sábado, dezembro 31, 2022

Indicado para a Petrobras ajudou a quebrar monopólio estatal e hoje questiona venda de refinarias

Sexta-Feira, 30/12/2022 - 20h20

Por Nicola Pamplona | Folhapress

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Foto: Reprodução / Senadoleg

Indicado nesta quinta-feira (29) para presidir a Petrobras, o senador Jean-Paul Prates, 54, nem sempre esteve ao lado do PT em temas relacionados à regulação do setor de petróleo no país. Hoje, é crítico do processo de venda de ativos da estatal e defende colchão para amortizar altas dos combustíveis.
 

A definição desse colchão não será sua função na estatal, mas a indicação sinaliza que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem apreço pela ideia, que dependeria de aprovação no Congresso por demandar a utilização de recursos públicos, como royalties do petróleo e dividendos da companhia.
 

O governo Lula 3 começará sob forte pressão inflacionária pelo possível fim da desoneração federal, que tem grande impacto na gasolina, e pelo descongelamento do preço de referência do ICMS, que impactará mais o diesel e o gás de botijão.
 

Advogado e economista, mestre em Planejamento Energético e Economia do Petróleo, Prates tem longo histórico de atuação no setor, em alguns casos em lado oposto ao dos petistas. Colaborou, por exemplo, com a lei que pôs fim ao monopólio da Petrobras, projeto que teve oposição do partido de Lula.
 

Ajudou ainda a redigir os novos contratos de concessão, que trouxeram grandes petroleiras globais para explorar reservas no Brasil, processo também questionado pelos sindicatos que hoje apoiam sua indicação.
 

Prates iniciou sua aproximação com a política em 2005, quando assumiu a Secretaria de Energia do Rio Grande do Norte. Em 2014, foi eleito primeiro suplente da senadora Fátima Bezerra (PT-RN) para mandato até 2022.
 

Em janeiro de 2019, assumiu a cadeira de senador após a eleição de Bezerra para o governo do estado. Foi Líder da Minoria no Congresso e, em movimento considerado uma guinada por alguns pares, vice-presidente da Frente em Defesa da Petrobras.
 

Nessa função, liderou movimento do Congresso que questionou a venda de ativos da Petrobras, acusando o governo Jair Bolsonaro (PL) de usar "subterfúgios" para encolher a empresa sem autorização do Congresso.
 

O foco principal era a venda de refinarias, feita por meio da criação de SPEs (Sociedades de Propósito Específico) que separavam as unidades da pessoa jurídica da estatal.
 

"Uma coisa é um negócio que a empresa entrou, não gostou e quer vender, como parque eólico, energia solar, mineração e até petroquímica", disse ele à Folha de S.Paulo, na época. "Essas aí a gente entende que, mesmo sendo subsidiárias, são subsidiárias que não fazem parte da coluna vertebral da empresa."
 

Em outra entrevista, Prates defendeu que a redução da participação da Petrobras no refino deveria ser alvo de debate com a sociedade, pelo risco de criar monopólios privados de abastecimento de combustíveis em algumas regiões.
 

"É como se o Burger King fosse hegemônico em uma cidade e decidisse vender metade das lojas para o Mc Donald's, abrindo mão do mercado", comparou. Ele frisou não ser contra a participação de atores privados no segmento de refino, mas afirmando que não é papel da Petrobras decidir isso.
 

"Quem tem que se preocupar com competição é o governo, não a empresa", rebate Prates. "Isso mostra como está o nível de ingerência do governo na empresa, mandando a Petrobras vender ativo para fazer caixa", completa.
 

A equipe de transição de governo já deixou claro que suspenderá o processo de venda de refinarias e que vai além, incentivando a empresa a ampliar a capacidade de produção de combustíveis no país, seja sozinha, seja em parceria com empresas privadas.
 

A nomeação de Prates depende da renúncia do atual presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, que aceitou cargo no governo eleito de São Paulo, mas ainda permanece no comando da estatal.
 

Depois, precisa ser referendada pelo conselho de administração da companhia, hoje quase totalmente alinhado a Bolsonaro. A renovação do conselho depende de convocação de assembleia pelo novo governo.
 

Prates concorreu a suplente de senador na eleição de 2022 e foi membro da equipe do governo de transição para a área energética, mas o governo entende que não há impedimentos à sua nomeação pela Lei das Estatais nem pelo estatuto da empresa.
 

O PT entende que não há restrições, alegando que a lei não veda a nomeação de candidatos, mas de pessoas que trabalharam em campanhas eleitorais.

Bahia Notícias

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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