segunda-feira, janeiro 31, 2022

Por que Putin não foi dissuadido de invadir a Ucrânia




Apesar das ameaças dos EUA, Putin segue apenas seus próprios interesses

Por Victor David Hanson, historiador - The Daily Signal

Os americanos querem que uma Ucrânia autônoma sobreviva. Eles esperam que o Ocidente impeça o estrangulamento da Ucrânia e da OTAN pelo presidente russo Vladimir Putin.

No entanto, os Estados Unidos não querem que suas tropas se aventurem pelo mundo até o quintal da Europa para combater a Rússia nuclear e garantir que a Ucrânia permaneça independente.

A maioria dos americanos se opõe à noção de que a Rússia pode simplesmente ditar o futuro da Ucrânia.

No entanto, eles também aceitam com relutância que a Ucrânia foi, muitas vezes, parte da Rússia historicamente. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi o cenário sangrento do sacrifício simultâneo de russos e ucranianos - mais de 5 milhões de mortos - para derrotar a invasão alemã nazista.

Os americanos apoiam publicamente a OTAN.

No entanto, a maioria teme que a OTAN tenha se tornado diplomaticamente impotente e uma ilusão militar, uma Liga das Nações moderna.

Os membros da OTAN têm um produto interno bruto coletivo sete vezes maior que o da Rússia. Sua população agregada é de 1 bilhão. No entanto, a maioria não gastará o suficiente em defesa para deter seus inimigos mais fracos.

O segundo maior membro da OTAN, a Turquia, está mais próximo da Rússia do que dos Estados Unidos. Seu povo vota contra os americanos.

A Alemanha é o membro europeu mais rico da OTAN e o poder por trás da União Europeia. No entanto, a Alemanha em breve dependerá da importação de gás natural russo para suprir grande parte de suas necessidades energéticas.

Em uma recente pesquisa do Pew Research Center, 70% dos alemães expressaram o desejo de mais cooperação com a Rússia. A maioria dos americanos pensa exatamente o oposto.

Pior, 60% dos alemães se opõem a ir ao socorro de qualquer país da OTAN em tempos de guerra. Mais de 70% dos alemães classificam seu relacionamento com os Estados Unidos como “ruim”.

Podemos traduzir todos esses resultados perturbadores da seguinte maneira: o povo alemão e turco gosta ou confia mais na Rússia do que em seu próprio padrinho na OTAN, os Estados Unidos.

Eles não apoiariam a participação em qualquer esforço militar conjunto da OTAN nem mesmo contra uma Rússia invasora – mesmo, ou especialmente, se liderada pelos impopulares Estados Unidos.

Então, suponha que os dois membros-chave da OTAN sejam indiferentes ao destino da vizinha Ucrânia ou simpatizem com as queixas declaradas da Rússia – ou ambos.

De fato, a maioria dos americanos teme que, se a Ucrânia se tornar membro da OTAN, Putin possa estar ainda mais ansioso para testar sua soberania.

Putin assume que nem todos os membros da OTAN interviriam para ajudar uma Ucrânia atacada, conforme exigido por suas obrigações de defesa mútua nos termos do Artigo 5.

Se não o fizessem, Putin poderia absorver a Ucrânia e desfazer a aliança da OTAN de uma só vez.

Há mais complicações na bagunça ucraniana.

O presidente Joe Biden, em declarações malucas, confirmou a aposta de Putin de que os Estados Unidos estão atualmente divididos, confusos, enfraquecidos e mal liderados

Putin sabe que o secretário de Defesa e presidente do Estado-Maior Conjunto parecem mais preocupados com o “privilégio branco” e as mudanças climáticas do que com o aumento da prontidão militar para deter inimigos como ele.

Putin vê nas pesquisas que apenas 45% dos americanos confiam em seus novos militares politizados.

A fuga do Afeganistão, Putin ainda conjectura, tornou os Estados Unidos menos temidos pelos inimigos e menos confiáveis pelos aliados.

A política americana anterior fracassada de “reinicialização” russa, o apaziguamento das agressões de Putin durante os anos de Obama, juntamente com a farsa inventada de “conluio russo”, todos encorajaram – e irritaram – Putin.

Ele sabe que Donald Trump deixou o cargo impopular. Então, ele supõe que com a saída de Trump, a dissuasão americana contra a Rússia também tenha desaparecido.

A agenda agora rejeitada de Trump era aumentar as defesas americanas e da OTAN e bombear petróleo e gás para derrubar o preço global da principal fonte de divisas da Rússia.

Putin já ficou furioso por Trump ter deixado unilateralmente um acordo assimétrico de mísseis EUA-Rússia. Trump ordenou o uso de força letal contra um grande número de mercenários russos que atacaram uma instalação dos EUA na Síria. Ele vendeu armas ofensivas para a Ucrânia. Ele agiu à força ao eliminar inimigos terroristas como o general iraniano Qassem Soleimani, o islamista Abu al-Baghdadi e o próprio ISIS.

Com a morte do inimigo de Putin, Trump, a Rússia assume que os anos de apaziguamento do governo Obama-Biden estão de volta. Como em 2014, mais uma vez Putin está se movendo contra seus vizinhos.

Finalmente, há o infeliz papel de recentes funcionários do governo ucraniano. Alguns estavam profundamente envolvidos em dar luz verde à fraude e especulação da família Biden para garantir ajuda externa americana maciça.

Alguns expatriados ucranianos e atuais membros do governo trabalharam com a esquerda americana para garantir o primeiro impeachment de Trump.

Agora, os ucranianos estão exasperados porque suas intromissões anteriores na política doméstica americana saíram pela culatra com a desastrosa presidência de Biden – e sua aparente aceitação de fato de uma inevitável anexação russa.

Onde toda essa bagunça deixa os Estados Unidos?

Em apuros.

Putin está minando uma nação soberana, rachando a OTAN e, se for bem-sucedido, pode continuar o modelo de compressão lenta da Ucrânia nos Estados Bálticos e em outros lugares.

Enquanto isso, a China sorri, esperando que o plano da Ucrânia possa ser usado contra Taiwan.

Americanos exasperados temem que Putin não seja dissuadido nem por sanções, nem por vendas de armas, mas segue apenas seu próprio senso de interesse e a relação custo-benefício.

Gazeta do Povo (PR)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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