domingo, janeiro 30, 2022

Contra a vacina, Damares Alves assegura a derrota de Bolsonaro nas eleições

Publicado em 29 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

a da Mulher, Família e Direitos Humanos, assegurou ontem a derrota de Bolsonaro nas eleições de outubro ao divulgar mensagem condenando as medidas a favor da vacinação e atacando a exigência de passaporte já estabelecida por grande número de estados, municípios, empresas privadas e órgãos da administração pública.

 

Reportagem excelente de Vinicius Sassine, tornou-se a manchete principal da edição de ontem da Folha de S. Paulo. Aconselhando absurdamente as pessoas a recorrerem ao disque-denúncia, a ministra da Mulher e da Família não apenas prejudica a campanha de vacinação, divulgada pelo próprio governo federal, mas também contribuiu para congestionar o acesso ao disque-denúncia, além de com isso bloquear casos urgentes de pedidos de socorro. Entre os pedidos de socorro, claro, os relativos à violência doméstica contra a mulher.

DESASTRE CONTRA BOLSONARO – Sob o ponto de vista eleitoral, Damares  Alves cometeu um desastre contra o presidente Jair Bolsonaro que, como suas atitudes comprovam, não atribui maior importância ao voto dos eleitores e eleitoras que se empenham em se vacinar, bem como seus filhos e netos.

Não se pode compreender o que Damares  Alves pretende com a sua atitude. Já a posição do presidente da República tornou-se conhecida de toda a população. Ocorre que tanto Jair Bolsonaro quanto Damares  Alves não levam em consideração o reflexo nas urnas da nova investida contra as vacinas e a vacinação.

O posicionamento da ministra, divulgado ontem, só pode provocar perplexidade internacional e afastar parcela ainda maior do eleitorado contra a reeleição. Basta ver que de acordo com o Datafolha em pesquisa recente, 81% dos homens e mulheres são totalmente favoráveis, como não poderia deixar de ser, à vacinação.

NA CONTRAMÃO – O mundo inteiro está desenvolvendo campanhas pela vacinação. No Brasil, a ministra da Mulher e da Família coloca-se contra e propõe que as pessoas reajam à exigência de vacinação como devem reagir à violência doméstica e ao machismo. Damares  Alves confirmou com antecedência o resultado das eleições de outubro que se aproxima.

A Organização Mundial de Saúde e o mundo científico brasileiro e mundial certamente ficaram perplexos com a  iniciativa da ministra Damares  Alves.  Quanto a Jair Bolsonaro sua posição já era conhecida, mas não se esperava que uma ministra de seu governo chegasse a tal ponto.

CLOROQUINA – Na mesma edição da Folha de S. Paulo, Matheus Vargas destaca e analisa a nova decisão do ministro Marcelo Queiroga a respeito da cloroquina. Os conselhos dos secretários de Saúde estaduais e municipais manifestaram-se na quinta-feira contra a nota do secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde a favor da hidroxicloroquina.

A nota do secretário foi um desastre absoluto. Apesar disso, o ministro Marcelo Queiroga negou o atendimento imediato à proposta e pediu tempo para analisar o caso, embora o mundo científico já tenha condenado o uso da cloroquina contra a Covid-19. Sem dúvida alguma, existe uma sombra do Ministério da Saúde contra a condenação a um processo médico já amplamente considerado ineficaz.

REFORMA AGRÁRIA – A reforma agrária foi um dos principais temas da sucessão presidencial de 1960 vencida por Jânio Quadros que renunciou em agosto de 1961, criando uma crise política que até hoje não conseguiu ser totalmente superada.

No governo João Goulart, o tema voltou à pauta e o decreto que previa a desapropriação de terras ociosas criou uma tempestade no país pelo exagero das medidas, a principal delas a desapropriação compulsória de terras improdutivas a 10 quilômetros das rodovias, ferrovias, hidrovias e açudes.

FREIO AO PROGRESSO –  Fábio Pupo, também na Folha de S. Paulo de ontem, revela que o governo Bolsonaro pretende acabar com o imposto de 0,2% sobre a folha salarial das empresas para execução da reforma agrária. Inúmeros casos registrados nas áreas rurais dão conta da permanência de regime idêntico ao da escravidão ou então caracterizado por uma semi-escravidão repugnante e que representa um freio ao próprio progresso do país.

Vale lembrar que o ministro Roberto Campos em 1965 criou o Estatuto da Terra para dar curso a um processo capitalista de reforma agrária. Mais de 50 anos depois, a questão não foi enfrentada frontalmente e está longe de ser resolvida. Sem a reforma agrária o Brasil perde uma nova fonte de consumo e um caminho efetivo e legítimo para combater o desemprego.

SELEÇÃO JOGA MAL –  É claro que o juiz tumultuou a partida entre o Brasil e o Equador, quinta-feira, em Quito. Mas vale a pena assinalar que a seleção de Tite não esteve bem na partida. O modo de jogar está muito dependente de um esquema tático a partir da troca de passes curtos no meio de campo.

Esse estilo distancia o ataque brasileiro da área adversária, ao contrário dos lançamentos longos. Faltou também um homem na frente, reduzindo a distância entre o nosso ataque e a área adversária. Veremos agora contra o Paraguai se a seleção de ouro melhora. Vamos torcer e aguardar.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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