domingo, janeiro 30, 2022

Um leito para 430 crianças: covid expõe problema do Brasil

 




Apesar de não ser mais letal para crianças, a nova variante ômicron se espalha com rapidez muito maior. Casos de covid-19 entre a população infantil brasileira estão em alta há pelo menos três meses.

Por Laís Modelli

A taxa de transmissão da covid-19 (Rt) no Brasil bateu recorde em 25 de janeiro de 2022, chegando a 1,78 (100 infectados podem transmitir para 178 indivíduos), segundo monitoramento do Imperial College de Londres. Uma semana antes, a taxa era de 1,35. A responsável é a variante ômicron, muito mais transmissível que as anteriores.

Apesar da disparada de casos entre a população adulta ocorrer desde dezembro no país, de acordo com o último boletim epidemiológico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave entre as crianças de zero a nove anos teve início muito antes, em outubro de 2021.

Os efeitos de três meses seguidos de alta nos casos de coronavírus entre a população infantil são sentidos agora: levantamento da Folha de S. Paulo publicado em 26 de janeiro mostrou que, em pelo menos sete estados, a ocupação dos leitos UTI covid para crianças está em 80% da sua capacidade. Em alguns deles, a ocupação pode chegar a 100%.

Porém a transmissibilidade recorde atribuída à variante ômicron não explica isoladamente a atual crise de leitos UTI covid pediátrica, mas expõe um problema estrutural muito anterior à pandemia.

"O cenário de vagas em unidades de terapias intensivas pediátricas no Brasil em geral é insuficiente desde sempre. Essas UTIs vivem cheias em qualquer período e contexto", observa o pediatra infectologista Marco Aurélio Sáfadi, diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Por que os casos de SRAG cresceram

Assim, de acordo com o Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave desde outubro e a atual lotação os hospitais se deu por quatro motivos:

- Apesar de não ser mais letal do que as demais variantes, a ômicron tem infectado mais as crianças, a única parcela da população que ainda não se vacinou contra a covid-19 – a imunização a partir dos cinco anos teve início apenas em 17 de janeiro e caminha a passos lentos por todo o país. As crianças, principalmente as pequenas, são, neste momento, as mais expostas à infecção;

- Junto com o aumento da transmissão do coronavírus, os meses de novembro e dezembro foram marcados por uma epidemia de influenza fora de época, com um vírus para que ainda não há vacina, o H3N2;

- O Brasil flexibilizou as medidas sanitárias contra a covid-19;

- A rede hospitalar brasileira, tanto no SUS como na rede privada, tem uma carência crônica de leitos pediátricos. Qualquer evento adverso na saúde do público infantil pode sobrecarregar os hospitais.

Mesmo que não haja evidências científicas de que a ômicron seja mais letal do que outras variantes, apenas em 2022, até 27 de janeiro, 29 crianças de zero a 11 anos morreram por causa da covid-19, segundo dados do Ministério da Saúde solicitados pela DW Brasil.

A reportagem questionou o Ministério da Saúde sobre a disparada dos casos entre as crianças, assim como solicitou a quantidade desses casos de mês a mês, mas não teve retorno da pasta para essas demandas.

Um leito para cada 430 crianças

O país tem 82.699 leitos para internação pediátrica, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), mantido pelo Ministério da Saúde. Em contrapartida, a população infantil brasileira (zero a 12 anos) é de 35,5 milhões, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia Espacial (IBGE). Ou seja, o país oferta um leito para cada 430 crianças.

"Existem muito poucos leitos de UTI pediátrica no Brasil como um todo", diz o pediatra infectologista do Departamento Científico de Imunizações da SBP, Eduardo Jorge Lima.

Do total de leitos pediátricos, 36.370 unidades – o equivalente a 43% – estão no Sistema Único de Saúde (SUS), e somente uma pequena parte em cada estado se destina à internação pela covid-19.

É o caso do Mato Grosso do Sul, listado no levantamento da Folha de S. Paulo. Segundo o boletim do governo estadual desta sexta-feira (28/01), o estado está com 100% das UTI covid pediátricas ocupadas. A taxa assusta, mas os dados indicam que o estado tem apenas cinco leitos de UTI covid destinados à internação de crianças.

O problema não é recente nem exclusivo de uma região, contudo. E como a oferta de internação pediátrica no Brasil trabalha no limite, tanto na rede pública quanto privada, qualquer aumento na demanda pode levar à lotação dessas unidades.

"Quando aconteceu o aumento de síndrome respiratória aguda grave entre as crianças no final de 2021, tanto pelo vírus influenza H3N2 como pela ômicron, o cenário apenas reforçou a carência crônica dos leitos pediátricos no país", afirma Lima.

Segundo o pediatra, o problema não é recente, e a Sociedade Brasileira de Pediatria alerta há anos que o SUS vem perdendo leitos pediátricos: desde 2010, foram fechadas mais de 12,4 mil vagas em UTIs pediátricas de todo o país.

Sobrecarga indireta pela ômicron

Marco Aurélio Sáfadi diz ser a primeira vez na pandemia em que, no momento da internação de crianças por outras doenças que não a covid-19, descobre-se que elas estão com o vírus Sars-Cov-2.

"Em função de a variante ômicron ser muito transmissível, temos pacientes infantis que internam por outros problemas de saúde que não a covid, mas estão infectados com o vírus. Ou seja, a internação não é pela covid, mas com covid", explica o pediatra infectologista da Santa Casa de São Paulo.

Com isso, apesar de serem internados por causa de outras doenças, os pacientes infantis infectados precisam ficar isolados e acabam ocupando leitos e enfermarias destinados à covid-19.

"É um fenômeno que não víamos com as outras variantes. Antes, com a delta, a principal causa da internação infantil era a complicação da covid. Agora, o grande problema é a quantidade de crianças nas enfermarias que – por também estarem com coronavírus, mas terem procurado o hospital por outros motivos – precisam ficar isoladas. Isso gera uma restrição ainda maior na nossa disponibilidade de vagas", completa Sáfadi.

'Pediatra do SBP defende vacinação de crianças em breve'

"Vacinação infantil o quanto antes"

Desde o início da pandemia, 1.503 crianças de zero a 11 anos morreram por covid-19 no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Mais de 78% destes óbitos (1.179) foram entre as crianças de zero a quatro anos.

"Temos observado desde o início da pandemia que as crianças com até dois anos são mais suscetíveis aos casos graves da covid", diz Sáfadi, ressaltando que o primeiro ano de vida é período de maior risco de eventos mortais para qualquer doença respiratória, por causa da imaturidade imunológica.

Mesmo que a variante ômicron não tenha se mostrado mais mortal que a delta, somente em janeiro de 2022 ela já foi responsável pela morte de 14 crianças de cinco a 11 anos, faixa etária que poderia estar sendo imunizada desde dezembro, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina da Pfizer para esse grupo.

"A vacina pediátrica contra a covid protege contra os quadros agudos de síndrome respiratória aguda grave, vai diminuir as internações de crianças por covid, vai diminuir os casos de síndromes inflamatórias, além de ajudar a diminuir a circulação do coronavírus na comunidade. Por isso, esperamos que todas as crianças sejam vacinadas o quanto antes", diz Lima.

O pediatra da SBP lembra que o Chile já vacina crianças acima dos três anos com a Coronavac, e como a aprovação do imunizante no Brasil "foi baseada nos estudos de efetividade do Chile, esperamos que se libere logo a vacinação também para menores de cinco anos".

Falta de escola também prejudica a saúde

Apesar de a maioria das crianças ainda não ter tomado a vacina contra a covid-19 e o Brasil estar vivendo um aumento nos casos diários, tanto a Sociedade Brasileira de Pediatria quanto os especialistas ouvidos pela reportagem defendem a retomada das aulas presenciais.

"Um dos aprendizados destes dois anos de pandemia é que a escola nunca representou um foco de transmissão do coronavírus na comunidade. É claro que infecções ocorrem na escola, mas ela nunca foi responsável pelas explosões de casos que vimos ao longo da pandemia", explica Sáfadi.

"O afastamento das crianças das escolas aumentou muito a incidência de depressão infantil e prejudicou o desenvolvimento cognitivo, além de ter colocado em risco a saúde alimentar das crianças mais carentes", complementa o pediatra infectologista.

Contudo, o cuidado deve ser maior com crianças menores: "Crianças abaixo de um ano são mais frágeis às doenças respiratórias. Além disso, não teremos tão cedo vacina aprovada para esse grupo etário. O ideal seria oferecer uma segurança maior a elas e deixá-las em casa, se possível", pondera Sáfadi.

Para que os casos infantis não continuem a subir, os especialistas afirmam ser imprescindível para a retomada das aulas o uso de máscaras tanto pelas crianças quanto pelos profissionais da educação. Estes últimos devem usar máscaras mais eficazes contra a transmissão, do tipo N95 ou PFF2, além de serem responsáveis por garantirem salas de aula ventiladas, distanciamento social entre as crianças e a constante higienização das mãos.

"A criança não se contamina sozinha, ela se contamina de um adulto. Então, estes devem redobrar os cuidados com as crianças, principalmente as que ainda não têm vacina aprovada", alerta Lima. "O fechamento das escolas foi tão danoso que a SBP tem a convicção que a escola é um ambiente que deve ser preservado ao máximo para ter aulas presenciais."

Previsão do cenário futuro

O boletim da Fiocruz da última semana de janeiro prevê uma melhora nos casos de influenza no grupo etário de zero a nove anos, mas alerta para a tendência de aumento nos casos de covid-19.

"Esta reversão na tendência de novos casos em crianças pode estar associada à redução na transmissão de casos de vírus sincicial respiratório (VSR) e de influenza (gripe), que eram as principais causas de SRAG nessa faixa etária (zero a nove anos), enquanto os casos associados à COVID-19 aparentam manter crescimento", diz o boletim da Fiocruz de 27 de janeiro.

A redução nos casos de influenza entre as crianças nas próximas semanas já era esperada, segundo Sáfadi: "Já começamos a perceber diminuição dos casos quando comparado ao mês de dezembro."

"Como já é esperado anualmente, temos um período de pico de casos de influenza com duração determinada, seguida por uma tendência de diminuição dos casos. O que aconteceu neste período foi um pico de influenza totalmente fora de época, no meio do verão, quando não costumamos ver o vírus circular", explica Sáfadi.

Em relação às transmissões de coronavírus, Eduardo Jorge Lima afirma que a primeira quinzena de fevereiro deverá ser acompanhada, para que sejam tomadas novas decisões sobre o futuro da pandemia no país.

"A expectativa é que a ômicron alcance o ápice das transmissões no Brasil nas próximas duas semanas, e depois ou alcance um platô ou comece a cair, como vimos com as outras variantes, como com a ômicron na África do Sul, no Canadá e na Austrália", diz o infectologista da SBP.

Já o pediatra Sáfadi pondera que ainda é cedo para predizer os rumos da pandemia de covid no Brasil: "É difícil se prever quando haverá o pico de casos da ômicron, porque há muitas peculiaridades no caso do Brasil. Somos um país continental, ou seja, o aumento dos casos não aconteceu em todo o país ao mesmo tempo, cada região tem uma realidade."

"É possível que ocorra aqui a diminuição que estamos vendo no Reino Unido e na África do Sul, mas precisamos lembrar que, pelo menos com as outras variantes, a curva epidemiológica se manteve num platô por mais tempo no Brasil que em outros países, até os casos começarem a baixar", compara o pediatra da Santa Casa de São Paulo.

Deutsche Welle

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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