quarta-feira, dezembro 24, 2025

Novo conselheiro Otto Filho toma posse no TCE-BA

 

Novo conselheiro Otto Filho toma posse no TCE-BA

Por Política Livre

23/12/2025 às 20:42

Foto: Divulgação

Imagem de Novo conselheiro Otto Filho toma posse no TCE-BA

Novo conselheiro Otto Filho toma posse no TCE/BA

 

Ao tomar posse como novo integrante do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA), nesta terça-feira (23.12), em solenidade realizada no Gabinete da Presidência, o conselheiro Otto Roberto Mendonça de Alencar Filho (Otto Filho) afirmou que sua vontade, ao ingressar na Corte de Contas, é de aprender e afirmou que está muito disposto a ajudar e a trabalhar. Logo após a assinatura do termo de posse, o conselheiro Marcus Presidio saudou a chegada do novo conselheiro, garantindo a ele que vai ser muito bem recebido e acolhido por todos no TCE.

O conselheiro-presidente afirmou ao novo conselheiro que todo o corpo técnico e os conselheiros, além do Ministério Público de Contas, estarão à disposição para ajudá-lo no que for preciso, mas alertou que não é fácil, “você vai ter que aprender”. E concluiu: “Seja muito bem-vindo. Tenho certeza que você vem a contribuir com o nosso Tribunal. Uma pessoa jovem, aguerrida, séria, determinado. Então, é motivo de muito orgulho recebê-lo. Tenha certeza disso. E aqui, às vezes, existem divergências, mas somos todos unidos em prol da Bahia. E o Tribunal tem avançado muito em enxergar o gestor, enxergar os seus funcionários. É muito mais além da aproximação com os gestores e a sociedade baiana”. 

Num breve pronunciamento, o conselheiro Otto Filho, além de agradecer ao apoio de todos aqueles que o ajudaram a chegar até aquele momento, disse que chega ao para fazer o que fez durante toda a sua vida: “Trabalhar com afinco, com integridade, com compromisso, com humildade, mas também com muita coragem para fazer o que é certo e justo”. E acrescentou que pretende contribuir da melhor forma possível para implementar as mudanças “que são importantes para o nosso estado, para fazer o bem das pessoas, e para que os recursos públicos sejam aplicados e usados da forma correta de modo a mudar a vida das pessoas”. 

O senador Otto Alencar também fez uso da palavra, para entre outras coisas, afirmar que ser conselheiro e julgar contas é uma responsabilidade muito grande. Observou que Otto Filho decidiu assumir tal responsabilidade “de observar bem a legislação, estar presente e ter essa capacidade de discernir aquilo que é correto, que é certo”. Também agradeceu ao presidente Marcus Presidio e a todos os conselheiro, pela boa receptividade demonstrada ao seu filho, e salientou que eles trilharão caminhos diferentes “ele no Tribunal e eu no Senado, mas sempre procurando fazer aquilo que seja melhor para o nosso estado e para o nosso País”.

O ato de posse, conduzido pelo presidente do TCE/BA, conselheiro Marcus Presidio, foi restrito a poucas pessoas, entre as quais estavam a esposa do novo conselheiro, Renata Alencar, o seu pai, senador Otto Alencar, e sua irmã, Isadora. Para marcar o momento, o presidente Marcus Presidio solicitou à esposa do novo conselheiro que colocasse na lapela o broche com as iniciais do TCE, que todos os conselheiros ostentam. E também entregou a ele uma cópia do Regimento Interno do Tribunal e outros documentos que ele necessitará conhecer no desempenho de suas funções. O conselheiro Inaldo Araújo repassou a Otto Filho, um exemplar do Manuel de Auditoria.

A posse contou com a presença ainda, entre outros, do presidente do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM/BA), conselheiro Francisco Andrade Netto, do vice-presidente do TCM, conselheiro Plínio Carneiro Filho, além dos conselheiros do TCE, Gildásio Penedo Filho (presidente eleito), Carolina Matos (corregedora eleita), Inaldo da Paixão Santos Araújo, que é também presidente eleito do Instituto Rui Barbosa (IRB), e da procuradora-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Camila Luz.

O conselheiro Otto Roberto Mendonça de Alencar Filho tem 48 anos de idade e nasceu em Salvador, em 7 de julho de 1977, e é casado com Renata Alencar e tem dois filhos, Luiza e Diogo Alencar. 

Foi eleito deputado federal (PSD) em 2018 (exercendo o mandato entre 2019 e 2023). Foi reeleito para a Câmara Federal em 2022. 

Formado em administração, pela Universidade Salvador - Unifacs, com pós-graduação em Controladoria para Gestão de Negócios (Unifacs, Salvador, 1997 – 2000), em Política e Estratégia (Universidade do Estado da Bahia - Uneb, Salvador, 2004), e tem também pós-graduação Lato Sensu MBA em Controladoria para Gestão de Negócios (Unifacs, Salvador, 2007 – 2009), além de MBA em PPP e Concessões (Fespsp - Fundação de Sociologia de São Paulo, São Paulo, SP, 2016 – 2018) e especialização em Investimento, Gestão de Fundos e Gerenciamento, BCIT, Vancouver, Canadá, 2001 – 2001.

Na sua carreira profissional foi diretor do Conselho da Associação Brasileira de Desenvolvimento, (ABDE)/Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento, Salvador, foi presidente e membro do Conselho Administrativo da Desenbahia; presidente e membro do Conselho Administrativo do Fundo de Desenvolvimento do Estado da Bahia (Fundese), e presidente da Desenbahia, Salvador (2015 – 2018). 

É autor do livro “A Lenda de Guarini - O Caminho do Guerreiro” (Editora Presscolor, Romance, 2011).

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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