domingo, junho 18, 2006

Informe da Bahia

Por: Correio da Bahia

Lula faz proselitismo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarga amanhã em Salvador, no início da tarde, para, novamente, fazer campanha com programas que foram criados no governo do antecessor e por lideranças do PFL do estado. Em Santo Estevão, o presidente participa da inauguração de cem mil novas ligações do programa Luz para Todos, que nasceu com base no Luz no Campo idealizado por Rodolpho Tourinho (PFL) quando ministro de Minas e Energia do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na última visita à Bahia, Lula visitou o Complexo da Ford, em Camaçari - uma conquista do PFL e que o PT foi contrário -, e participou da inauguração da primeira fábrica de pneus da multinacional alemã Continental no país, resultado da política do estado de atrair investimentos externos. Somente este ano, quando está em plena campanha à reeleição, o presidente já esteve na Bahia em quatro oportunidades, mas, em nenhuma delas, explicou porque o seu governo discrimina o estado deixando-o de fora dos principais investimentos na área de infra-estrutura da União.
Reeleição
A Câmara dos Deputados analisa a PEC que determina a simultaneidade das eleições em todos os níveis e proíbe a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos, bem como de quem os houver sucedido ou substituído nos seis meses anteriores ao processo eleitoral. Também fixa em cinco anos a duração dos mandatos de cargos eletivos nos poderes Executivo e Legislativo, em todos os níveis, com exceção dos senadores, que passaria a ser de dez anos.
Indignação
A população de Salvador já começa a demonstrar sinais de indignação com o prefeito João Henrique Carneiro (PDT). No afã de levantar recursos, o gestor da cidade autorizou a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) a cobrar R$2 pela permanência dos carros por seis horas na orla marítima da capital. No trecho compreendido entre a Barra e Itapuã, soteropolitanos e turistas terão que se render aos desmandos praticados, agora com respaldo oficial, pelos tão conhecidos guardadores de carros.
Pesar
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Clóvis Ferraz (PFL), apresentou moção de pesar pela morte de Edvaldo de Oliveira Flores, ex-vice-governador da Bahia, entre 1982 e 1985. Ele disse que o falecimento "traz consternação a toda sociedade baiana", destacando que o político "marcou a sua trajetória política pela probidade e honestidade no trato da coisa pública".
Saneamento
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), concessionária pública da prefeitura de Juazeiro (BA), iniciou a obra de saneamento do bairro Itaberaba, uma das principais reivindicações da comunidade. O prefeito Misael Aguilar (PFL) visitou canteiro de obras e destacou que este é mais um compromisso constante do seu programa de governo, colocado em prática. O investimento total da obra é de R$2,4 milhões, sendo R$240 mil de contrapartida da prefeitura.
Educação
O prefeito de Itabuna, Fernando Gomes (PFL), comemorou o recorde baiano de investimentos em educação: mais de 31% do Orçamento no setor, enquanto os demais municípios gastam os 25% previstos pela Constituição. Gomes disse que, só com salários dos professores, o município gasta mais de 20% da receita. Desde o início da gestão, o prefeito tem buscado recursos e parcerias em outras esferas para melhorar a educação municipal.
Obstáculos
O vereador Emmerson José (PFL) é autor de requerimento em que solicita da Superintendência de Engenharia de Tráfego de Salvador (SET) o número de quebra-molas espalhados na cidade, de semáforos e de quem faz a aferição dos radares. "O que a SET faz é indecente. Há quebra-molas até em pista de cooper, isto é motivo de piada. Na Avenida Paralela, alguns radares ficam escondidos, o que demonstra o intuito da SET em extorquir os cidadãos", destacou o vereador.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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