segunda-feira, janeiro 31, 2022

Ao se livrar de Bolsonaro, Brasil pode gerar receitas e riquezas como maior potência ambiental

 

Publicado em 31 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Brasil quer consolidar-se como a maior potência verde do mundo

Agricultura e meio ambiente podem conviver em harmonia

Luiz Felipe D’Avila
Estadão

O Brasil poderá ser a primeira grande economia do mundo a gerar renda e riqueza na era do carbono neutro. Se o petróleo foi a matriz de riqueza das nações no século XX, a fixação de carbono será uma das principais fontes de riqueza do século XXI. Nesse sentido, o Brasil é a superpotência econômica do mundo. Temos capacidade de fixar metade do carbono do planeta plantando árvores em terras degradadas ou sem uso.

Nenhuma nação tem um ativo tão gigantesco e valioso. Mas, para transformar esse ativo em renda, é preciso haver uma importante mudança de mentalidade.

NOVA ECONOMIA – O tempo dos projetos nacionais dependentes da ação direta do Estado – e da proeminência do crescimento do PIB pela via de grandes obras públicas, passou. Na economia de carbono neutro, o sucesso vai depender da eficiência no uso equilibrado dos recursos da natureza. Esse novo norte muda tudo.

A passagem para a economia de carbono neutro vai comandar a reinserção do Brasil na economia mundial, permitindo realizar uma grande abertura para o comércio internacional e uma reforma do Estado, incluindo privatizações. O mercado é um aliado indispensável para a economia de carbono neutro florescer.

Quatro anos atrás, não havia no planeta nenhum governo que guiasse sua economia pensando no carbono neutro. Nem partidos brasileiros que defendessem essa opção. Mas em 2019 a União Europeia adotou a meta de carbono como norte de seu planejamento estratégico. Em menos de um ano, Coreia do Sul, Japão, China, Rússia e Estados Unidos seguiram na mesma direção. Hoje programas de carbono neutro são norma.

INTERESSES NACIONAIS – Seguir a tendência mundial seria sábio e prudente para o País – mas a razão central para perseguir metas de carbono neutro no Brasil é outra, bem mais relevante: atende muito melhor aos interesses nacionais.

Um governo comprometido com a meta de carbono neutro vai realizar todos os esforços para acelerar a mudança de estrutura na área de energia. Os pequenos projetos de energia solar transformam milhões de cidadãos em produtores e tiram do mercado gigantes monopolistas. Descentralizam o poder, aumentam o número de empresários na economia e distribuem renda. Melhoram as condições de mercado.

Esses esforços já vêm beneficiando o Brasil. Em 2021, apenas nos tetos das casas e em pequenos projetos, o País instalou 3,5 GW de energia solar. Custaram 15 vezes menos que os mesmos gigawatts da usina de Belo Monte, já um monumento da velha ideia de juntar muito dinheiro para um projeto estatal de alto impacto ambiental – e jogar R$ 50 bilhões (mais que todo o investimento previsto no Orçamento de 2022) no lixo.

REFLORESTAMENTO – O principal programa de renda e emprego vai ser o de plantio de áreas florestais permanentes em pequenas propriedades rurais. Vai beneficiar entre 750 mil e 1,5 milhão de pequenos proprietários (dos quilombolas e assentados até os donos de sítios e fazendolas) e gerar 3 milhões de empregos. Sem gasto público.

Com elas em pé, o Brasil vai prosperar, atrair investimento, gerar renda e emprego – principalmente para a população mais carente que vive no campo.

Mas a possibilidade maior para o Brasil nessa nova ordem mundial é outra. Quase três quartos de nossas emissões de gases de efeito estufa derivam do modo como lidamos com a natureza. A passagem para o carbono neutro depende da transformação desses usos – apoiando o mercado.

FIM DO DESMATAMENTO – É preciso ter metas claras para mudar radicalmente a situação. Começando pelo fim do desmatamento (44% das emissões brasileiras em 2020, e bem mais que isso com o criminoso aumento de 21% do desmatamento na Amazônia no ano passado).

Passando por um forte programa de recuperação de pastagens degradadas e das emissões na pecuária (a segunda grande fonte de emissões). A área de florestas plantadas para uso da madeira deverá pelo menos dobrar nos quatro anos de gestão.

As atividades do agronegócio vão se multiplicar: a tecnologia vai para o interior em áreas como energia (com o nordeste à frente); a silvicultura dobrará de tamanho; a plantação de florestas vai surgir como fonte de trabalho e renda. E tudo isso sem prejudicar um único milímetro da terra hoje empregada em atividades produtivas. O interior do País será o grande palco da mudança.

GRANDE POTENCIAL – O Brasil é um dos únicos que pode almejar zerar as emissões. Plantando 3 milhões de hectares de florestas em terras degradadas e sem uso (são 50 milhões de hectares atualmente), vamos criar um novo mercado de fixação de carbono, gerando emprego e renda sem competir com a produção atual.

Com a tecnologia do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e com contratos nacionais confiáveis e capazes de atrair uma pequena fração dos US$ 1,5 trilhão disponíveis no mundo para financiar essa atividade.

No foco tradicional há o dilema mercado ou conservação. Na economia de carbono neutro, o meio ambiente é mercado. Criar mercados novos pelo melhor uso da natureza é o norte do que temos de fazer para tirar o Brasil do ostracismo ambiental e fazer o País voltar a crescer de maneira sustentável.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Luiz Felipe D’Avila é cientista político, candidato a presidente da República pelo partido Novo. Seu programa ambiental é irretocável e merece ser defendido por todos os brasileiros que têm um mínimo de amor por este país. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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