sexta-feira, dezembro 30, 2022

Política provoca desemprego em massa no estado

em 30 dez, 2022 7:50

Adiberto de Souza

A virada do ano não será das melhores para mais de 3 mil sergipanos, todos com os empregos ameaçados por conta da troca de governo. Estamos falando dos ocupantes de cargos em comissão, que devem ser exonerados para que o governador eleito Fábio Mitidieri (PSD) contrate os comissionados de sua preferência. O próprio pessedista confirmou o bota fora: “É natural que ao sair, o governador faça o chamado decretão, deixando a casa pronta para quem chegar possa fazer a gestão com o seu povo e do seu jeito”. Evidente que muitos dos exonerados agora serão renomeados por serem técnicos competentes e, portanto, necessários ao funcionamento da máquina estatal. A maioria dos comissionados, porém, terá que procurar outra ocupação em 2023, principalmente aqueles indicados por políticos que ficaram sem espaço no futuro governo. Home vôte!

Contando gente

Prévia do Censo 2022 realizado pelo IBGE revela que Sergipe já tem 2.211.868 habitantes. Em Aracaju, a capital do estado, residem 605.309 pessoas. Nossa Senhora do Socorro é o segundo mais populoso com 192.375 moradores. Itabaiana passou a integrar os municípios com mais de 100 mil almas, passando a ter103.620 habitantes. Lagarto é habitado por 101.642 pessoas, enquanto São Cristóvão tem 95,7 mil residentes. O IBGE promete publicar em breve a tabela com a população estimada em cada município brasileiro. Aguardemos, portanto!

Sem pressa

O deputado federal e senador eleito Laércio Oliveira (PP) comemorou a retirada da pauta da Assembleia do projeto prevendo a desestatização da Sergás. Durante entrevista coletiva, o líder pepista defendeu que a propositura seja discutida amplamente e sem pressa pelo governador eleito Fábio Mitidieri (PSD) e a nova bancada do Legislativo sergipano, além de técnicos capacitados. Antes do encontro com os jornalistas e radialistas, Laércio se reuniu com as lideranças do PP em Sergipe para avaliar a atuação da legenda nas últimas eleições e discutir ações a serem adotada em 2023. Então, tá!

Fim do expediente

Os deputados estaduais encerram ontem os trabalhos da Assembleia para este ano. Antes, porém, aprovaram o Orçamento do Estado, garantindo ao governador eleito Fábio Mitidieri (PSD) pouco mais de R$ 13,3 bilhões para bancar as despesas do Executivo em 2023. Os parlamentares também aprovaram o projeto do governo criando novas secretarias. Agora, o Legislativo só reabrirá o plenário em fevereiro do próximo ano para receber os deputados eleitos e reeleitos no pleito passado. Aff Maria!

Último ato

O governador Belivaldo Chagas (PSD) presidiu, ontem, seu último ato público como chefe do Executivo sergipano ao inaugurar seis trechos da Orla Sul em Aracaju, que vão das proximidades do bar Maré Mansa até a avenida Dr. José Domingos Maia, já na rótula que dá acesso ao Mosqueiro. O investimento realizado nestes quase 10 quilômetros entregues ontem passa dos R$ 27,2 milhões, deixando o projeto com 95% das obras concluídas. Belivaldo informou que os cerca de R$ 85 milhões investidos na totalidade do projeto da Orla Sul incluem, além de urbanização, a recuperação total dos 17 quilômetros da rodovia SE-100, da Passarela do Caranguejo até a Praia do Viral, com ciclovias em todo o percurso. Misericórdia!

De olho na Prefeitura

E o vereador Fabiano Oliveira (PP) está de olho na cadeira ocupada hoje pelo prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT). Político experiente, o parlamentar pepista entende que a discussão sobre a sucessão municipal passa necessariamente por seu partido, que elegeu um senador, um deputado federal e dois estaduais, além de ter dois vereadores na capital. Embora ainda não tenha tornado público o seu desejo, o presidente da Câmara de Aracaju, Nitinho Vitale (PSD), também sonha em disputar a Prefeitura em 2024. Marminino!

Novo auxiliar

Derrotado na disputa por uma cadeira na Câmara Federal, o ex-jogador de futebol Washington Coração Valente (PP) será o novo secretário estadual de Esporte e Lazer. A convocação do ex-atleta para ajudá-lo na área esportiva foi anunciada, ontem, pelo governador eleito Fábio Mitidieri (PSD). O pessedista garante que Washington é a pessoa certa para tocar a nova pasta, que acaba de ser recriada com a aprovação de projeto nesse sentido pela Assembleia. Vixe!

Aliado no poder

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), festejou a indicação do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, como ministro da Previdência do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Presidente da Frente Nacional dos Prefeitos, Edvaldo disse esperar que o aliado político “possa dar a sua contribuição a este novo momento do país, nesta pasta tão relevante para assegurar a dignidade dos trabalhadores”. O PDT apoiou Lula no 2º turno, após o naufrágio eleitoral de seu presidenciável Ciro Gomes. Danôsse!

Fim de um ciclo

A vice-governadora de Sergipe, Eliane Aquino (PT), agradeceu a quem colaborou com a sua atuação nos últimos quatro anos: “Estou encerrando mais um ciclo da minha vida pública e não poderia deixar de agradecer a cada um dos sergipanos e sergipanas que, ao longo dos anos, têm me acolhido e confiado em meu trabalho”, escreveu a distinta no instagram. Segundo comenta-se nas esquinas de Sergipe, Eliane deverá ser aproveitada no 2º escalão do governo federal. Dizem que por ser amiga pessoal do presidente eleito Lula da Silva (PT) e do novo ministro da Secretaria Geral do Governo, Márcio Macedo (PT), a vice-governadora só ficará desempregada se quiser. Ah, bom!

Equipe aprovada

E o senador Alessandro Vieira (PSDB) aprovou o time de ministros escolhidos pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o tucano, montar ministério no Brasil é igual à convocação da Seleção Brasileira “Tem nomes consagrados, tem boas apostas e tem aqueles que ninguém entende como foram parar lá, além das figuras que todo mundo sabe que vão criar problemas pro time. Mas, no geral, Lula exercitou bem a costura política”, frisou Vieira, que apoiou o petista no 2º turno das eleições de outubro último. Crendeuspai!

INFONET 

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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