domingo, janeiro 30, 2022

Por que a Rússia desconfia da Otan, que tem papel importante no conflito na Ucrânia




Os países-membros da Otan estão avaliando até que ponto deveriam ajudar a Ucrânia no conflito com a Rússia. Moscou, por sua vez, exige que a aliança encerre suas atividades militares no leste da Europa.

Diante da possibilidade de uma invasão na Ucrânia por parte da Rússia, os países da Aliança do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estão em alerta.

Eles estão avaliando até que ponto devem ir para ajudar a Ucrânia diante de uma possível invasão da Rússia. A aliança, que inclui Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, entre outros, está intensificando a preparação militar para potencialmente responder à presença de tropas russas na fronteira entre Rússia e Ucrânia.

Mas, o que é a Otan e qual sua relação histórica com Moscou?

O que é a Otan?

A Otan é uma aliança militar formada em 1949 por 12 países, entre eles EUA, Canadá, Reino Unido e França. Os seus membros têm o compromisso de se defender mutuamente em caso de ataque armado contra qualquer um deles. O objetivo inicial da Otan era responder à ameaça de expansão da União Soviética na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Em 1955, a União Soviética reagiu à Otan criando sua própria aliança militar de países comunistas do leste da Europa, com o chamado Pacto de Varsóvia.

Após o colapso da União Soviética em 1991, vários países do antigo Pacto de Varsóvia se tornaram membros da Otan, como Polônia, Hungria e Estônia. Agora, a aliança conta com 30 países-membros.

Qual o problema atual da Rússia com a Otan e a Ucrânia?

A Ucrânia é uma antiga república soviética que faz fronteira com a Rússia e a União Europeia. Não é membro da Otan, mas é um "país-associado", o que significa que pode se unir à aliança no futuro. A Rússia quer garantias por parte das potências ocidentais de que isso nunca ocorrerá, algo que o Ocidente não parece disposto a oferecer.

A Ucrânia tem uma grande população étnica russa e estreitos laços sociais e culturais com a Rússia. Estratégicamente, o Kremlin o enxerga como quintal da Rússia.

O que mais preocupa a Rússia?

O presidente Putin afirma que as potências ocidentais estão utilizando a Otan para cercar a Rússia e quer que a organização cesse suas atividades militares no leste da Europa.

Ele argumenta há muito tempo que a União Europeia rompeu com uma garantia que deu em 1990 de que a Otan não faria uma expansão rumo ao leste.

A Otan rechaça essa afirmação e diz que só um número reduzido de seus Estados-membros compartilham fronteiras com a Rússia, além de sustentar que trata-se de uma aliança defensiva, não ofensiva.

Muitos acreditam que o deslocamento de tropas russas para a fronteira da Ucrânia pode ser uma tentativa de obrigar o Ocidente a levar a sério as demandas de segurança da Rússia.

Qual foi a atuação da Otan na Rússia e na Ucrânia no passado?

Quando os ucranianos depuseram o seu presidente pró-Rússia no início de 2014, a Rússia anexou a península da Crimeia, ao sul da Ucrânia. Também respaldou separatistas pró-Rússia que ocuparam grandes territórios ao leste da Ucrânia.

A Otan não interveio, mas respondeu colocando tropas em vários países do leste europeu pela primeira vez.

A aliança ossui quatro grupos de batalha multinacionais do tamanho de um batalhão na Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia; e uma brigada multinacional na Romênia.

A Otan também ampliou sua vigilância aérea nos países bálticos e no leste da Europa para interceptar qualquer avião russo que ultrapasse a fronteira de seus Estados-membros.

A Rússia exige que esse poderio bélico seja retirado daquela região.

Que apoio a Otan prometeu à Ucrânia diante da ameaça russa?

O presidente dos EUA, Joe Biden, já disse que a Rússia vai "pagar um preço alto" se invadir a Ucrânia. Os EUA colocaram em alerta 8,5 mil soldados prontos para o combate, mas o Pentágono disse que só deslocaria essas tropas se a Otan decidir ativar uma força de reação rápida.

Acrescentou ainda que não há planos de enviar as tropas para o território ucraniano. A ministra de Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, advertiu que qualquer nova escalada militar "teria um preço alto para o regime russo: econômico, político e estratégico".

O governo britânico disse que o Reino Unido concorda que "os aliados devem concordar com ações de retaliação rápidas que incluam um pacote de sanções sem precedentes".

A Otan está unida em relação à Ucrania?

'A Otan tem intensificado suas defesas militares no leste da Europa'

O presidente Joe Biden tem dito que há "unanimidade total" dos EUA e líderes europeus sobre a Ucrânia, mas há diferenças no grau de apoio oferecido pelos países da aliança.

Os EUA dizem que enviaram 90 toneladas de "ajuda letal", incluindo munições, à Ucrânia, e o Reino Unido está disponibilizando mísseis antitanque de curto alcance.

Alguns membros da Otan, incluindo Dinamarca, Espanha, França e Holanda, estão enviando aviões de combate e tanques de guerra para o leste da Europa, para reforçar a defesa na região.

No entanto, a Alemanha tem rechaçado o pedido de armas defensivas feito pela Ucrânia, em linha com sua política de não enviar armamento letal a zonas de conflito. No lugar, vai enviar ajuda médica.

Enquanto isso, o presidente francês, Emmanuel Macron, tem pedido diálogo com a Rússia, para acalmar os ânimos. 

BBC Brasil

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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