Compartilhar informações secretas em política não é uma atitude aconselhada
Compartilhar segredos é um sinal de amizade, de intimidade e de confiança. Certo? Nem sempre, e na política seguramente trata-se de uma atitude desaconselhada. Um assunto não se torna segredo por pouco. Segredo, é muito mais que reserva. Segredo significa ser zeloso em esconder o assunto em manter um selo de proibição de falar sobre o mesmo.
O segredo protege revelações que seriam muito prejudiciais se se tornassem de conhecimento de outNunca compartilhe segredos com os poderosos (pág. 2)
Se o segredo nunca vier a público, você está protegido. Se ele acabar vindo a público ( por outra via que não você mesmo) então torna-se um problema objetivo, de conhecimento público, que você terá que enfrentar, e, como tornou-se publicamente conhecido,você poderá apoiar-se em amigos para consolo e conselho.
Nem você deve "abrir" seus segredos, nem deve sentir-se honrado e valorizado por tornar-se confidente de outrém, mormente se for um poderoso, um superior na hierarquia da política ou do governo.
"Ouvir os segredos de um príncipe não é um privilégio, e sim uma carga. Muitos poderosos costumam quebrar o espelho que os lembra sua feiura. Eles, passam a não suportar aqueles que viram aquela imagem. Você não será bem visto, se viu alguma coisa desfavorável. E, sobretudo, não é bom ter alguém lhe devendo tanto, principalmente se é uma pessoa poderosa. Quem conta seus segredos para outro, faz de si mesmo um escravo do seu confidente, e esta é uma situação que nenhum líder ou governante pode suportar. Para recuperar a liberdade perdida ele atropelará qualquer coisa, até mesmo a razão." (Baltasar Gracián - O Oráculo - No. 237)
Em hipótese alguma o assessor pode abrir seus segredos para um poderoso. É melhor eles ficarem bem guardados
A pessoa poderosa que, num momento de fraqueza, revelou seu segredo a um subordinado de sua grande confiança, entregou muito mais de si mesmo do que a pessoa comum ao compartilhar uma revelação de ordem estritamente pessoal.
Líderes, ocupam esta posição porque são diferentes dos que lideram. De um líder espera-se exemplos. Exemplo de firmeza, capacidade de agüentar os golpes da luta política, serenidade nos momentos em que todos se perturbam, lucidez diante da confusão, e força moral para enfrentar o isolamento que o poder lhe impõe.
Confidenciar segredos para aliviar a pressão diminui o líder, põe em questão suas qualificações. O confidente que, no momento de fraqueza do líder, ouviu os seus segredos, é uma "vítima anunciada". Ele é o testemunho vivo da fraqueza do líder, da sua fragilidade, e ainda é possuidor de um conhecimento que pode prejudicá-lo.
Passado o momento de fraqueza, recuperado o equilíbrio, restaurada a normalidade, haverá uma pessoa e somente uma, perante qual o líder sentir-se-á desnudo, exposto no que tem de mais constrangedor, humilhante ou politicamente desfavorável. Perante esta pessoa que, no momento de fraqueza, foi tão próxima, ele agora sente-se inconfortável, desconfiado e quer manter distância. Perante ela, sente-se refém.
Não caia pois na ingênua convicção de que você ganha em importância, amizade e poder, por ser confidente de seu chefe. Muito ao contrário. Você ganha um estigma que seguramente vai afastá-los. Gracián resume esta advertência de forma lapidar: "Segredos? Nem conte, nem ouça."
Francisco Ferraros. (Política para políticos)
Ter reserva significa ser discreto quando falar sobre ele. O segredo protege revelações que seriam muito prejudiciais se se tornassem de conhecimento de outros. Prejudiciais por várias razões: por causar vergonha, por expor fraquezas, por oferecer material para uso dos inimigos e adversários, por revelar uma estratégia, por criar constrangimentos, por exigir explicações defensivas, etc Por isso, como diria Lupicínio Rodrigues: O peixe é pro fundo da rede, segredo é pra quatro paredes...
Assim, se o segredo se refere a revelações constrangedoras, que causam vergonha, ou que são prejudiciais por outras razões, em condições normais, uma pessoa jamais revelaria a outro seu segredo. Ocorre que, exatamente por possuir estas características, o segredo isola o indivíduo, deixa-o solitário, inseguro e ansioso. Desta condição psicológica é que brota a tentação de compartilhá-lo com alguém de confiança.
A quem o carrega, compartilhar o segredo parece uma forma de aliviar o seu peso, conquistar uma solidariedade, encontrar um amparo. Mais ainda: se o segredo trata de assunto que está a exigir uma decisão pessoal, compartilhá-lo é uma forma de buscar um conselho, discutir alternativas, encaminhar a melhor solução.
Compartilhar o segredo com outra pessoa, entretanto, implica cruzar uma linha protegida pelo pudor e pela prudência. Significa por-se nas mãos de outra pessoa, equivale a "pagar" o alívio/conselho com a moeda da fragilização pessoal. Como diz Baltasar Gracián: "A pessoa que conta seu segredo para outro, faz de si mesmo um escravo do seu confidente."
Se estas observações são válidas para situações pessoais, sociais e familiares, o são muito mais para as relações políticas. A questão crucial é que somente se compartilha um segredo, em momento de muita fraqueza, angústia, e insegurança. É neste ponto que se encontra a armadilha que o confidente arma contra si mesmo sem perceber.
O momento de fraqueza passa, a necessidade de alívio diminui, e o arrependimento pelo ato praticado, aparece com toda a sua força. Os temores e a insegurança então, não se referem mais ao conteúdo do segredo (como era antes) mas, sobre o comportamento do confidente escolhido: ele será fiel à confiança que nele foi depositada?
Se no futuro a amizade se romper, ou enfraquecer, ele manterá o segredo em reserva? Se ele tornar-se inimigo, usará o segredo contra você? Se ele contar para a mulher, ela levará adiante?
Em outras palavras, a constelação de sentimentos que o dominava no momento em que decidiu compartilhar o segredo, é totalmente diferente, e até oposta, àquela que o domina, no momento em que sua insegurança, angústia e ansiedade diminuiram. Compartilhar segredos desta natureza na vida política nunca é recomendável. Aliás, nem é nem prudente nem sábio agir assim.
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