quarta-feira, dezembro 24, 2025

2025 se despede, 2026 se anuncia: Jeremoabo vive um novo tempo sob a gestão de Tista de Deda



Por José Montalvão


O ano de 2025 caminha para o seu encerramento deixando para Jeremoabo mais do que números e relatórios administrativos. Deixa, sobretudo, sinais concretos de reconstrução, organização e esperança. No primeiro ano à frente da Prefeitura, o prefeito Tista de Deda vem apresentando à população um balanço responsável e realista da sua gestão, destacando avanços importantes e, ao mesmo tempo, reconhecendo os muitos desafios ainda existentes.

Não se tratou de um discurso triunfalista, mas de uma prestação de contas baseada em ações. Obras retomadas, investimentos na saúde, melhorias na educação e reorganização administrativa marcaram esse primeiro ciclo de governo. Segundo o gestor, 2025 foi um ano de muito trabalho, enfrentamento de problemas herdados e decisões difíceis, mas necessárias.

A expectativa para 2026 é ainda maior. Com orçamento próprio fortalecido e parcerias com os governos Federal e Estadual, a Prefeitura pretende ampliar significativamente os benefícios à população jeremoabense. O prefeito foi claro ao afirmar que os recursos da gestão serão colocados “em campo”, com foco em resultados concretos para toda a cidade, da sede à zona rural.

Entre as metas anunciadas está o início da construção de unidades habitacionais, um passo fundamental para reduzir o déficit de moradia e garantir dignidade a muitas famílias. Na saúde, os avanços já são visíveis: melhoria no atendimento hospitalar, regularização da distribuição de medicamentos e ampliação do acesso inclusive nos postos da zona rural, algo historicamente negligenciado em gestões anteriores.

No entanto, a administração não fecha os olhos para os problemas urgentes. A mobilidade urbana é um dos principais desafios a serem enfrentados, assim como a continuidade da recuperação das estradas vicinais e a busca de soluções definitivas para o abastecimento de água na zona rural, uma das maiores dores da população.

Desde a posse, o prefeito tem reafirmado um conceito que vem se tornando marca da gestão: uma administração inconformada, inquieta e ativa. Inconformada com o atraso, inquieta diante dos problemas e ativa na busca de soluções. Uma gestão que não adia decisões, não transfere responsabilidades e não aceita empurrar dificuldades para o futuro.

Respeito ao cidadão, escuta ativa das reclamações e aprendizado a partir delas fazem parte desse novo modelo administrativo. Da mesma forma, há um compromisso público de repudiar sobrepreços, superfaturamentos, calotes e a velha cultura da impontualidade e do descaso com o dinheiro público.

A proposta é clara: construir uma administração criativa, inovadora, preocupada com o presente, mas atenta às necessidades do futuro. Uma gestão que compreende que os problemas existem, mas que eles são sempre menores do que a vontade política de resolvê-los.

Apesar do pouco tempo de governo, e de uma situação inicial extremamente difícil encontrada, os primeiros passos já foram dados. A estrada começou a ser trilhada. E essa sensação, como bem define o próprio gestor, é positiva e encorajadora.

Jeremoabo ainda tem muito a fazer, mas agora tem direção, planejamento e compromisso. A confiança depositada pela população começa a ser retribuída com trabalho, seriedade e dedicação. Porque, como ensina a prática política responsável, a incompetência é uma forma de reacionarismo — e esta gestão se afirma como progressista, comprometida e fiel aos compromissos assumidos com o cidadão.

2025 se despede.
2026 se anuncia.
E Jeremoabo segue, com esperança, no caminho da transformação.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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