domingo, janeiro 30, 2022

José Anibal, do PSDB, apoia Simone Tebet, do MDB, mas faz questão de elogiar Lula…

Publicado em 29 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

José Aníbal diz que mais deputados do PSDB eram a favor do voto impresso:  'Tenho vergonha' | Jovem Pan

Jose Anibal alega que Joao Doria tem uma rejeição muito alta

Gustavo Schmitt
O Globo

Figura histórica do PSDB e uma das vozes de oposição ao governador paulista João Doria, o senador José Aníbal defende o nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) como o mais viável para quebrar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). Para Aníbal, Doria, pré-candidato de seu partido, tem rejeição muito alta e não conseguiu quebrar resistências na sigla, enquanto Tebet desponta como novidade.

Na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada em 16 de dezembro, Doria está numericamente à frente: ele tem 3%, enquanto Tebet tem 1%.

Por que o senhor acha que a senadora Simone Tebet (MDB-MS) é o único nome viável para a terceira via?
Eu não diria que é o único. Estamos entusiasmados com a candidatura da Simone. Ela representa algo novo nesse processo. Não só pelo fato de ser mulher. Ela tem uma compreensão boa da realidade que o país vive hoje e tem ideias para que a gente possa reconstruir o Brasil. Para sair da crise e do buraco, o país precisa voltar a crescer, combater as desigualdades de forma mais sustentável. De partida, temos dois candidatos que estão com a preferência do eleitorado. E tem três ou quatro candidatos que estão tentando buscar um caminho. Mas acho que a candidatura da Simone ajuda muito nisso. É uma pessoa que conhece finanças públicas, prioridade do gasto público e tem ideias para nos tirar da crise. Ela tem o que dizer e para diferentes públicos.

Mas o PSDB tem como pré-candidato o governador de São Paulo, João Doria. Como vê a candidatura dele?
Ele (Doria) está dentro desse movimento de buscar uma alternativa. Mas já tem um grau de resistência, de rejeição que não é pequeno. Que é muito superior à intenção de voto que ele tem, que permanece estável. A Simone tem baixíssima rejeição. É porque ela é pouco conhecida? Também. Mas não quer dizer que à medida que fique conhecida vá ficando rejeitada. Esse conhecimento pode significar um movimento de adesão.

Lideranças do MDB estão divididas nos estados entre o apoio a Lula e a Bolsonaro. Acha que o MDB vai apoiar mesmo a candidatura de Tebet?
O senador Tasso (Jereissati) e eu tivemos uma conversa agradável com o ex-presidente Michel Temer destacando os méritos da candidatura da Simone. Entendemos que o MDB tem suas peculiaridades. Mas o presidente do MDB, Baleia Rossi, assumiu a candidatura da Simone. Contratou uma equipe de comunicação para dar sustentação à movimentação da Simone nos próximos meses. Ela vai visitar o Brasil inteiro. Eu não paro de receber solicitações de encontros com a Simone. De universidade, de políticos, organizações sociais. Quando alguém desperta isso há espaço para que faça o trabalho.

O senhor acha que o PSDB não vai conseguir curar as feridas deixadas pelas prévias disputadas entre Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite?
Vou usar uma frase do Eduardo Leite. O Doria ganhou as prévias, mas continua parado nas pesquisas. Houve uma divisão nas prévias, mas isso seria página virada. No entanto, vejo que o governador (Doria) não consegue resolver as resistências que têm dentro do partido. Agora mesmo, ele disse que vai viajar a Minas, mas vai prescindir de conversar com os personagens do partido no estado (o deputado mineiro Aécio Neves é desafeto de Doria). Então, ele começa dividindo. A primeira coisa a ser feita por quem ganha uma indicação a presidente é unificar o partido. E essa responsabilidade é dele. Sei que teve uma conversa com Eduardo Leite depois das prévias. Mas não conversaram mais. Estou narrando os fatos e muito focado nessa questão presidencial.

Mas o que será do PSDB sem unidade?
O PSDB não é mais o PSDB da fundação, perdeu muitas lideranças e a renovação se faz lentamente. Eu via na candidatura do Leite esse ímpeto mudancista do PSDB. Não é muito promissor esse aspecto de regeneração do partido, mas é possível. Ou pode acontecer de outras formas, criam-se outras siglas.

Como vê o movimento de figuras históricas do PSDB em encontros com o ex-presidente Lula?
É salutar. Ele (Lula) está deixando claro que quer dispor de uma maioria parlamentar com a qual possa conversar sobre um programa para o Brasil.

Como vê a possibilidade de o ex-governador Geraldo Alckmin ser vice de Lula?
Acho que é um bom entendimento. Mas ainda falta uma base. O que isso vai significar? A presença do Geraldo pode ter um bom significado. Mas precisa ser mais trabalhado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – É o tipo de entrevista que requer tradução simultânea. O que José Anibal pretende é dividir a terceira via para eleger Lula e jogar o PSDB nos braços dele, para ver se lhe sobra alguma parte nesse latifúndio, diria João Cabral de Melo Neto. Na verdade, os tucanos estão divididos em várias correntes. Uma delas vai apoiar João Doria, outra facção quer apoiar Lula e há também a ala dos que preferem apoiar Sérgio Moro, se Doria continuar estacionado. Em outra variante, a direção do PSDB negocia uma federação com o partido Cidadania, que está querendo apoiar Moro. Em suma, a confusão é geral, como Helio Fernandes costumava dizer, citando Machado de Assis. (C.N.)  


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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