domingo, janeiro 30, 2022

E o Rio, como vota?

 




Pesquisa da GPP mostra a intenção de votos dos eleitores no estado para presidente, governador e senador

Por Ascânio Seleme (foto)

Uma pesquisa da GPP não registrada na Justiça Eleitoral mostra como evoluiu a intenção de votos no Rio de agosto do ano passado até este mês. Realizada entre os dias 21 e 24, dispõe sobre as eleições para presidente, governador e senador. Como em todas as pesquisas nacionais, Lula bate Bolsonaro nos dois turnos, mas por margem menos elástica no Rio. O instituto não apresentou ao eleitor outras opções de nomes além dos dois protagonistas, oferecendo duas alternativas: “Nem Bolsonaro e nem Lula” e “Não sabe”. A alternativa “nem e nem” teve quatro pontos percentuais a menos do que Lula e seis pontos a mais do que Bolsonaro.

Pela pesquisa, Lula tinha pouco mais de quatro pontos de vantagem sobre Bolsonaro em agosto do ano passado e empatava tecnicamente com os eleitores “nem e nem”. Em outubro, a distância entre os dois candidatos subiu para nove pontos e manteve-se nesse patamar agora em janeiro. A pequena vantagem de Lula no Rio reflete a força do seu adversário no estado. Mas, se comparado ao resultado de 2018, percebe-se uma grande reviravolta. No segundo turno, de acordo com a pesquisa da GPP, Lula ganharia a eleição com 14 pontos de vantagem. Em 2018, Bolsonaro obteve 67,9% dos votos contra 32,05% dados a Fernando Haddad. Sua queda em três anos é astronômica.

Outros resultados da pesquisa merecem uma análise que ajuda mais a entender o eleitor fluminense do que avaliar as chances dos candidatos. No campo religioso, Lula ganha de Bolsonaro entre os católicos e os que declaram não ter religião. Em ambos os casos, o petista soma quase 20 pontos de vantagem. Já entre os evangélicos do Rio, Bolsonaro lidera com folga de dez pontos percentuais. Mesmo assim, no resultado combinado, os eleitores “nem e nem” e os que não sabem em quem vão votar somam quase cinco pontos a mais do que o total de Lula, que supera Bolsonaro em quase dez pontos percentuais.

No item que o GPP batizou de “Trabalho”, Lula perde por três pontos para Bolsonaro entre os autônomos, profissionais liberais e empresários. Lula ganha em todos os demais. Entre os trabalhadores com carteira assinada, supera o adversário por quatro pontos. Junto aos desempregados, ganha com 17 pontos de vantagem. E entre os que não trabalham (aposentados, do lar ou estudantes), Lula supera Bolsonaro por 12 pontos percentuais. No campo “Instrução”, Lula ganha com mais de 20 pontos entre os eleitores menos escolarizados, empata com Bolsonaro junto aos de ensino médio, e perde por três pontos entre os que têm curso superior.

Lula ganha amplamente entre os mais pobres. Junto aos que ganham até um salário mínimo, bate seu adversário com mais de 24 pontos de vantagem. Já entre os mais abastados, identificados como os que recebem mais de cinco salários por mês, Bolsonaro ganha do ex-presidente por doze pontos percentuais. Outro dado interessante da pesquisa revela que 37,8% dos eleitores de Bolsonaro e 36,5% dos eleitores de Lula costumam compartilhar mensagens com teor político nas redes sociais.

Para governador, a pesquisa mostra um sobe e desce nas intenções de voto de Marcelo Freixo e uma subida consistente nas do governador Cláudio Castro. Freixo subiu mais de um ponto percentual entre agosto e outubro e perdeu dois agora em janeiro. Castro subiu um ponto entre agosto e outubro e quatro de outubro para cá. A vantagem de Castro sobre Freixo, de pouco menos de dois pontos verificada nesta pesquisa, pode ter surgido em razão da vacilação do PT, que nas últimas duas semanas chegou a sugerir apoiar uma candidatura própria, com André Ceciliano. A tendência de Castro pode ser contida se Lula de fato confirmar seu apoio ao candidato do PSB.

No caso da única vaga para senador em disputa este ano, Romário lidera com margem de pouco menos de quatro pontos sobre Marcelo Crivella. Exatamente, o “bispo” ameaça roubar a cadeira do ex-jogador de futebol. O pior prefeito da história do Rio chegou a este patamar em razão do eleitor evangélico, que também empresta majoritariamente seu apoio a Bolsonaro, como já vimos. Mais abaixo, estão Lindbergh Farias, com oito pontos a menos que Romário, e Alessandro Molon, dez pontos de distância do líder nas pesquisas.

Rezando e torcendo

Nem começou e o PT já está fazendo orações e mandingas para que o governo do chileno Gabriel Boric comece bem, acertando mais do que errando. A torcida é que o presidente de esquerda eleito no Chile, que assume em março, pelo menos não faça nenhuma grande bobagem para não atrapalhar a campanha no Brasil. Lula sabe que qualquer marolinha lá vai ser usada como exemplo do que pode acontecer aqui se ele for eleito.

Vai parar

Houve um tempo em que pessoas desonestas ficavam apreensivas quando ouviam que uma maracutaia da sua lavra haveria de parar na Procuradoria-Geral da República. Hoje, regozijam-se. Quando ouvem que a coisa vai parar na PGR sabem que vai parar mesmo, estacionar, deixar de andar. Morrer. E Augusto Aras ainda se irrita com a Transparência Internacional que registrou piora do Brasil no ranking mundial da corrupção. Francamente.

No meu, não

Tem vários endereços a caça às bruxas iniciada por Paulo Guedes, que ameaçou ir à Controladoria-Geral da União para saber quem indicou quem no governo Bolsonaro, e responsabilizar cada um pelas porcarias que vem ocorrendo na administração federal. Nenhum deles aponta o Bloco P da Esplanada dos Ministérios, onde fica o gabinete de Guedes. A água já vai batendo no pescoço e o ministro quer tudo, menos ser responsabilizado pela lambança.

Ciclo completo

Tinham notas fiscais os 26 fuzis, 21 pistolas, dois revólveres, três carabinas, uma espingarda e um fuzil apreendidos no Grajaú. As armas, que iriam abastecer o tráfico e a milícia no Rio de Janeiro, cumpriram todo o processo de legalização estabelecido pelo atual governo. O bandido dono do arsenal tinha 43 certificados de registro de armas de fogo fornecidos pelo glorioso Exército brasileiro, todos com a abundante permissividade introduzida pelo bolsonarismo. Trata-se do ciclo completo que prova para que servem os decretos de armas e munições de Bolsonaro.

Falta de educação

Lula diz que ri de piada que já ouviu antes para não chatear seu interlocutor. Diz que é assim que se faz política, agregando, sendo paciente e tolerante, atendendo a pedidos de aliados, rindo de piada velha. Pode ser, até porque rir de piada velha é sinal de boa educação. Mas o que originou a fala foi Dilma. Lula disse que não iria aproveitar a ex-presidente no seu governo porque ela não sabe fazer política e porque “há gente nova no pedaço”. Chamou a companheira de velha, o que é absoluta falta de educação. E mais, trata-se de etarismo, preconceito contra idosos. E não me digam que Lula é velho e por isso não pode ter este tipo de preconceito. Basta ver o exemplo do presidente da Fundação Palmares, cujo nome não merece ser mencionado.

Café frio

O presidente do Brasil ficou cinco dias sem agenda. Você pode chamar Bolsonaro de preguiçoso, e estará certo. Mas, não é só isso. A agenda vazia também reflete a falta de interesse que as pessoas e as instituições têm por este homem. Na medida que o ano for passando, menos ainda ele terá importância.

Vide verso

Sebastião Nery iria gostar dessa, ouvida outro dia em Minas Gerais. Anos 80, numa convenção partidária em Divinópolis, cidade a pouco mais de cem quilômetros de Belo Horizonte, um mestre de cerimônia com uma lista na mão chamava um a um os oradores do dia. A certa altura, Pilinha, apelido do apresentador em razão de ser baixinho e gordinho, chamou um certo Vide Verso. Ninguém se levantou. Outra vez Pilinha exclamou “Vide Verso, venha, sua vez de falar”. Da plateia alguém soprou: “Vira a folha, Pilinha, vira a folha”, tentando alertar o locutor que certamente havia chegado ao ponto em que se informava que a lista de nomes continuava no verso. Pilinha ouviu o recado e emendou: “Ah, o Vide Verso foi embora, deixou o partido, foi para a oposição o vira folha”.

O Globo

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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