um candidato de seu partido, para que as forças do poder na Bahia sigam unidas rumo a 2010. Indagado se Wagner deveria, caso fosse verdadeira, declarar a simpatia pela candidatura do prefeito ainda no primeiro turno, o ministro comentou inicialmente: “Acho que ele deve se manifestar e tenho certeza de que isso ocorrerá”. Na possibilidade de o governador decidir marchar com outra candidatura da sua base, Geddel entende que Wagner, “sendo um político inteligente e competente, tem a liberdade de tomar a atitude que quiser”. Ele torce pelo apoio a João Henrique, mas acha que o governador, “como líder maior do Estado, estará sempre em condições de tomar atitudes diferentes” das suas. Acrescentou que no momento oportuno sentará com Wagner para conversar e garantiu: “Não há dificuldade de diálogo entre o ministro Geddel e o governador Jaques Wagner”. Nas eleições municipais de 2008 em todo o Estado, segundo Geddel, “o PMDB está se estruturando e se fortalecendo para discutir os problemas de cada cidade e apresentar projetos para debater no processo eleitoral”. Hoje com 121 prefeitos, dos 417 que a Bahia tem, o PMDB pretende “fazer o maior número possível”, que o ministro estima: “Gostaria de chegar a uns 200 prefeitos”. Sobre as visitas que fez ontem a diversos pontos da cidade, disse que é “um conjunto de obras que o governo do presidente Lula está fazendo com a prefeitura”. A desobstrução do canal do Camurugipe era “uma exigência de Salvador”, pois ficou “muito tempo sem manutenção”, sendo necessário também recuperar placas de concreto que estavam destruídas. “Eu vim com o prefeito dar uma olhada e inspecionar a aplicação dos recursos federais”, completou.(Por Luis Augusto Gomes)
“O ano vai ser de disputa, de guerra”, sentencia o prefeito
O prefeito João Henrique respondeu a perguntas da Tribuna sobre a exoneração do quarto secretário de Comunicação de sua gestão, o jornalista Vítor Hugo Soares, atribuindo-a à necessidade de mudanças para o ano eleitoral, que vai ser “de guerra”. Ele disse que para “aprimorar” a administração fará alterações “permanentemente” em sua equipe de trabalho. TB - Prefeito, o senhor poderia falar sobre a crise da comunicação? JH - Não tem crise. TB - Mas o secretário se exonerou em circunstâncias não muito claras... JH - Não tem crise. Tudo resolvido. TB - Já tem sucessor? JH - Está em curso, mas está tudo bem. TB - Tem fundamento essa história de marketing influenciando nas decisões? O secretário é quem deveria comandar a área, no entanto a área de marketing é que teria definido a troca de secretário. JH - Não, na verdade nós estamos numa fase de pré-campanha, e a gente tem que ajustar todos os passos. Está se fazendo esses ajustes, mas tudo no mais alto nível, de forma correta. Estamos nos esforçando para arrumar a equipe, deixar toda azeitada, para enfrentar este ano, que vai ser um ano de disputa, de guerra. Vai ser um ano de guerra. TB - Que orientação será dada à comunicação da prefeitura daqui para a frente? O que o senhor quer mudar? JH - A gente quer que a população tenha conhecimento de tudo que está sendo feito com a parceria com o governo federal, com o governo estadual, agora que a prefeitura conseguiu, finalmente, uma boa parceria com ambos. A gente quer somente que a população acompanhe, fiscalize, tome conhecimento de onde estão indo seus impostos. Ainda mais num momento como este, de início do pagamento da cota única do IPTU, as pessoas têm o direito de saber onde o dinheiro vai ser aplicado... TB - Sobre a exoneração... JH - ... a gente só quer isso, deixar as coisas bastante didáticas e bastante elucidativas, e vamos, permanentemente, procurar aprimorar a equipe em todas as áreas. Você pode ver que, sempre que precisa, a gente está mexendo numa peça, mexendo em outra, porque queremos trabalhar até o último dia do mandato, buscar a reeleição para continuar esse trabalho por mais tempo. Essa parceria só se iniciou agora, porque o governador Wagner precisou arrumar a casa e encontrou também muitos problemas, como eu encontrei. TB - Ainda com relação à comunicação, o secretário Vítor Hugo teria uma proposta de trabalho que o senhor considerasse afetar a sua competência política? JH - Não, jamais. É um profissional ético do mais alto nível. Vítor Hugo é extremamente sério e competente. (Por Luis Augusto Gomes)
Sesab cobra salário pago a mais a médicos
Um grupo de médicos cujos plantões foram pagos de forma irregular pela chamada ‘folha secreta’ da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), revelou novas denúncias sobre o caso. Além da contratação irregular e da afirmação de que alguns profissionais da lista de quase 500 chegaram a receber duas, três e até mesmo quatro vezes pelo mesmo serviço, os médicos agora afirmam que estão sendo procurados pela Sesab, que solicita a devolução dos salários ‘extras’ pagos por engano. Ainda de acordo com o grupo, a nova revelação foi motivada pela suposta pressão da Sesab, que, sob auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), estaria procurando os médicos e exigindo a devolução. A denúncia foi feita ao deputado estadual João Carlos Bacelar (PTN), que já havia revelado ao Ministério Público do Estado (MP) e ao TCE as irregularidades da ‘folha secreta’. ‘’Essa posição da secretaria é a comprovação de que a denúncia que fiz era a mais pura verdade. A Sesab agora está tentando corrigir o erro e convoca os médicos a devolverem o dinheiro dos plantões. Isso é um absurdo’’, disse Bacelar. De acordo com a denúncia, entre o período de encerramento do contrato de prestação de serviços pelas Obras Sociais de Irmã Dulce em maio, e a contratação da Fundação José Silveira, em setembro, a Sesab convocou diretamente os profissionais para assegurar o atendimento à população e fez os pagamentos por meio de indenização. Mas, o pagamento foi feito através do registro de convocação e não pelos mapas de escalas de plantões. Como não havia escala, muitos médicos repassaram os plantões para outros profissionais e, após receberem o pagamento, repassaram aos colegas. ‘’Isso está impedindo que muitos devolvam o dinheiro, até porque não conseguem localizar os colegas pra justificar que os plantões foram cumpridos, efetivamente’’, explicou Bacelar. ‘’Nesta situação, existem profissionais que receberam, pelos mesmos plantões, até quatro vezes. E a Sesab, sem controle da situação, agora quer o ressarcimento do dinheiro extra que foi pago ao médico’’, completou. Ainda segundo Bacelar, os médicos até querem regularizar a situação, atendendo a convocação da Sesab, mas o descontrole é tanto que ninguém sabe como isso poderá ser feito. Isso porque a Sesab efetuou o pagamento sem cadastrar os profissionais, que não possuem contratos ou qualquer vínculo com o Estado. “Como devolver o dinheiro sem um inquérito ou processo? Ao formalizar o inquérito ou processo, a Sesab vai, efetivamente, admitir que cometeu irregularidade e referendar as denúncias que fiz e que estão sendo investigadas pelos ministérios públicos Estadual e Federal, além do Tribunal de Contas do Estado’’, explicou Bacelar. João Carlos Bacelar declarou que levará o caso novamente ao MPF, MPE e ao conselheiro França Teixeira (TCE). O deputado acrescentou que fez um apelo ao governador Jaques Wagner para que mantenha a intervenção da Secretaria de Administração (Saeb), o que chamou de ‘intervenção branca’ na área administrativa da Sesab, a fim de sanar as irregularidades na gestão de recursos na Saúde. (Por Carolina Parada)
Secretário de Segurança Pública é mantido no cargo
Apesar dos fortes rumores que circularam ontem dando como iminente a queda do secretário de Segurança Pública da Bahia, Paulo Bezerra, a secretaria de governo do Estado garantiu que tudo não passa de boatos e que o secretário continua à frente da pasta. A informação de que haveria a primeira baixa no escalão de proa do governo Wagenr surgiu e circulou no Rio de Janeiro, sendo anotada pelo colunista Ancelmo Góis. Chegou-se a especular que o próximo a ocupar o lugar seria Zaqueu Teixeira, que dentre outra coisa foi chefe da Polícia Civil no governo de Benedita da Silva, além de ser integrante do Pronasci, Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, ligado ao Ministério da Justiça, pasta hoje ocupada por Nelson Jobim. A versão ganhou corpo porque recentemente ele esteve em Salvador e se reuniu com integrantes do governo e sindicalistas para tratar da segurança pública. Sabe-se que ele tem ligações com a secretária da Casa Civil, Eva Chavion, e que está par do vem acontecendo por aqui. Recentemente, em entrevista à Tribuna da Bahia, Eva revelou que a área de segurança pública era a que apresentava problemas. Embora sem entrar no mérito da questão, o volume e crescimento de homicídios na Bahia bate recorde, assim como as sucessivas fugas de delegacias e presídios. Até agora Bezerra não apresentou um plano de segurança enquanto a violência toma conta da cidade, o que torna os baianos reféns do medo.
Fonte: Tribuna da Bahia

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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