segunda-feira, dezembro 22, 2025

O governo Mitidieri não é essa cocada toda em 22 dez, 2025 8:29

em 22 dez, 2025 8:29

Adiberto de Souza

 Diferente do que propagam os governistas, a gestão do governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), não é essa cocada toda. Segundo pesquisa do instituto AtlasIntel, exagerados 54% da população sergipana consideram o governo do pessedista como apenas “Regular”, enquanto outros 24% dos entrevistados cravam um sonoro “Ruim e Péssimo”, percentual superior aos 20% que disseram ser o governo estadual “Ótimo e Bom”. Apenas 2% não souberam responder. Claro que o marketing oficial somou os quesitos “Regular”, “Não sei” e “Ótimo e Bom” para divulgar que a gestão foi aprovada por mais de 70% dos sergipanos. Não foi! Também vale ressaltar que a pesquisa coloca Mitidieri na 21ª posição entre os 27 gestores estaduais, bem diferente do que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), que lidera o Ranking do instituto AtlasIntel. Portanto, antes de se enganarem somando percentuais, os governistas precisam cair na realidade, pois eles só têm cerca de 10 meses para mostrar serviço e, consequentemente, melhorar a aceitação popular da gestão se quiserem ganhar as eleições de 2026. Marminino!

Figurinhas repetidas

Pelo andar da carruagem, o eleitor sergipano não terá muita opção para votar em 2026. Até agora, os pré-candidatos citados pelas esquinas de Sergipe são da velha guarda da política. Mesmo os mais jovens em idade foram forjados em legendas conservadoras. Portanto, pelo que se ouve por aí, todos vão ao próximo baile com as fantasias das festas anteriores. São figuras recauchutadas tentando emplacar um discurso de novo. Ao eleitor compete analisar cada proposta e rejeitar as falsas promessas feitas e refeitas ao longo do tempo. Home vôte!

Candidatura importada

Sob o comando do deputado federal Rodrigo Valadares (União), o PL está importando um goiano para disputar as eleições em Sergipe. O dito cujo é Wellington Camargo, irmão do cantor bolsonarista Zezé de Camargo. O pré-candidato, que conta com a assessoria política do ex-deputado estadual Augusto Bezerra, diz ter morado em Aracaju durante dois meses e, apesar desse pouco tempo, jura conhecer os principais problemas do estado. Alguém precisa dizer ao distinto que outros ilustres desconhecidos já tentaram conquistar um mandato parlamentar aqui na terrinha e todos deram com os burros n’água. Misericórdia!

Boatos em alta

A proximidade da campanha eleitoral tem estimulado algumas pessoas a divulgarem informações falsas sobre os pré-candidatos a governador, senador e deputado. Propagar fake news é expediente baixo, porém muito usado por determinador comunicadores e políticos visando desestabilizar os adversários, atrapalhar acordos em andamento e confundir os eleitores. Portanto, fique atento, pois o show de boatos está apenas começando. Até as eleições do próximo ano, uma série de informações desprovidas de quaisquer fundamentos será espalhada em Sergipe com o objetivo de engabelar os tolos. Quem viver verá!

Bom de garfo

O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), deu as caras nos mercados centrais da capital sergipana para encarar um reforçado café da manhã. Aliás, de uns tempos pra cá, os pré-candidatos a cargos eletivos têm circulado pelas feitas livres para, entre um garfada e outra, sentir a aceitação de seus nomes pelos eleitores. Postulante a uma cadeira de senador, Nogueira tem circulado por todo o estado e prestigiado  os eventos promovidos pelo governador Fábio Mitidieri (PSD), de quem é aliado. Então, tá!

Vida perigosa

Pesquisa mostra que 27,9% dos homens entre 18 e 24 anos e 20,4% das mulheres, na mesma faixa etária, têm comportamento de risco depois beber nas chamadas baladas. A análise foi feita com os jovens depois do finge drinking (tomar quatro ou cinco doses de álcool em poucas horas). Segundo o estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo, após a prática do binge drinking 15,8% dos homens e 9,4% das mulheres fazem uso de drogas ilícitas, enquanto 11,4% dos homens e 6,8% das mulheres assumem um comportamento sexual de risco. Deus é mais!

https://infonet.com.br/blogs/adiberto/o-governo-mitidieri-nao-e-essa-cocada-toda/

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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