domingo, junho 18, 2006

Brasil volta a jogar mal, mas vence e se classifica na Copa do Mundo

Por: EDUARDO VIEIRA DA COSTAEditor de Esporte da Folha Online, em Munique

O Brasil novamente venceu sem convencer na Alemanha. Após 90 minutos de um futebol pouco inspirado, a seleção fez 2 a 0 na Austrália, com gols de Adriano e Fred, e, mesmo sem a criatividade imaginada antes do início do Mundial, garantiu por antecipação sua passagem à segunda etapa do torneio.Tendo atingido seis pontos na classificação do Grupo F, o Brasil pode ser alcançado apenas pela própria Austrália na última rodada da primeira fase e por isso já está garantido entre os 16 melhores times do Mundial. Para confirmar o primeiro lugar da chave, precisa de um empate contra o Japão, na próxima quinta-feira.No jogo de hoje, o Brasil começou ameaçando ter uma atuação melhor do que na estréia, quando Kaká fez boa jogada com Ronaldo e quase abriu o placar aos 3min. Porém, depois disso, o time se perdeu em campo e não conseguiu criar boas jogadas durante todo o restante do primeiro tempo.Enquanto isso, a Austrália, com um eficiente sistema defensivo, anulava os principais jogadores brasileiros, mas não tinha sucesso nas tentativas de chegar ao gol de Dida por meio de chutes de fora da área.Na volta à segunda etapa, aos 4min, o Brasil conseguiu fazer o seu gol. Ronaldo recebeu pela esquerda do ataque e passou para Adriano, que ajeitou e chutou de esquerda, sem chances para o goleiro australiano.Depois disso, porém, voltou a jogar mal, sem criar qualquer problema à defesa australiana e chegando a ser vaiado pela torcida. Enquanto isso, quem criava chances para o empate era a Austrália, beneficiada por falhas no setor defensivo brasileiro.Até o final da partida, o que se viu foi uma Austrália partindo para o ataque, mas esbarrando na falta de opções ofensivas. No final do jogo, porém, foi o Brasil que ampliou o placar. Num contra-ataque aos 45min, Fred, que acabara de entrar, tocou para Robinho na direita e partiu para dentro da área. Após Robinho acertar a trave, a bola sobrou para o mesmo Fred, que apenas completou para o gol, fechando o placar.O jogoO Brasil partiu para o ataque no início e, aos 3min, numa boa troca de passes entre Kaká e Ronaldo, o meia do Milan chutou forte com o pé direito, de fora da área, e a bola passou perto da trave direita do goleiro Schwarzer.Aos 10min, depois de uma falta violenta em Ronaldo pela direita, Roberto Carlos disparou forte, mas a bola foi longe do gol australiano. Apesar do maior tempo com a posse de bola, o Brasil não conseguia se impor e a Austrália, marcando bem, equilibrava a partida e chutava mais ao gol.O Brasil repetia a fraca atuação da estréia, contra a Croácia. Os jogadores eram mal-sucedidos na tarefa de se livrarem da marcação adversária e não criavam perigo ao goleiro Schwarzer.Num lance emblemático do desempenho brasileiro na primeira etapa, Ronaldinho passou para Kaká e este tocou, pelo alto, para Ronaldo. O atacante preparou o chute e nem sequer conseguiu acertar a bola, facilitando o trabalho da defesa australiana. Antes do final dos primeiros 45 minutos, ainda houve tempo para Bresciano assustar Dida, num tiro de fora da área.Logo no começo do segundo tempo, aos 4min, o Brasil conseguiu abrir o placar. Ronaldo recebeu pela esquerda do ataque e tocou para Adriano. O atacante ajeitou e mandou rasteiro, no canto esquerdo, sem chances para Schwarzer. Na comemoração, Adriano e seus companheiros dedicaram o tento ao filho recém-nascido do atleta da Inter de Milão, Adriano Jr.Depois disso, no entanto, a seleção brasileira voltou a jogar mal e permitiu ao adversário algumas chances. Aos 11min, após um cruzamento despretensioso, Dida saiu muito mal do gol e a bola sobrou livre para Kewell, que chutou para fora.Apenas aos 25min, em uma jogada individual de Kaká, o Brasil voltou a ameaçar. O meia partiu do meio-de-campo, driblou um defensor e, já dentro da área, chutou cruzado, para defesa de Schwarzer.Aos 27min, Parreira fez as duas primeiras alterações no time, colocando Gilberto Silva e Robinho nos lugares de Emerson e Ronaldo, respectivamente. O time melhorou e, aos 32min, Robinho quase fez o segundo, em duas oportunidades seguidas, a primeira em uma jogada com Adriano e a segunda após cobrança de escanteio realizada na seqüência.Aos 34min, Dida impediu o empate, defendendo bem um chute de Bresciano, pela direita da grande área. Três minutos depois, Kaká acertou o travessão australiano, completando escanteio batido por Ronaldinho.A Austrália voltou a criar chances, mas num contra-ataque aos 45min, Fred, que acabara de entrar no lugar de Adriano, tocou para Robinho na direita e partiu para dentro da área. Robinho chutou, a bola desviou no goleiro australiano e acertou a trave. Na sobra, Fred apenas completou, fazendo 2 a 0 e fechando o placar.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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